CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

CONFLITO DE AGENDA

Vencer a China por 8 x 0, no aspecto esportivo, importa pouco. É mais ou menos como a China passar por cima do Brasil no tênis de mesa ou nos saltos ornamentais. Não sai no jornal, só seria notícia se fosse o contrário. O placar exagerado também não deve ser supervalorizado, como se fosse indício de capacidade goleadora, por causa da grave debilidade do adversário. Na história da Seleção Brasileira, são comuns os convites para times inexpressivos virem ao país apenas para levar surras convenientes em amistosos.

Mas pensando na formação de um time e no efeito tranquilizador para um grupo de jovens, o jogo em Recife teve sua utilidade. Mostrou que o ataque formado por jogadores de movimentação pelos lados parece ter mais argumentos do que o sistema com centroavante formal. Devolveu a Neymar o protagonismo que ele precisa exercer até – e durante – a Copa do Mundo. Eliminou, de modo geral, o gosto ruim que ficou impregnado desde o 7 de setembro em São Paulo.

A relação entre o desempenho da Seleção e o comportamento da torcida pernambucana era um discurso esperado. E vazio. O time não “retribuiu carinho com gols”, apenas encontrou um ambiente mais leve e jogou melhor contra um oponente que nem merece ser classificado como tal. A despeito da idiotice que leva uma pessoa, ou várias, a pagar ingresso e vaiar a Seleção Brasileira praticamente desde o apito inicial, o que houve no Morumbi é culpa da CBF e de seu calendário.

Mano Menezes tem razão quando diz que o conflito Seleção x clubes transforma o técnico num alvo fácil. Injustiça que continuará perseguindo quem estiver no cargo, não importa o nome. O ano futebolístico brasileiro pune os clubes, maltrata o principal campeonato e pede que o torcedor compreenda. Até mesmo o pachequismo ignorante deveria ser capaz de entender o processo que leva à desvalorização da Seleção aos olhos do público interno.

No ano que vem será igual. O calendário melhorou, ganhou uma Copa do Brasil mais longa e verdadeira. Mas o Santos jogará sem Neymar em 15 datas, de fevereiro a novembro.

CORNETAS

Mais do que os resultados ruins, o ambiente do Vasco complicou a situação de Cristovão Borges. Do lado de fora, a parcela da torcida que não o perdoava há tempos. Dentro, um vestiário dividido. O problema de interromper o trabalho e trocar o comando é a herança que fica para o treinador que chega. Que Marcelo Oliveira é bom técnico, não há dúvida. Mas o que se passa em São Januário, agora sem vice de futebol, extrapola o campo.

FUTILIDADE

O caso da punição imposta a Loco Abreu por beijar o escudo de sua camisa, diante da torcida adversária, é um escárnio. O Flamengo foi denunciado por ofensas de seus torcedores a Abreu. Defendeu-se afirmando que o atacante provocou com os beijos. O clube foi absolvido e Abreu, suspenso. Veja a que ponto o STJD chegou. O tribunal julga xingamentos e beijos, como um bedel de escola infantil. É muito tempo livre.



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