VIAGEM AO FUNDO DA QUADRA



Uma nota rápida que, por falta de tempo, não consegui publicar ontem:

Tive uma conversa interessante com (a primeira e única) Ana Moser, pouco depois da majestosa vitória da seleção brasileira feminina de vôlei sobre a Rússia.

Ana é comentarista dos canais Espn.

Voltar a momentos de um jogo, ouvindo as impressões de quem passou a vida dentro da quadra, é uma experiência fascinante e educativa.

Por mais que vejamos, que prestemos atenção em variados fatores, nunca observaremos as mesmas coisas. O cérebro de quem joga/jogou funciona de outro jeito.

O relato de Ana Moser sobre os sete match-points da partida de ontem (seis contra e apenas um, o decisivo, a favor do Brasil) é incrivelmente detalhado.

Enquanto Sheila chamava a atenção na quadra ao virar cinco pontos sem margem de erro, Ana percebia o técnico José Roberto Guimarães literalmente guiando o time na lateral.

Ela também entendeu o que aconteceu a partir do primeiro match-point russo (14-13) como o momento em que Sheila, Thaisa e Fabiana assumiram a responsabilidade de não permitir mais uma derrota para a Rússia.

Não por acaso, quase todos os pontos brasileiros foram marcados por elas (cinco com Sheila, um com Thaisa, um com Fabiana e um ace de Fernanda Garay).

O que Sheila fez foi assombroso. Cinco ataques que evitaram que o jogo acabasse, desempenho perfeito sob máxima pressão. Coragem, confiança e maturidade.

E não foi por acaso. Logo depois do erro de Fabiana que gerou o 13-14, Zé Roberto pediu tempo. Após algumas orientações, é possível ouvir Sheila gritando com as companheiras: “É nosso! É nosso!”

Era a primeira chance das russas para fechar o jogo. Sheila estava determinada a impedir outra edição de um pesadelo da seleção feminina contra o time que derrotou o Brasil nas Olimpíadas de Atenas e em duas finais de Mundiais.

Aquela derrota devastadora em 2004, finalmente, foi colocada para descansar.

Curioso como o esporte sempre oferece a oportunidade de um acerto de contas, sejam elas antigas ou recentes.

Fabiana, envolvida nos erros que levaram o Brasil de 13-10 a 13-14, foi quem fez o ponto final.

Espetáculo.

Obrigado, Ana.



MaisRecentes

Voltando a Berlim



Continue Lendo

Passo adiante



Continue Lendo

Futebol champanhe



Continue Lendo