CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

MI MI MI

Hope Solo, você deve saber, é goleira da seleção americana de futebol. É também, por influência de seus famosos dotes estéticos, uma dessas “celebridades” fabricadas pela mídia do entretenimento. Até do “Dançando com as Estrelas” original ela já participou.

Talvez seja pedir demais que alguém com tantos afazeres – dentro e fora do esporte – tenha tempo ou interesse para tentar compreender como as coisas funcionam do lado de cá do balcão, onde nem tudo é glamour ou “nossa, que lindos olhos ela tem”. Se Solo tentasse, talvez tivesse se poupado de um momento embaraçoso nas Olimpíadas.

Depois do segundo jogo dos EUA no torneio, Solo tomou conhecimento de críticas feitas a uma companheira, Rachel Buehler, jogadora de defesa. Resolveu ir ao Twitter e expressar seu descontentamento.

“É uma pena que não tenhamos comentaristas que representem melhor o time”, reclamou a goleira. “Não fale sobre defesa enquanto não se informar melhor”, “você deveria ajudar a desenvolver o esporte”, acrescentou.

Seriam apenas comentários tolos se o alvo não fosse Brandi Chastain. Talvez você não saiba quem é Chastain, comentarista da rede de televisão americana NBC. Ela é a autora do gol de pênalti que deu aos EUA o título da Copa do Mundo de 1999. Se a questão é “desenvolver o esporte”, será difícil encontrar um momento melhor.

Solo evidentemente sabe disso, o que aumenta seu constrangimeno. Também sabe que Chastain tem conhecimento para opinar sobre qualquer aspecto do jogo. Mas não faz a menor ideia do que consiste o trabalho de comentarista. Não há como crer que ela pense que ignorar o que está errado contribua de alguma forma. O efeito é oposto.

Atritos desse tipo são comuns. Especialmente entre atletas e ex-atletas pagos para analisar. Têm origem na incapacidade de muitos esportistas de conviver com qualquer coisa que não seja o elogio, a bajulação. E com analistas, ex-atletas ou não, que agem como animadoras de torcida. Críticas são recebidas como ataques à honra. O cenário aqui no Brasil é o mesmo, por causa dos mesmos problemas.

O pior de tudo a respeito do chilique de Solo foi o que Chastain disse na tv: “Rachel Buehler precisa melhorar neste torneio”.

CHEGANDO

A Seleção Brasileira masculina de futebol fez o que dela se esperava e se classificou em primeiro lugar na fase de grupos das Olimpíadas. Honduras, com todo o respeito, não deve ser um obstáculo no trajeto para as semifinais. E como Espanha e Uruguai já estão em casa, Grã-Bretanha e México aparecem como os problemas em potencial. O futebol parece meio deslocado no mundo de medalhas e recordes, mas a Seleção está no rumo certo.

O MAIOR

O melhor retrato de um campeão é aquele que o mostra na derrota. A compostura de Michael Phelps após perder os 200 metros borboleta foi tão significativa quanto suas conquistas. O maior atleta olímpico de todos os tempos sorriu no pódio e respeitou o momento do sul-africano Chad Le Clos. Depois, conduziu o vencedor pelo desfile dos campeões, caminho que ele já percorreu dezenove vezes. Exibição de classe de um nadador único.



  • Leandro Azevedo

    A imagem da Chastain tirando a camisa e comemorando o penalti é uma das imagens mais reconhecidas no esporte americano dos últimos tempos.

    Hope Solo tem um histórico bastante ruim para sair criticando e tentar ser um exemplo para o esporte – foi mandada embora da seleção por uma decisão das companheiras após o incidente em que criticou o treinador por ter escalado Briana Scurry e não ela na copa do mundo de 2007.

  • Phelps sairá dessa Olimpíada com pelo menos mais dois ouros (100 borboleta e 4X100 medley), ou seja, em seu pior desempenho em uma Olimpíada ele terá conquistado duas pratas e quatro ouros! Fechará seu ciclo com 22 medalhas! Sensacional!

    Você acredita que algum atleta igualará essa marca um dia, André?

  • Joao CWB

    Será que só eu que não vejo nada de mais nessa Hope Solo? De bonito, só seus olhos.

    Há jogadoras mais bonitas na seleção americana.

    Abraço

  • Anna

    Não tinha cravado o ouro no futebol masculino de antemão, mas agora acho que possa vir, sim… Phelps é lenda! E a Hope Solo não é tudo isso que os homens comentam e deveria ter ficado calada, ao invés de falar besteira… Falou outras também a respeito da Vila Olímpica totalmente desnecessárias que diziam respeito só a ela, ou seja, queria aparecer, pelo visto…

  • Emerson

    Incluiria Senegal como principal adversário dentro das quatro linhas. Fora delas, um obstáculo até maior seria uma possível acomodação e quiçá, arrogância nas próximas partidas, não se pode achar que estamos batendo em bêbado. O Brasil é muito melhor que a concorrência, jogando próximo do que se espera, o time de Mano superaria até um combinado com os melhores das outras seleções. Com seriedade o ouro é questão de tempo.

  • Joao Henrique Levada

    Já o critiquei e o elogiei algumas vezes.

    Acho que mais elogios que críticas. Enfim.

    Deixo aqui registrado que hoje estou cheio de postagens em blogues esportivos pra ler. Textos interessantes. Mas o cansaço da semana pesada de trabalho não me permitiu a concentração necessária. É desperdício de conteúdo, ler, sendo obrigação. Então os reservei pra leitura posterior.

    Muito curioso notar, contudo, que os seus dois últimos artigos tiveram bom efeito de relaxamento, como se um amigo estivesse conversando sobre olimpíadas comigo.

    E pensar que fiquei um tempão sem lhe visitar. Por besteira.

    Obrigado pelo alento.

    AK: Quem agradece sou eu. Um abraço.

  • Amo futebol. Sou completamente aficionado pelo esporte. Mas de quatro em quatro anos perco o interesse. Nas olimpíadas, o futebol é dos menos importantes.

    Tanto é que na busca incessante por ingressos, os que sobraram foram os de futebol.

    Tanto é que o próprio site das olimpíadas (london2012) admitiu logo no início das competições, quando a polêmica dos assentos vazios veio à tona (investigado pela BBC), que mais de 200 mil ingressos para o futebol ainda estavam disponíveis. O que, ao meu ver, é muita coisa, mesmo considerando a quantidade de assentos nos estádios.

    Além do que, nas conversas sobre Olimpíadas nos pubs aqui de London, raramente o futebol é objeto de discussão.

    Sinceramente, acho justo. Ele já será novamente o protagonista nos próximos três anos e 345 dias…

  • Marcos Vinícius

    Quando,na decisão da medalha de ouro do Pan do Rio,em 2007,o Brasil aplicou uma senhora goleada nas americanas,Hope Solo,que não participou daquela competição,alguns dias depois disse que “se estivesse em campo o placar seria diferente”. Engraçado ninguém lembrar e comentar sobre esse fato.

    Independente da marra dessa moça,não vejo nenhuma mulher mais bonita que ela participando de competições esportivas atualmente.

  • José A. Matelli

    André, por outro lado, você há de concordar que há comentários e comentários. Para dar nome aos bois, alguns comentários do Galvão são embaraçosos ou mesmo absurdos, como aquela clássica de que a bola em campo molhado ganha velocidade.

    AK: 1 – Estamos falando de outra coisa. 2 – Não sei quando, e em que condições, ele falou isso. Mas é um fato que a bola ganha velocidade em gramados molhados. É exclusivamente por isso que se molha o campo. Um abraço.

  • Roger

    MI MI MI muito pior é o que os comentaristas fazem quando são criticados, quando algum atleta é rispido ou não quer dar entrevista. Vocês choram por cada besteira e tirando um ou outro ex-atleta/ex-jogador, não sabem de nada mesmo do que falam.

    AK: Vejam o nível de algumas figuras que aparecem por aqui…

  • Roger

    Acredito que a bola perca menos velocidade com o gramado molhado e quica diferente. Agora ganhar seria contra as leis da fisica.

    AK: Vejam que figura qualificada.

  • José A. Matelli

    André, acabei me expressando mal. Apenas quis dizer que existem sim críticas de péssima qualidade, que acabam legitimando eventuais retaliações do criticado. Mas concordo que não foi o caso deste episódio. Quanto ao Galvão, ele costuma dizer que em gramado molhado, a bola, ao quicar na frente do goleiro, ganha velocidade. Do ponto de vista físico, isto é um evidente absurdo. O que ocorre é que a bola perde menos velocidade do que perderia se o campo estivesse seco, pois a água age como um lubrificante. Portanto, o artifício de se molhar o campo é para a bola perder menos velocidade, não para ganhá-la. Para o leigo, a sensação é de que a bola ganha velocidade. Você, sendo um cara das humanas, pode até achar que estou sendo semanticamente preciosista, mas para o pessoal das exatas a distinção é clara. Um abraço.

    AK: É evidente que existe distinção. Mas se molha o campo para a bola ficar “mais rápida”, é uma maneira usual de mencionar a diferença entre o gramado seco e o molhado. Quanto a críticas irresponsáveis, claro que elas existem. Um abraço.

  • Roger

    AK, o Milton Leite quando ainda estava na ESPN narrando um jogo europeu, mandou essa de que a bola ganha velocidade com o campo molhado. Um fisico mandou um e-mail o corrigindo e ele leu no ar o e-mail do cara, reclamando pra caramba que “o pessoal pega muito no pé e critica tudo que o jornalista faz”…

    Ele, pela resposta, deu pra perceber que falou não apenas por um jeito de falar e ficou “P” da vida por ter sido corrigido, sendo que o e-mail não foi ofensivo nem nada.

    Isso que eu acho hipocresia. Vocês (jornalistas) recebem criticas muito pior que os atletas e ainda apelam pra uma suposta tentativa de censura, mas só vejo reclamação de jornalistas por coisas bobas como uma grosseiria ou um comentario no tuwitter…Se unem num sindicato…

    Mas quando o bicho pega mesmo e a reais tentativas de censura não vejo jornalista nenhum metendo a boca…

    Aliasi, vou ser justo…Seu pai foi o único que deu a real em um linha de passe sobre uma jornalista, acho que da folha, que estava sofrendo represalias, salvo engano a gang que ela estava denunciando estava entrando com processos contra ela em varios estados diferentes e tal…Foi algo assim…Achei bem corajoso, mas foi a unica vez que vi uma reclamação sobre algo relevante

    Portanto, o que critico, é que vcs só se indignam assim com coisas bobas…Um jogador responde atravessado um reporter e todos os outros, de emissoras que até nem falam o nome da outra, metem o pau no atleta que por vezes estava de cabeça quente e levou uma pergunta cinica.

    A comentarista deu a opinião dela, a jogadora deu a opinião dela também…Nenhum dos dois gosta de criticas, ninguem gosta.

    AK: A comentarista deu a opinião dela, que é sua obrigação, de forma justa e respeitosa. A jogadora deu a opinião dela, um direito, mas o fez de maneira grosseira e ignorante, mostrando que desconhece a função que criticou. Eu dei a minha opinião, com a qual ninguém precisa concordar. E você deu a sua opinião, misturando aspectos que fogem à discussão. Um abraço.

  • Marcos Nowosad

    A reciproca e’ tambem, infelizmente, verdadeira. Existem profissionais da midia que nao aceitam ser criticados, devemos reconhecer. De tanto serem estilingue, nao aceitam o papel de vidraca. Principalmente na era da Internet, quando existem mais canais para o publico comunicar sua insatisfacao com a postura do profissional.

    Mas nao e’ o caso da Brandi Chastain, boa profissional de midia, como era boa jogadora. A Hope Solo pisou na bola nesse caso.

  • Rodrigo – CPQ

    Por que a maioria leva tudo ao pé da letra? Qualquer jogo que vejo, em qualquer canal, falam que com o gramado molhado e a bola quicando em frente ao goleiro, a bola ganha velocidade. Mas lógico que tem que malhar o Galvão, porque é legal malhar o Galvão. Desde falar da grama molhada até falar da “reta curva de Mônaco” (ainda duvido que alguém não entenda o que ele quer dizer com isso). Dizer que a bola ganha velocidade é apenas modo de dizer o óbvio, que a bola desliza mais rápido na grama molhada do que na grama seca.

  • Marco Antonio

    Grande André:
    nada a ver com o post, mas, por favor, escreva algo sobre a linda vitória do Murray sobre o Federer;
    abs,

  • RENATO

    Bom, não lembrava bem quem era essa goleira americana…fui conferir as fotos no google…
    ELA PODE!!!
    Abraço.

  • Nilton

    Pedro Valadares, se Phelps fosse uma nação estaria em 10º.
    Tambem adoraria ver o Brasil fechar um ciclo Olimpico com 22 medalas.

  • Rafael Wuthrich

    Federer fez a mesma coisa que Phelps ontem, ao perder a medalha de ouro. Que exemplo não acha?

    AK: Sim, mas já o vimos agir assim antes. Um abraço.

  • Roger

    Vendo a briga entra o Galvão e o RMP da pra perceber o quanto os jornalistas são superiores e sabem lidar com as criticas. Ainda bem que na ESPN Brasil é diferente.

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