CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

CONTA DO CHÁ

A um dia da estreia, Mano Menezes recebeu um olímpico voto de confiança de seu chefe. Ocupado com as funções de agente de viagens de dirigentes de federações, José Maria Marin não poderia ter sido mais estimulante em sua declaração oficial de boa sorte ao técnico: “Não posso ficar trabalhando com ‘se’. Não dá para dizer nada agora, porque não vou trabalhar sobre hipóteses. Não dá nem para dizer que vou estar vivo no final das Olimpíadas”, disse ontem o presidente da CBF, questionado a respeito da permanência de Mano na Seleção Brasileira.

Só há duas traduções possíveis para a pérola de Marin. A primeira é a que a Seleção joga pelo emprego de seu técnico nas Olimpíadas. A segunda é que o cartola realmente não sabe o que acontecerá com MM se o desempenho em Londres não for satisfatório. A dúvida não deveria estar no ar, porque Marin não deveria ter dito o que disse. Seu trabalho é garantir que a Seleção Brasileira terá tudo o que precisa para ser bem sucedida, e isso inclui a tranquilidade por não trabalhar sob nuvens carregadas (mesmo numa região do mundo onde elas são eternas).

O presidente da CBF parece mais preocupado com o bem estar da excursão que levou aos Jogos Olímpicos. São onze presidentes de federações, com acompanhantes, claro. Todos hospedados no mesmo hotel da Seleção em St. Albans, por conta da Confederação. Marin ressaltou que convidou todos os presidentes, não só os que nele votaram, como se isso fosse sinal de magnanimidade e não do mesmo tipo de fisiologismo que se pratica nas gestões do futebol. A CBF acarinha as federações, que acarinham os dirigentes de clubes, que acarinham seus diretores, que acarinham seus parceiros, e assim vamos indo enquanto há poder a ser mantido, por menor que seja o feudo. Mas Marin não vê nada de anormal, pois afinal os convidados para o giro pelo Reino Unido são pessoas ligadas ao futebol. “Estranho seria se trouxesse alguém do balé”, disse ele, em notável exercício de coerência.

Enquanto rifa o treinador na véspera do primeiro jogo, Marin externa sua satisfação com o que vê. “Agora temos um time, uma escalação”, declarou. A questão é saber se ele se refere à Seleção Brasileira ou às posições dos onze cartolas, para a pelada após o chá das cinco.

CEGOS

É ridículo que Danilo não tenha esteja na seleção da Copa Libertadores. Ele provavelmente não liga para essas coisas, mas o fato de a eleição ter ignorado suas atuações revela desleixo, falta de atenção. Danilo foi o autor do 1 x 0 em partidas difíceis, do 1 x 1 que interessava contra o Santos, do passe para o primeiro gol na final. Discretamente decisivo, talvez fosse escolhido se pintasse o cabelo. Como se isso tivesse importância.

VISIONÁRIOS

Os problemas do Flamengo, clube em que jogadores se machucam ao pisar em buracos no campo de treinamento, estão muito longe do alcance de qualquer treinador. O caos diretivo é poderoso. A novidade, veja só, é que o comando do clube encomendou “estudos” para uma futura reformulação da gestão. Mas tais estudos só serão submetidos à apreciação da presidenta Patrícia Amorim quando ela retornar de Londres. É só esperar.



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