O BASQUETE EM LONDRES



O torneio olímpico masculino de basquete tem potencial para ser épico em Londres.

E o Brasil, dezesseis anos depois de Atlanta, pode estar envolvido nos melhores momentos.

A Seleção Brasileira tem um técnico digno do Hall da Fama, um armador talentoso, experiência e tamanho para fazer estragos. Se jogar seu melhor, e tiver um pouquinho de sorte, brigará por uma medalha.

A polêmica sem sentido sobre a convocação ou não dos jogadores que optaram por não atuar pela seleção no passado está, felizmente, enterrada. A atuação do Brasil no amistoso recente contra os Estados Unidos comprovou que Ruben Magnano acertou ao chamar os melhores.

O que vemos hoje é uma seleção que tem um plano. Talvez lhe falte material humano para uma rotação que possa sustentar o nível de jogo dos titulares, mas não há o que fazer quanto a isso.

Após a longa ausência em Olimpíadas, Londres pode proporcionar o ressurgimento da seleção brasileira masculina.

Mas este post não é sobre o Brasil. É sobre o time que certamente estará no centro do debate a respeito do torneio, seja qual for o resultado: os Estados Unidos.

Melhor time do mundo e favorito ao ouro, sem dúvida. Mas estamos diante de um quadro em que o resto do planeta deve se conformar em luta pela prata?

De forma nenhuma.

Os americanos chegarão às Olimpíadas com um problema de tamanho que já era considerável na convocação original, e que ficou evidente após as lesões de Dwight Howard, Chris Bosh e Blake Griffin.

A questão do tamanho gera um dilema tático que pode ser decisivo em Londres, quando os Estados Unidos encontrarem adversários mais capazes.

Há alguns dias, o técnico Mike Krzyzewski declarou que seu time terá sete “titulares” nas Olimpíadas: Tyson Chandler, Carmelo Anthony ou Kevin Durant, Lebron James, Kobe Bryant e Chris Paul ou Deron Williams.

Com qualquer quinteto que Krzyzewski escolher, até mesmo envolvendo jogadores não citados acima, a seleção americana deve passar pela fase de grupos atropelando a maioria dos seus oponentes.

Entre todos os times de elite, os EUA talvez sejam o que tem o menor número de movimentos ofensivos. O jogo de defesa extremamente agressiva e transição é seu DNA. Expediente que funcionará sem defeitos durante a classificação.

Mas quando os jogos eliminatórios chegarem, times mais fortes devem apresentar maiores dificuldades. Se essas equipes conseguirem diminuir o ritmo do jogo e conter os americanos na defesa, terão chance de explorar algumas vulnerabilidades no chamado jogo de meia quadra.

Nesta situação, há certamente duas seleções (Espanha e Argentina), talvez mais (Rússia? Brasil?), que têm ataques competentes o suficiente para derrotar os Estados Unidos.

Tudo dependerá do desempenho dos jogadores grandes. Se serão capazes de aproveitar a diferença de tamanho em relação a seus marcadores americanos.

O encontro desta terça entre Espanha e EUA (os americanos venceram por 100 a 78) poderia ter mostrado algo, se os espanhóis não tivessem claramente escondido o que pretendem. Marc Gasol não jogou, e Pau Gasol e Serge Ibaka ficaram juntos em quadra por muito menos tempo do que veremos daqui a alguns dias.

O amistoso também mostrou que LeBron James é capaz de defender oponentes maiores do que ele (PGasol, no caso) com extrema eficiência, o que reforça seu status de peça fundamental no time. Mas, à exceção de James, quem mais pode fazer isso?

Aí é que está.

O jogo em Barcelona foi “resolvido” por um jogador que, em tese, pode. Carmelo Anthony, que parece ter perdido o lugar para Kevin Durant, saiu do banco para ser o cestinha da noite (27).

Anthony é um dos jogadores que representam a maior dor de cabeça para os adversários da seleção americana. Ele, James e Kevin Love podem atuar como pivôs e são excelentes arremessadores de longa distância. Marcá-los longe da cesta é um drama para pivôs internacionais.

Krzyzewski adoraria ter certeza de que seu time chutará sempre tão bem quanto o fez em Barcelona, mas evidentemente sabe que essa é uma aposta que não pode ser feita.

O que nos leva de volta ao dilema tático mencionado no início.

Contra times grandes, em tamanho, e no jogo de meia quadra, os EUA terão de “aumentar” sua presença na quadra. Para isso, Kevin Love/Andre Iguodala devem se juntar a Chandler na rotação dos pivôs. E quem sai?

Sei que parece loucura, mas vamos por eliminação: James? Esqueça. A combinação que ele oferece, ainda mais para um time que precisa inchar, é crucial.

Durant? Seria suicídio. Ele é o melhor e mais confiável pontuador do time, virtualmente imarcável.

Paul/Willams? Alguém precisa levar a bola…

Sim, amigos, quem sobra é ninguém menos do que Kobe Bryant. Ele poderia sair do banco, junto com Anthony, para limitadas porém importantes missões ofensivas nos jogos que realmente interessam.

É pouco provável que Krzyzewski faça esse movimento. Afinal, trata-se de deixar KOBE BRYANT no banco. Mas muitos jogadores em situações semelhantes já tomaram a iniciativa e facilitaram o trabalho de seus técnicos ao se oferecer para um papel, digamos, menos glamuroso.

Foi o que Dwyane Wade fez em Pequim 2008. Kobe estava lá.



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