CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

O JOGO DO REPLAY

Quem esteve no estádio Fernando Charub Farah, em Paranaguá, na noite de anteontem, viu um jogo de futebol histórico. O que aconteceu no empate entre Atlético Paranaense e Joinville (1 x 1), pelo Campeonato Brasileiro da Série B, precisa ter divulgação internacional.

O momento transcedental se deu aos 27 minutos do segundo tempo. O zagueiro atleticano Manoel errou um passe na defesa, interceptado por Lima. O atacante do Joinville estava claramente fora da grande área quando foi derrubado. Numa decisão que deve ter deixado muitos dos presentes boquiabertos (pela TV, o erro foi grotesco), o árbitro Francisco Nascimento marcou pênalti.

Seguiu-se a tradicional contestação. Os atleticanos estavam cobertos de razão, mas o juíz não lhes deu conversa. Minutos mais tarde, bola posicionada na marca penal, Lima estava pronto para fazer a cobrança que poderia dar o segundo gol ao Joinville. Eis que algo chamou a atenção do árbitro. Era um chamado da assistente Lilian da Silva Fernandes.

Lilian estava na linha de fundo, local onde devem ficar os assistentes nas cobranças de pênaltis. Sua posição indica confirmação da marcação de penalidade. Mas quase na hora da cobrança surgiu algo importante para tratar com o árbitro. O papo durou poucos segundos. Com a mão esquerda sobre a boca, Lilian falou mais do que ouviu. Encerrou a conferência com dois tapinhas nas costas do colega. O que se deu logo depois foi incrível, marcante, simbólico. Francisco Nascimento mudou de ideia e corrigiu a marcação, de pênalti para falta.

O quarteto de arbitragem estava usando o sistema de comunicação. Pelas imagens, parece evidente que uma informação chegou ao ouvido da assistente, que a repassou ao juíz. Digamos que o quarto árbitro, Adriano Milczvski, possua visão além do alcance e tenha visto de sua posição que a falta aconteceu fora da área. Por que esperou tanto tempo para avisar?

As atitudes dos envolvidos e a demora para a reversão da marcação sugerem a interferência de um agente externo. Ninguém admitirá, mas o apito eletrônico salvou o jogo em Paranaguá.

COPIOU?

Pensemos na possibilidade de alguém, que viu o lance pela televisão, ter informado o quarto árbitro que não foi pênalti. Eis um exemplo prático de como a tecnologia poderia auxiliar a arbitragem em situações como essa (dentro ou fora da área). Fosse feita de forma oficial, a intervenção teria sido mais rápida. Comunicação direta para o árbitro, equívoco corrigido, jogo preservado, torcedor respeitado. Básico e óbvio.

MOITA

Claro que o que aconteceu em Paranaguá jamais será admitido. Não é permitido pelas regras do jogo. Mas será necessária uma explicação criativa para negar a evidente interferência externa. Também não se espera que essa explicação apareça na súmula da partida. Mas é curioso que, dos dez jogos da vigésima rodada da Série B, só dois não tenham suas súmulas divulgadas no site da CBF (até ontem à noite). Atlético-PR x Joinville é um deles.

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ATUALIZAÇÃO: A súmula do jogo apareceu no site da CBF na manhã de ontem. Obviamente, nela não há referência ao caso do pênalti que virou falta.



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