COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

PLANO PERFEITO

A reforma do Maracanã é apontada como uma das razões do desaparecimento do torcedor carioca. Além de gastar o dinheiro de impostos pagos pelos contribuintes (os que frequentam estádios e os que não), o bilionário rejuvenescimento do símbolo do futebol brasileiro mexeu com antigos costumes. E ajudou a transformar os estádios próximos em lugares cheios de espaços vazios.

Na Série A do Campeonato Brasileiro, não há nenhum clube do Rio de Janeiro – os números são de um levantamento do globoesporte.com – entre os dez primeiros em índice de ocupação, ou seja, a relação entre público pagante e capacidade oficial de venda de ingressos. O Vasco, com 35% de ocupação média, aparece em décimo-segundo lugar. É o clube carioca mais bem posicionado.

Ainda mais decepcionantes são as informações de média de público. Todos os quatro times do Rio têm médias melhores de presença de torcedores em jogos como visitantes. O Flamengo é o caso mais extremo: leva 9.114 pagantes quando joga em casa e 19.396 quando viaja.

Apontar as obras na sede da final da Copa de 2014 como únicas culpadas é – como bem diz o colega Eduardo Tironi – acreditar que o carioca gosta mais do Maracanã do que de futebol. Não pode ser verdade. Mas é fato que o abuso do Engenhão se reflete na miséria do gramado, que interfere no nível do jogo. Problemas de transporte, horário e segurança compõem o quadro que melhor explica a situação.

A ironia é que o Maracanã está fechado para se remodelar para o Mundial, quando o torcedor carioca também não o frequentará. Pelo menos não para ver a Seleção Brasileira. Como se sabe, o cardápio de sete jogos no principal palco da Copa do Mundo não reservou nenhuma aparição do Brasil. Os caminhos só se cruzarão se a Seleção chegar à final. Ênfase no se.

A inexplicável gafe cometida em outubro do ano passado, quando a tabela oficial da Copa foi divulgada, é uma jogada arriscada, ignorante, desrespeitosa. O Mundial pode começar e terminar sem que o Brasil se apresente em sua “casa”, a não ser – quer mais pressão? – que dispute a decisão. E em caso de derrota, teremos o Maracanazo 2.0. Fantástico.

Um email do departamento de comunicação da Fifa pousou nas caixas postais de jornalistas ao redor do mundo, ontem. O texto curto, desmentindo que a programação de jogos da Copa foi alterada de modo a incluir uma potencial partida de quartas de final do Brasil no Rio, revela o incômodo de Eduardo Paes. O prefeito carioca manifestou à Fifa e ao Comitê Organizador Local seu desejo de ver a Seleção jogar no Maracanã. “Como cidade que abrigará a final, o Rio de Janeiro receberá a Seleção caso esta se classifique para a decisão”, diz o comunicado.

Tudo é uma grande comédia. As obras de custo pornográfico, os impactos para quatro clubes e seus torcedores, a exclusão da Seleção Brasileira. A cereja no bolo é Jérôme Valcke dizer que sua infame frase sobre o “chute no traseiro” teve o efeito desejado. Teve mesmo.



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