CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

TRIPLO ERRO

Emerson Carvalho jamais imaginou que um gesto (a falta de um, na verdade) fosse tão poderoso. Seu erro no lance do segundo gol do Santos no domingo passado abriu a caixa de pandora do futebol brasileiro. Em questão de horas, parecia que nada mais havia acontecido na Vila Belmiro. E após as contestações do lado perdedor da vez e as provocações dos vencedores, o imediatismo das mídias anti-sociais nos propiciou debates sobre mergulhadores, simuladores e até, quem diria?, sobre ética. Era só o começo.

No dia seguinte, Carvalho conheceu seu veredito. Freezer. Afastamento, aconselhamento psicológico, reciclagem técnica. Como se fosse um agente de trânsito que autorizou a conversão proibida de uma ambulância e causou um acidente com múltiplas vítimas fatais. A chance de o período fora das escalas melhorar seu desempenho no futuro? Isso não importa agora. O que interessa é dar um nome ao erro crasso, um rosto à indignação momentânea.

Mas o presidente da CBF, como ele mesmo declarou, não ficou contente. Agiu ontem no exercício de suas prerrogativas e redesenhou o departamento responsável pelo apito. Nomes exonerados, transferidos, promovidos. Deve ser uma satisfação assinar uma circular pomposa e trabalhar pelos progressos da arbitragem no Brasil. Deve ser um alívio poder dizer que se fez o que era possível, ainda que o efeito seja nenhum. Um probleminha a menos.

Num mundo até distante do ideal, um árbitro assistente não poderia cometer o erro de Emerson Carvalho. Não com um ângulo de visão tão limpo no instante em que André cabeceou para o gol. Não quando dois momentos anteriores (questões de centímetros, que não devem ser usadas para condená-lo) já poderiam ter estimulado os reflexos de seu braço. Mas, como sabemos, coisas assim – e até mais graves – acontecem a cada rodada. Tratar o autor do erro da vez como um ser perturbado e promover a reengenharia da comissão de arbitragem são posturas, nada mais. Não atacam o problema e reforçam a sensação de que há falhas que não têm perdão.

O “lance do triplo impedimento” terá vida longa. Será lembrado a cada prejuízo ao Santos, a cada benefício ao Corinthians. Quanta bobagem. Se o replay tivesse poder, já teríamos mudado de assunto.

ACERTO

Se Adriano voltará a ser um jogador profissional de futebol, ninguém sabe. Por isso o clube que decidiu compartilhar o risco precisa limitar a perda. É impossível dizer se vale a pena acreditar, mas o Flamengo acerta ao fazer um contrato de pagamento por produtividade. Dessa forma, o retorno – se houver – vem antes do investimento. Adriano tem de merecer ser tratado como profissional, mas precisa ser tratado como pessoa.

ACERTO?

Em processos de negociação, nada é mais importante do que o prazo. Prazos estimulam ação. Exigências, ofertas e recusas marcam posições e compõem o cenário. Mas é o relógio que modifica o tom da conversa. O São Paulo quer contratar PH Ganso, o Santos aceita vender. A multa rescisória ficará mais barata em 2013, mas o comprador tem pressa. Ganso tem de jogar, mas não pode ultrapassar o limite de partidas para ser negociado.



MaisRecentes

Perversidades



Continue Lendo

Arturito



Continue Lendo

Terceirão



Continue Lendo