CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

VIDA DUPLA

Diante das últimas revelações da ESPN sobre a “gestão” de Patricia Amorim no Flamengo, é justo indagar se a contratação de Adriano não foi apenas uma manobra política. A presidenta falou “no brilho dos olhos” do atacante, acariciou a parcela da torcida que acredita que ainda verá gols dele, e ganhou um assunto permanente que faz fumaça para esconder os problemas do clube.

A vereadora Patricia não difere do modelo do político profissional brasileiro. Seu passado no esporte serviu como plataforma mentirosa para alcançar a vida pública. Seu mandato serve para aplicar uma agenda pessoal. O projeto de poder no Flamengo é alimentado pelo gabinete na Câmara, onde a base que sustenta a presidenta na Gávea recebe o agradecimento mensal pelo apoio. Até quem deve fiscalizá-la no clube está na folha de pagamento, um deboche para o Flamengo e para a cidade.

Nesta semana, Adriano convenientemente atuou como escudo de Patricia. As promiscuidades da vereadora-presidenta foram reveladas na segunda-feira, Adriano faltou ao trabalho na terça. Na quarta, os pitos do departamento de futebol no funcionário reincidente dominaram o noticiário. Adriano fala como jogador, vive como aposentado, é tratado como novato. O tema interessa a quem não quer discutir os próprios tombos.

O Flamengo está correto ao se proteger do risco que um contrato com Adriano representa. Mas faria mais pelo sucesso da aposta se o tratamento dos problemas pessoais do jogador fosse parte do compromisso. Condição para o compromisso. A questão é muito maior do que uma falta ao trabalho, advertências ou as cláusulas que resguardam o clube.

Mas talvez Adriano seja só mais uma marionete de um sistema que tem como prioridade número 1 usar o Flamengo. E como prioridade número 2 continuar usando o Flamengo. Um sistema que já conseguiu tirar Zico do caminho, e que, se for preciso, fará o mesmo com Zinho num piscar de olhos.

Pensando no time, Zinho disse que o momento da falta de Adriano foi o pior possível. Patrícia certamente discorda.

LEMBRA?

Vanderlei Luxemburgo, em entrevista ao Estado de S. Paulo: “Existe uma desvalorização muito grande do futebol brasileiro. Falam que o Barcelona é um exemplo de time. Mas quantos times no Brasil fizemos como este? Um monte. O Flamengo de Zico tinha 70% de posse de bola. O Santos, que foi campeão da Libertadores, dava espetáculo toda hora”. Bem… dois não são “um monte”. E a final do último Mundial de Clubes foi reveladora, não?

NORMAL

O Atlético Mineiro empatou na Bahia e ainda não venceu no returno. Três rodadas sem vitória podem sugerir um momento anormal, mas apenas revelam que o Campeonato Brasileiro é difícil para todos. E que a campanha do Atlético no primeiro turno foi espetacular. Nos últimos três jogos, o empate com a Ponte Preta em casa é o que machuca mais. A derrota para o Corinthians no Pacaembu e o empate no Pituaçu são resultados normais.



  • LM_RJ

    AK
    o engenhao e o flu possuem uma bonita historia
    o flu ja efetuou diversas voltas olimpicas naquele gramado
    outras estao por vir
    qto a torcida, o tricolor esta guardando seus suados caraminguas p/ o 2o turno
    quem viver verá
    no momento em q a torcida precisar fazer a diferença ela fará como sempre foi na história do flu
    aliás ja dizia nelson rodrigues:
    “quando o Fluminense precisa de número, acontece o suave milagre: os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas”
    sem mais

  • Marcos Vinícius

    Talvez Luxemburgo tenha esquecido,ou não se deu ao trabalho de puxar pela memória,alguns times. O Palmeiras de 93/94,o Vasco e o Corinthians de 98/00,o Cruzeiro de 2003 e o São Paulo,principalmente,de 06/07. Talvez o toque de bola envolvente e o time cheio de meias não fossem o mesmo do Barcelona,mas jogavam um futebol tão eficiente quanto.

  • Maurício de Manaus

    Boa tarde ANDRÉ.
    “Existe uma desvalorização muito grande do futebol brasileiro…”. Concordo totalmente. Gerada por pessoas envolvidas diretamente com o esporte em questão. Dirigentes que usam seus cargos para se locupletarem ou galgarem posições consideradas lucrativas, tanto na política, quanto na vida pública e privada brasileira; mídia esportiva envolvida com patrocinadores de Clubes e jogadores, deixando de relatar o que realmente ocorre dentro das quatro linhas, no decorrer de uma partida (na última rodada do Campeonato Brasileiro, em todos os canais citaram com enorme ênfase o levantamento de perna do jogador Márcio Azevedo, do Botafogo, que acarretou um choque com jogador do Cruzeiro, sem que fosse questionado se haveria o tempo hábil, para o recolhimento do membro, em decorrência da rapidez da jogada, que é mostrada repetidas vezes em câmera lenta, sem que citassem a agressividade com que o Cruzeiro se houve ao longo daquele jogo, principalmente, no primeiro tempo; nem tampouco foi citada a ordem do técnico Abel, para que o jogador Wellington Nem se jogasse ao chão, pois este pedira para ser substituído na partida do Fluminense, contra o Santos, visando tirar tempo dos quarenta e cinco minutos, que regem um tempo de jogo – à excessão do programa Redação Sportv, cujo àncora Rizek, comentou superficialmente). Soa como se o Fluminense e o Cruzeiro tivessem força junto aos bastidores do esporte e o Botafogo não. Sabemos que é bem por aí…; arbitragem manipulada, cuja subserviência à CBF, cada vez mais se expõe; supervalorização no preço de ingressos para as partidas (vivemos em um País onde a maioria da população age o seu mês com o salário mínimo); horários e datas de realizações de partidas, que atendem aos interesses das empresas de televisão, sem levar em consideração o que isto vá acarretar a quem se propõe a assistí-las “in loco” (transporte precário, falta de segurança, encerramento tardio, tendo que acordar muito cedo, no dia seguinte, para trabalhar, etc…).
    As pessoas que estão voltadas para a execução e divulgaçâo do esporte, precisam entender que hoje os torcedores estão mais esclarecidos. A época em que se acompanhavam as partidas de futebol pelo rádio, ou seja, em que nada se via, se foi (tínhamos que acreditar piamente no que estivesse sendo relatado), hoje sabemos discernir muito bem, quando estão querendo soterrar o nosso time, em prol de beneficiarem a outrem. Sabemos o quanto determinados times são auxiliados, enquanto outros têm que “roer osso”, para levantarem valores, a fim de honrarem suas folhas de pagamento.
    O futebol brasileiro virou (há algum tempo já) vergonha nacional. A população brasileira está enojada com o que vem assistindo, sabendo que nada pode fazer para modificar, só não abandona o mesmo, por amor extremo! Tornaram e estão mantendo o maior esporte do País como um latão de lixo, daí o descrédito!

  • Luiz Marfetan

    André pena que você não deve sequer bisbilhotar o que seus e de outros jornalistas comentam, no fim do artigo que escrevem. Vai lá na data que o Adriano foi contratado? pelo Framengo, desde o inicio saquei a jogada politica, brilhante, por sinal da Patricia.É uma faca de dois gumes, mas com qualquer um que corte ela sai ilesa e por cima, p/explorar essa fatia de torcida que ainda acredita nela.
    O único que responde aos seus leitores Janca!

    AK: Nossa… Você deve ser um visionário. Mas pelo jeito não costuma frequentar este espaço.

  • leonardoatleticano

    A tendência do futebol brasileiro é só piorar, o envolvimento com a pior corja que existe por aqui, vai leva-lo ao desastre.
    Políticos como Lula e seu amiguinho Sanches, e outros larápios no comando da CBF e de clubes é o fim do futebol. Já não era um meio muito sério, agora se apodreceu mais.
    Veja Mano Menezes, resultados e atuações ridículas, mas a eterna gratidão pelo gigantesco título da segundona obtido para o time de Lula e seus amigos. Até a mídia, parece eternamente grata pela conquista. Quando é que vão julga-lo pelo seus atuais resultados??
    Está muito podre todo o meio do futebol, dirigentes safados, políticos ladrões infiltrados, vários jornalistas comprados, muita notícia plantada e maldosa.

  • lee

    a melhor opiniao sobre o caso que li nesses dias..

    queria que mais jornalistas tivessem peito pra opinar dessa forma…

    depois q li a reportagem sobre os manejos da dona patricia na câmara, dos nomes..mais de 20 que ela colocou lá..poutz grilo!

    acho que precisamos de mais pessoas iguais a vc!

    Pena nao ter a oportunidade de vê-lo com um microfone, debatendo cara a cara

  • Dyl Blanco

    A citação de Luxemburgo, complementada pelo Marcos Vinicius, aponta para o único formato de montagem de times inesquecíveis: bola no chão, gastando a grama no meio de campo e chegando fácil nos atacantes. Times assim acobertam administrações como a de Patricia Amorim, que busca desesperadamente a cortina de fumaça que voce citou. Só vejo uma mudança no contexto atual. O torcedor de hoje sabe dessa cortina de fumaça e não idolatra mais nem os jogadores que temporariamente se agruparam no formato vencedor e muito menos os mentores dessas “formações vencedoras”. O torcedor hoje sabe que ao final dos campeonatos o desmanche é inevitável e por isso se torna um crítico voraz dos administradores, cobrando, reclamando e até ameaçando, buscando uma forma de conseguir outra formação vencedora no real objeto de adoração que é o clube. Foi isso que entendi após o desabafo do Leo ao fim do jogo, escancarando o verdadeiro problema de um time com bastante qualidade e que parece não querer se prestar ao papel de cortina de fumaça. Nem o time nem a comissão técnica. Já que Leo tem demonstrado aspirações politicas dentro do Santos é possível vislumbrar uma luz tênue no fim do túnel.

  • Antonio

    Só uma pequena correção, foram 4 jogos sem vitória do Atlético, incluindo o último do primeiro turno (empate contra o Cruzeiro).

    AK: A nota fala sobre o returno, certo? Três rodadas sem vitória. Um abraço.

  • Antonio

    Bem, você fala “podem sugerir um momento anormal”. Não vejo como falar do momento ignorando um jogo de uma sequência sem vitórias. Abs.

    AK: Eu vejo. Os três primeiros jogos do returno, sem vitórias. Como está escrito. Um abraço.

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