COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

CHUTE NA CADEIRA

É possível que a euforia provocada pelo primeiro título de relevância nacional em quatorze anos tenha produzido um efeito entorpecente. O vestiário do Palmeiras no estádio Couto Pereira latejava pela conquista da Copa do Brasil, os jogadores tentavam entender o significado do momento, os torcedores reencontravam uma sensação que vagava pelo tempo. A diretoria, ao invés de ponderar, preferiu capitalizar.

“Eu tinha certeza que nós conquistaríamos um ou dois títulos neste ano. Já ganhamos um, o que prova que nosso elenco é de primeiro nível (…)”, declarou o presidente Arnaldo Tironi, anunciando mais alegrias para a torcida do Palmeiras na sequência da temporada.

Era a madrugada do dia 12 de julho. De lá para cá, o Palmeiras disputou quatorze jogos pelo Campeonato Brasileiro. Ganhou três, empatou três, perdeu oito. Os 12 pontos somados em 42 possíveis mantiveram o time entre os quatro últimos colocados, mesma região da tabela que ocupava enquanto dava prioridade à Copa do Brasil. Na Copa Sul-Americana, está classificado para as oitavas de final.

Os números acima incluem o ponto relativo ao empate com o Grêmio, no sábado à noite. A menção ao jogo é importante por causa de outra declaração preocupante de um membro da diretoria palmeirense. Na chegada do elenco ao Pacaembu, o vice-presidente Roberto Frizzo reiterou o que Tirone disse quase dois meses atrás: “O elenco do Palmeiras é excelente”. A diferença é que Frizzo não pode alegar que falou sob forte emoção.

Se esse discurso é usado apenas do clube para fora, para não pressionar os jogadores, está equivocado por vender ao torcedor uma realidade que não existe. Se é o mesmo usado dentro do vestiário, a situação do Palmeiras é mais grave do que se pensa. O elenco se encaixa na categoria “médio para bom”, dependendo de quem está disponível. Nenhum time “de primeiro nível”, ou “excelente”, faz 17 pontos em 21 rodadas.

Talvez o título da Copa do Brasil e a classificação para a Libertadores 2013 tenham causado a perigosa impressão de que o ano do Palmeiras acabou. Nesse caso, a tabela do Brasileirão faz o papel do momento do chute na cadeira no filme “A Origem”. É hora de despertar. Gastar energia com a investigação do dedo-duro do Palestra – um tema que levou o sensato César Sampaio ao extremo de falar em entregar a candinha para torcedores violentos – é permanecer no nível dos sonhos.

Se as contas que interessam ainda não foram feitas, aqui estão: desde que o Campeonato Brasileiro é disputado por 20 clubes, o mínimo de pontos necessários para evitar o rebaixamento foi 42 (Atlético Goianiense, em 2010). A média do décimo-sexto colocado nos últimos seis anos é de 44 pontos. Tomemos esse número como o objetivo de quem quer permanecer na Série A. O Palmeiras tem 17 pontos ganhos e 51 para disputar. Precisa somar pelo menos 27 pontos até o final, supondo que a matemática do descenso acompanhará o que se viu desde 2006.

É um aproveitamento de 52%, quase o dobro do atual.



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