COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

ABRINDO A CAIXA

Imagine um clube em que cada jogador pode ver um vídeo com a análise específica de sua atuação, 24 horas após uma partida. Imagine que esse vídeo é produzido de forma a segmentar o desempenho do jogador, de acordo com os aspectos mais importantes de sua função. Por exemplo: um volante pode ver em que situações falhou na proteção aos zagueiros, quantos e que tipos de passes acertou e errou, em que região do campo fez mais desarmes, quantas vezes roubou uma bola que propiciou uma oportunidade de gol. Basta entrar numa sala do centro de treinamentos e se logar num computador.

Imagine um clube em que todos os jogadores titulares da defesa assistem, antes de cada rodada, a uma sessão de 15 minutos com imagens do jogo anterior. O objetivo é mostrar como todo o setor defensivo se comportou em cada uma de suas obrigações. Como fechou espaços quando o time perdeu a bola, como se relacionou com o meio de campo, quantas vezes permitiu jogadas de mano a mano.

Imagine um time em que um atleta machucado recebe um dvd com seus melhores momentos individuais, para estimular sua confiança durante o período de tratamento e recuperação.

Esse clube existe. É o Manchester City, atual campeão inglês. O City é vanguarda em coleta e interpretação de dados no futebol mundial. É um dos clubes que mais gastam dinheiro na área, com seu departamento de análise de desempenho composto por dez pessoas, quatro delas diretamente ligadas ao time profissional. O orçamento direcionado à descoberta de valor que escapa ao olho humano já orientou contratações e dispensas, já influenciou até na forma de atuar. Mas não revolucionou o uso de estatísticas no futebol da forma como os profissionais do clube imaginavam. O City decidiu contar o que sabe.

Nesta semana, a versão eletrônica do jornal britânico The Guardian apresentou um artigo (nele constam as informações publicadas nesta coluna, e muito mais) informando que o Manchester City resolveu dividir o que descobriu com a “comunidade do futebol”. Ontem, o site oficial do clube abriu uma porta para que qualquer pessoa tenha acesso a dados sobre todos os jogadores de todos os clubes em todos os jogos da Premier League na temporada passada.

A ideia é oferecer essa enorme quantidade de informações a pesquisadores, matemáticos, cientistas ou blogueiros, gente que não tem qualquer relação profissional com a indústria. E aguardar a explosão. A análise de dados no futebol avançou muito nos últimos anos, mas esteve sempre restrita aos clubes que investem no tema. Novas maneiras de avaliar jogadores podem estar dormentes justamente porque há pouca gente trabalhando nos números.

O Manchester City acredita que o Bill James (autor das descobertas que transformaram o beisebol nos EUA, inspiraram o livro “Moneyball” e o filme estrelado por Brad Pitt) do futebol está em algum lugar, esperando a matéria prima para conduzir o jogo a uma nova era, como aconteceu em outros esportes.

Os interessados só precisam visitar www.mcfc.co.uk/mcfcanalytics.



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