COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

MULTITAREFAS

Há algo em comum a todos os times do Corinthians que conquistaram títulos nos últimos anos. Entre as variantes de escalação e sistema, passando por treinadores de convicções e estilos distintos, encontra-se uma constante no meio de campo: uma dupla de volantes capazes de influenciar o jogo independentemente da posse da bola.

A sequência começou em 2009 (de fato, em 2008, na campanha vitoriosa na Série B), com Elias e Cristian impulsionando o time campeão paulista e da Copa do Brasil, dirigido por Mano Menezes. O ano seguinte não teve nenhuma comemoração além do centenário do clube, mas Jucilei e Ralf incorporaram-se ao setor. Ambos – ao lado de Paulinho – foram titulares na infame derrota para o Tolima que impediu que o Corinthians alcançasse a fase de grupos da Libertadores 2011, mas é vista como o embrião do sucesso no Campeonato Brasileiro daquele ano e na Libertadores 2012. Nas últimas duas conquistas, Ralf e Paulinho se firmaram como o ponto de equilíbrio do time de Tite. Como uma “unidade de trabalho”, eles são o produto mais bem acabado desse processo que já dura mais de quatro anos.

Cada um é um híbrido de defensor e atacante, destruidor e criador. As características se completam, literalmente, pois carências e excelências se encaixam. O que Ralf agrega do meio de campo para trás, Paulinho oferece do meio para a frente. O que não significa que não os vejamos em papeis invertidos. Ambos sabem como recuperar a bola e o que fazer com ela, protegem e agridem com eficiência e extrema vitalidade.

Na vitória sobre o Grêmio, Ralf surgiu na área adversária para marcar o primeiro gol num lance que ele mesmo criou. O drible no marcador e a conclusão precisa não entram na descrição tradicional do que se chama de “gol de volante”. É algo um pouco mais rebuscado. A participação de um marcador nos movimentos ofensivos está no manual de todos os treinadores, mas nem sempre é bem sucedida. O gol de Ralf foi a segunda melhor notícia que Tite poderia receber na noite de sábado.

Os amistosos da Seleção Brasileira desmontaram a dupla corintiana. E a presença de um dos ponteiros do campeonato no Pacaembu era a ocasião sob medida para Tite experimentar a vida sem Paulinho. Guilherme, contratado como seguro para a inevitável negociação do parceiro de Ralf, foi aprovado no teste. Foi dele o chute – após ótima jogada de Martinez – que Marcelo Grohe espalmou, criando as condições para o primeiro gol quando o Corinthians tinha seus dois volantes na área. Guilherme também marcou o segundo, em nova incursão ofensiva.

Nas primeiras partidas pelo Corinthians, Guilherme tem justificado a insistência do clube em sua aquisição. Teve um gol evitado pelo goleiro Wilson, no meio da semana passada, na derrota para o Figueirense. Amostra pequena, mas promissora. Seu encaixe no time seria a manutenção da ideia de uma dupla multitarefas no meio de campo corintiano, conceito que está na origem da fase de conquistas pós-rebaixamento.



  • Anna

    Gostei da definição de Ralf e Paulinho, André. São híbridos, mistos de defensores e atacantes. Perfeito!

  • Mauricio

    Bom dia André! O grande apoio dos volantes do Corinthians é possível também pela presença de laterais seguros, que preocupam-se primeiro em defender, e depois em atacar, sempre alternadamente, como é feito na Europa. Na seleção, por exemplo, com Daniel Alves e Marcelo, os volantes precisam ficar mais presos, e mesmo assim toma-se bola nas costas (o Marcelo tomou ontem no fim do jogo contra a China, e quase saiu o gol). Acho que esse é um dos problemas que a seleção deve resolver. Abraços!

  • É isso.

  • Sérgio

    André, é impressão minha ou sua opinião sobre o Ralf está mudando? Realmente hoje vejo mais o Ralf também ocupando uma posição no momento do ataque do time. Abraços!

    AK: Impressão sua. Ele tem sido basicamente o mesmo jogador. Um abraço.

  • André, recuperando um pouco, pode-se dizer que até aquela dupla Vampeta/Rincón também era o motor do time, como essa atual.

  • cdavi75

    E ainda tem a opção de jogar com 3 volantes sem perder a força ofensiva, pois o Paulinho já jogou como terceiro volante com o Adilson Batista e também o Edenílson se apresenta como ótima opção, já que é meia de origem e vem sendo trabalhado para aprimorar a marcação.

  • cdavi75

    E ainda tem a questão da versatilidade, pois o Ralf joga de zagueiro (e bem…), o Paulinho e o Edenílson podem quebrar um galho na lateral-direita (melhor que muitos laterais por aì…). Dá pra ver que a equipe está muito bem servida nessas posições. Aliás, o Danilo não poderia jogar de segundo volante numa emergência??

    Um abraço

  • josé sidnei

    Mas na contramão do sucesso com os volantes, temos “fraturas” nas laterais. São vários os direitos e apenas Edenilson passa confiança, improvisado ali. Ficou claro na Libertadores, até se contundir. Na esquerda, temos um só, felizmente, bem regular. Ao negociar Leandro Castan, o Corinthians perdeu 60% de eficiência defensiva. Castan não podia ter sido negociado antes do mundial de clubes. Foi uma infantildade da cartolagem ruim do Timão. .

  • Cesar Magalhães

    André, vc é fera nos comentários.
    Vc tem que aparecer mais na ESPN. Seus comentários são muito bons e extremamente concisos. Queria vê-lo no Bate Bola e um dia no Linha de Passe.
    Sou esposo da Dna. Cláudia Leite (Profª. e coordenadora). Somos fã dos comentários dos Kfouri.
    Que Deus os abençoe muito.

    Os volantes são primordiais no futebol de hoje e se unirem as tarefas com meias de inteligência que marcam e atacam torna-se difícil um time destes perder. Mas não podemos esquecer que sempre tivemos bem com grandes volantes. Como esquecer de um Biro Biro em 87-88 e a maior dupla de todas… Vampeta e Rincón.
    Um grande abraço e mais uma vez parabéns.

    AK: Obrigado. Minha função na tv é diferente da que exerço no blog e no jornal. Além do fato de a Espn estar muito bem servida por comentaristas do mais alto nível. Um abraço.

  • Beto Carraca

    ótimo texto…A tradição no Corinthians de ótimos volantes vem de muito tempo…muito tempo mesmo…passando por Biro Biro…Rincon…Vanpeta…entre mmmmmmuuuuuuuuitos outros.

  • Joao

    O São Paulo em sua fase vencedora recente também tinha em comum duplas de volantes que eram o motorzinho do time, facilitando as excelentes defesas montadas com jogadores medianos: Mineiro e Josué , Hernanes e Richarlyson e Hernanes e Jean. Consagraram defensores como Fabão, Edcarlos, Alex Silva, André Dias, etc…

    A seleção devia se espelhar nesse modelo e somente escalar volantes que saibam jogar, como é o caso do Ramires. Precisa de um camisa 5 urgente.

    Abraço,

  • joão paulo tricolor

    Ontem mesmo eu tava lembrando disso. Aparentemente tinha muito sãopaulino no morumbi no jogo contra a africa do sul. O neymar foi vaiado, o mano qdo tirou o lucas. O paulinho não. Isso não é medidor claro, mas percebo o respeito que ele ja conquistou inclusive dos rivais. Um tempo atrás era o elias, o cristian, o jucilei. E a forma de atuar são bem parecidas né. Com certeza esse foi um dos grandes marcos do Corinthians nos ultimos 4 anos.
    Abraço

  • WFurlani

    Eu creio que a própria Seleção carece de um esquema definido com 2 volantes de alto nível de marcação e saída de jogo,pq o Rômulo e o Sandro não têm pegada suficiente para jogar de primeiro volante do Brasil, sendo q até Ramirez ou Paulinho poderiam ser o segundo.. Falta um jogador com maior poder de desarme e marcação para os laterais subirem com maior tranquilidade, e espírito de liderança, como o próprio Dunga possuia na sua época. Um grande abraço, André.

  • Emerson

    Mudando só um pouco de assunto, para quem ama futebol, eis uma história com a qual é impossível não se identificar. Vale a pena ler, Emocionante! http://bit.ly/QMlIWb

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