O MELHOR ENTRE OS MELHORES



Michael Phelps tem mais medalhas de ouro olímpicas (15) do que 170 países reconhecidos pelo COI.

E só 5 países (Estados Unidos, Austrália, Hungria, Japão e Holanda) ganharam mais ouros na natação do que Phelps.

Números tão chocantes que banalizam o que é ser campeão olímpico, o ápice da carreira de um nadador.

Fomos testemunhas dessa banalização nos últimos dias. Phelps demorou quatro sessões na piscina londrina para, enfim, conquistar sua primeira medalha de ouro nos Jogos de 2012.

De sábado até ontem, quando fechou em primeiro lugar o revezamento 4 x 200m livre, ele ficou fora do pódio nos 400m medley, e foi prata no 4 x 100m livre e nos 200m borboleta. Na última, a “derrota” para o sulafricano Chad Le Clos foi o tipo de resultado capaz de devastar um atleta.

Se nos 400m medley Phelps foi amplamente superado por nadadores mais bem preparados, nos 200m borboleta ele venceu, mas não ganhou.

Liderou a prova até, e inclusive, a última braçada. Uma fotografia do derradeiro metro da piscina o mostra claramente à frente de Le Clos. Mas um erro técnico na chegada, em que esticou os braços e “esperou” o toque no bloco, o transformou em segundo colocado.

Por 5 centésimos de segundo.

Deve ter sido difícil acreditar no placar eletrônico. Por mais de 12 anos, nas competições mais importantes, o nome ao lado do número 1 nos 200m borboleta sempre foi o mesmo: Phelps, Michael.

Na raia ao lado, Le Clos não acreditava no que havia feito. Vitória por uma fração de tempo que seres humanos não conseguem calcular.

Um sentimento que Phelps conhece. Há quatro anos, no Cubo de Água de Pequim, ele roubou a vitória nos 100m borboleta do sérvio Milorad Cavic, de forma semelhante.

A diferença é que Phelps ganhou por 1 inacreditável centésimo, mantendo vivo seu plano de conquistar 8 medalhas de ouro.

Oito em Pequim, seis em Atenas… e nenhuma em Londres, até aquele momento. A medalha que igualou o recorde de Larisa Latynina foi uma prata, algo que Phelps nos fez entender como um desempenho não suficiente.

Algo que o próprio Phelps demorou alguns minutos para entender. Foi quando apareceu o imenso campeão que é. Após cumprimentar Le Clos (que decidiu ser nadador ao ver Phelps vencer em Atenas), ele caiu na piscina de aquecimento para digerir o fato de ter sido vencido. Durante e depois da cerimônia de premiação, deu uma exibição de classe que significa tanto quanto seus triunfos.

Sorriu no pódio, mostrou a prata com orgulho contido, não fez nada que pudesse desviar a atenção do sulafricano que ali saboreava um momento sublime. E conduziu Le Clos no desfile dos vencedores, caminho que nenhum outro nadador percorreu tantas vezes.

Meia hora depois, Phelps estava de volta, ao lado de três companheiros, para a prova que o consagrou como o maior atleta olímpico de todos os tempos. Ele fecharia o revezamento 4 x 200m livre, perseguindo a décima-nona medalha.

Pediu aos que nadariam antes dele que lhe entregassem uma larga vantagem. Quando caiu na água, os EUA lideravam a prova por cerca de 3 segundos. Uma piscina, duas, três, e Phelps manteve a posição. Nos 25 metros finais, conforme declarou em entrevista, ele se permitiu um momento raro: sorriu em meio ao esforço da mais exigente das competições. E desfrutou das últimas, históricas, braçadas.

O esporte é tão maravilhosamente cruel que nos proporciona contradições. A idade que já chegou, os interesses que o distanciam da piscina, a preparação que ficou longe da ideal fazem com que Phelps possivelmente não seja o melhor nadador destes Jogos.

Mas estes são os Jogos que o coroaram como o maior nadador que já existiu.

E seu feito, por mais assustador que já seja, pode estar incompleto. Há mais a buscar em Londres.

O voraz conquistador de medalhas ainda não está satisfeito.



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