COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

GLUTÕES

Um terço do Campeonato Brasileiro já está nos livros, e há casos graves de sobrepeso na chamada zona da Libertadores. Índices que deixariam qualquer endocrinologista com os cabelos em pé, considerando seriamente a internação de quatro pacientes: Atlético Mineiro, Vasco, Fluminense e Grêmio.

Os quatro primeiros colocados na tabela estão em descarado regime de engorda. A voracidade faria aquele sujeito que viveu só de comida rápida por um mês comer ainda mais, por depressão causada pela inveja. Ou aquele amigo seu que termina as refeições com a camisa molhada de suor parecer um esotérico que se alimenta de energia. É muita gordura.

Todos eles navegam bem acima da curva de índice de massa corporal. Líder e vice, os mais gulosos, já entraram no território da obesidade. Até mesmo o Grêmio, o “pior” dos quatro, pisa na balança e assusta a todos com seus 67% de aproveitamento até o momento. Cinco pontos percentuais acima do desempenho final dos campeões brasileiros de 2011 e 2010. Atenção: estamos falando do quarto colocado do atual campeonato.

O Fluminense, um pouquinho mais pesado, crava 69% de pontos conquistados. A marca o mantém em terceiro lugar, mas é terrivelmente injusta em comparação com o histórico do campeonato desde 2006, primeiro ano em que o formato com 20 clubes foi adotado. Prepare-se para o peso da informação: o melhor campeão brasileiro de lá para cá foi o São Paulo, no primeiro ano do tri, com aproveitamento geral de 68,4%.

O Vasco já é aquele troglodita capaz de levar rodízios de pizza à falência (conheço alguém que deglutiu 36 pedaços, na fase pré-cirurgia de estômago), o cara que se senta à mesa e faz a cadeira desaparecer. Tem consumido uma quantidade de calorias muito superior ao que se considera alarmante. Um exercício: ao programar o campeonato, técnicos de bons times entendem como ideal ganhar 62% dos pontos disponíveis em cada jogo. Obviamente, não é possível fazê-lo em uma só rodada, mas em duas. Com quatro pontos a cada dois jogos, o percentual é atingido com alguma sobra. O Vasco tem feito mais, ao abocanhar quase cinco pontos a cada seis que disputa, 81% do cardápio. Insano.

E mesmo assim, o Atlético Mineiro é o comensal que exige mais dos garçons. O que entra na churrascaria distribuindo relaxante muscular para os cortadores de picanha. O time de Cuca inverteu a lógica dos exames. Nele, só é possível medir a taxa de sangue no colesterol. Com desempenho de 86%, o Atlético só não ganhou cinco pontos (uma derrota e um empate) até agora. E se não parece possível manter esse ritmo, eis o que deve aterrorizar a concorrência: se o líder somar apenas metade dos pontos que faltam, terminará o campeonato com 70. Nos últimos dois anos, Corinthians e Fluminense foram campeões com 71.

Sim, o resultado final não depende só do desempenho de um único time. E sim, ainda estamos degustando os aperitivos do grande banquete que se estenderá até dezembro. Mas os canapés já acabaram. Os donos da festa temem pelo pior.



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