COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

PEQUENO NOTÁVEL

Ronaldinho Gaúcho não marcava um gol – com bola rolando – havia mais de cinco meses. Pôs fim ao incômodo bem a seu estilo. Lançado pelo lado esquerdo do ataque, entrou na área, balançou diante de seu marcador e bateu de pé direito. Ele não teve de aguardar o desfecho do lance para iniciar a comemoração, já corria para o canto do campo antes da rede balançar. Flashes do velho Ronaldinho são imagens recuperadas de seus melhores momentos. As mesmas rotas mal intencionadas, os mesmos dribles secos, os mesmos chutes venenosos, o mesmo sorriso infantil. O segundo gol do Atlético Mineiro contra o Sport aconteceu na Ilha do Retiro, mas ficaria bem no Camp Nou.

O início da fase mineira da carreira de Ronaldinho tem sido como se imaginou que seria a carioca. Distante do jogador espetacular que vimos pela televisão, mas também distante de uma clamorosa decepção. Lampejos, fagulhas, segundos de brilhantismo que podem até satisfazê-lo, mas deixam inevitável gosto agridoce. E se é mesmo verdade que já ajuda quem não atrapalha, os elogios a seu comportamento saltam os muros da Cidade do Galo e explicam, em parte, o início de Campeonato Brasileiro que faz o atleticano sonhar.

Necessário dizer que o papel de Ronaldinho é mais simples, hoje. Chegou ao Atlético com tão pouca expectativa que o único caminho possível era para cima. Beneficiou-se da mudança de ares. Encontrou um time que provavelmente habitaria a parte nobre da tabela mesmo sem ele. E tem o privilégio de jogar ao lado de um garoto que é uma das principais forças que mantém o Galo em primeiro lugar. Seu nome é Bernard.

Se a virada sobre o Sport pode ser qualificada como um trailer do que Bernard é capaz de fazer, seu futuro está garantido. Se o gol de Ronaldinho foi belo, o de Bernard foi mais. E se um gol, mesmo que seja precioso, pode ser pouco para um jogo inteiro, Bernard ajudou a fazer os outros três. Suas impressões digitais estão espalhadas pelo placar de 4 x 1, que não deixou dúvidas.

A jogada do empate nasceu de uma arrancada pelo lado esquerdo e de um passe esperto para Ronaldinho. Também saiu do pé direito de Bernard o lançamento para o gol da virada, descrito acima. O terceiro, de Jô, Bernard criou à custa da humilhação de seu marcador, e exibindo recursos técnicos ao usar o pé esquerdo para cruzar. O quarto precisa ser visto para ser apreciado da maneira correta.

Bernard foi generoso com Danilinho, servindo-o na área. A jogada não frutificou, mas, por caminhos tortos, voltou a quem a iniciou. Quase em cima da linha da grande área, à direita da meia lua, Bernard ajeitou a bola. Checou o goleiro apenas para ter certeza de sua posição adiantada. O toque por cobertura foi um desses que criam gols por antecipação. Quem vibra, e quem lamenta, o faz sem precisar ver o resto.

Bernard tem só 19 anos e engana pelo tamanho. Parece carregar muito mais talento do que cabe em 1,62m. Os dois chapéus contra o Grêmio e a atuação completa de sábado sugerem que as críticas do ano passado não se repetirão. Ele é o nome deste início de Brasileirão.



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