CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

ESTIAGEM

É desolador que ainda se insista na falácia do “país do futebol”. O fato de sermos um país monoesportivo no que diz respeito a interesse, investimento e divulgação não significa que sejamos referência. E se um dia fomos, foi por intermédio da Seleção Brasileira, não pela forma como (des)tratamos o futebol por aqui.

Há alguns lugares no mundo em que o futebol é uma indústria muito mais bem sucedida do que no Brasil. Lugares onde os estádios são melhores e recebem mais público. Onde os gramados parecem artificiais se comparados aos campos ridículos que impomos a nossos jogadores (o que tem achado, caro Seedorf?). Onde há mais paixão, mais consumo, mais nomes, mais jogo.

Se fôssemos escolher o país do futebol, hoje, seria a Inglaterra. Com a Alemanha na cola. Países em que não se verifica um dado que aparece em todas as pesquisas sobre popularidade de times no Brasil: a maior torcida é a de quem não liga.

O pior problema não é esse, pois sempre foi assim. A questão é que não merecemos nem mesmo a nomenclatura mais precisa para nos classificar como nação futebolística. Há tempos que deixamos de ser o “país do jogador de futebol”. Algo aconteceu com a água que bebemos, que nos fez produtores de jogadores acima da média como jamais se viu. A fonte secou.

Exercício: nomeie o último futebolista brasileiro que foi protagonista de um grande clube europeu. Difícil? Kaká, no Milan campeão da Europa e do Mundial de Clubes, em 2007. De lá para cá, fomos substituídos. Os argentinos formam atacantes melhores, a Espanha é a terra dos meiocampistas. Nós somos imbatíveis em arrogância.

O brilhantismo da cartolagem nacional agrava a situação. Não há projeto para gerenciar a crise de talento, e o resultado é uma Seleção média. Mas os pachecóides acham uma vergonha perder para o time Sub-23 do México, que se preparou melhor e não tem por que temer o Brasil.

Trocar o treinador é uma opção sempre à mão. Populismo que não encara o problema, apenas simula eficiência e desvia a atenção. De fato, seria até um alento pensar que com outro técnico, outros jogadores, outras ideias, haveria um salto de qualidade.

É uma fantasia quase tão infantil quanto achar que somos o país do futebol.

RG

O que mais preocupa em relação à Seleção Brasileira não é a falta de resultados. Após a Copa de 2010, falou-se na oportunidade de resgatar um jeito de jogar futebol que recuperasse nossa identidade. Vimos apenas tentativas. E vimos a atual comissão técnica abandoná-las nos momentos em que o resultado era necessário. É preciso considerar a pouca oferta de jogadores capazes de aplicar esse estilo. Não é apenas questão de filosofia.

PAÍS DO BASQUETE

Há quem diga que o Brasil poderia ser a NBA do futebol se tivesse organização. Pois nem a NBA vence apenas com talento. Enquanto acharam que ganhariam títulos juntando qualquer grupo de jogadores profissionais, os Estados Unidos levaram um susto em Sydney 2000, foram humilhados em casa no Mundial de 2002, perderam em Atenas 2004 e no Mundial de 2006. A recuperação que se iniciou em Pequim foi resultado de trabalho sério.



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