COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

TERRITÓRIO HOSTIL

É estranho ver a Seleção Brasileira jogar em São Paulo. Reflexo claro da baixa frequência do evento. O time não tem o costume de se apresentar no país e, quando o faz, prefere outros centros. Talvez seja porque no Morumbi, antes mesmo de o jogo chegar ao décimo minuto, setores das arquibancadas entoem gritos pedindo a escalação de um jogador que nem convocado foi. Talvez seja porque o público paulistano não morre de amores pela ideia de abraçar a Seleção sem se sentir retribuído, algo ainda menos provável quando o ingresso mais barato custa R$ 80,00.

O amistoso entre os representantes de sedes da Copa começou varzeano. Ou melhor, nem começou. O Brasil entrou em campo com sua camisa amarela, naturalmente por estar em casa. Mas a vestimenta da África do Sul misturava a mesma cor com verde. Coincidência que uma rápida conversa entre dirigentes teria evitado, mas parece que tal encontro não aconteceu. Ou será que o inglês gerou alguma confusão?

Os visitantes não tinham outro uniforme. A seleção anfitriã trocou de camisa e surgiu com a azul, apresentando ao mundo um equívoco estético: o calção do primeiro uniforme (azul com listras laterais brancas) junto com a segunda camisa (tom diferente de azul com faixas amarelas nas mangas). Feio, tanto pelo erro quanto pelo resultado final.

O jogo teve pouquíssimo tempo de bola rolando antes de mais uma gafe. A braçadeira de capitão usada por David Luiz era invisível. Lógico: feita para acompanhar a camisa amarela, era azul. Na camisa azul, sumiu. Nada que o departamento médico da CBF não pudesse solucionar, enfaixando a manga esquerda do zagueiro com um largo pedaço de esparadrapo. Para completar, a camisa de Marcelo estava rasgada. Detalhes de uma catástrofe organizacional exibida em rede nacional a 643 dias da abertura da Copa do Mundo. Bonito.

Os jogadores são vítimas da incapacidade alheia, mas não conseguiram fazer do feriado de quem escolheu ver a Seleção uma experiência agradável. O Brasil foi mais faltoso do que a África do Sul no primeiro tempo. Nas oportunidades de gol, empate. Zero a zero que, no intervalo, mereceu a serenata de vaias de um Morumbi que não se sente contemplado com a simples presença da Seleção Brasileira.

Nem mesmo a disposição dos sul-africanos de atacar o Brasil foi aproveitada. Mais espaço não levou a mais criação. Mano ouviu apupos, jogadores substituídos – como Neymar – foram vaiados ou criticados por pedidos de outros nomes. O gol de Hulk aliviou o clima de descontentamento, mas não melhorou a avaliação final do amistoso. Reprovado com fervor.

Jogos de futebol devem ser analisados pelos aspectos do desempenho e do resultado. Amistosos valem apenas pelo primeiro. O segundo importa pouco, menos ainda quando o adversário é inferior. O Brasil venceu sem agradar e pagou o preço de jogar em São Paulo, diante de um público predominantemente ranzinza. É assim há muito tempo.

Bom feriado para Diego Alves e Hulk. Ruim para todos os outros. Em Recife deve ser um pouco melhor.



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