MAGNANO, O PROFESSOR



Até que alguém confesse (o que obviamente não acontecerá), não se pode afirmar que a seleção espanhola de basquete perdeu de propósito para o Brasil ontem.

O que se pode fazer é afirmar que o último quarto do jogo foi estranho, do ponto de vista do nível de atuação dos vice-campeões olímpicos. Placar parcial de 31-16 para o Brasil no período, escandalosos 17-3 nos últimos 6 minutos.

Mais do que isso, a Espanha foi errática, apática, confusa e desatenta. Comportamento que não se notou em nenhum outro jogo deste torneio olímpico. Durante o quarto final, não se percebeu no jogo espanhol o sentido de urgência que é evidente quando uma equipe quer vencer.

Ao contrário, o Brasil jogou com a seriedade que se espera de todos os times. Ainda mais de uma seleção que ficou tanto tempo sem disputar os Jogos Olímpicos.

Ruben Magnano tinha um bônus para ordenar uma atuação cafajeste, pensando na derrota: o Brasil evitaria os Estados Unidos antes de uma possível final, e ele evitaria um encontro com seu país nas quartas de final.

Magnano mandou jogar e vencer, mais um exemplo das virtudes do treinador que orquestrou o renascimento da seleção brasileira masculina.

O basquete brasileiro recuperou sua auto-estima no Pré-Olímpico de Mar Del Plata, sua importância na estreia em Londres, e sua dignidade ao vencer a Espanha (antes que apareça algum troll dizendo “mas quando o Brasil entregou no vôlei você não criticou…, a crítica está aqui). Magano merece o crédito.

A Espanha optou por um caminho perigoso.

O grande risco de permitir que se suspeite de uma entrega é ver o tiro acertar o pé.

Imagine o estímulo que a seleção francesa ganhou nas últimas horas, ao ficar com a sensação de que foi o adversário “escolhido” pelos espanhóis.

E se a Espanha não passar pelas quartas, que imagem ficará de sua participação em Londres?

A classificação do Brasil em segundo lugar no grupo marcou um encontro com a Argentina. Jogo entre times de nível semelhante (os argentinos ganham em experiência, diga-se), repleto de rivalidade. Confronto equilibrado, ganhável.

A seleção brasileira, se fizer o jogo que tem de ser feito, pode vencer qualquer adversário nestes Jogos. Até os Estados Unidos.

Lembremos que os americanos mostraram alguma vulnerabilidade no jogo contra a Lituânia, vencido nos últimos minutos por uma extraordinária explosão ofensiva de LeBron James.

Mas os problemas apareceram tanto na defesa quanto no ataque. As bolas de 3 pontos (que caíram com impressionante facilidade na vitória sobre a Argentina) teimaram em errar o alvo, o que aumentou a dificuldade de jogar contra a defesa por zona dos lituanos. E os EUA não conseguiram defender sua cesta, principalmente quando o faltoso Tyson Chandler teve de ficar no banco. A Lituânia pegou mais rebotes.

O Brasil, com seus 3 jogadores altos da NBA, é uma das equipes que podem equilibrar um jogo eliminatório contra os Estados Unidos.

Mas antes é preciso vencer a Argentina. Se conseguir, um lugar entre os quatro melhores estará garantido. Resultado que seria estupendo, mesmo que não produza uma medalha.

Ser quarto lugar, com honra, é muito melhor do que ser vice-campeão com vergonha.



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