COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

MEIO DO CAMINHO

Quando assumiu a Seleção Brasileira, há quase dois anos, Mano Menezes sabia que um período de 17 dias entre julho e agosto de 2012 seria crucial no caminho até a Copa do Mundo. Esse é o real significado do torneio olímpico de futebol para o Brasil. Um ponto de controle, um momento de avaliação e, por que não?, de comemoração.

Não é novidade. As Olimpíadas, em que pese a medalha de ouro que até hoje iludiu a Seleção, não têm brilho próprio. O futebol não lhes dá a mesma importância de outros esportes. O futebol brasileiro, menos ainda. Não há como olhar para Neymar e ver um atleta olímpico. As seleções que a CBF manda aos Jogos não convivem com outras delegações, não usam as mesmas roupas, não compartilham do mesmo espírito. Preparam-se e disputam o torneio da mesma forma que fariam se o nome fosse outro. E tratam dos próprios assuntos como se não estivessem envolvidas em algo mais amplo. As Olimpíadas são um meio, não o fim.

Mas podem ser o fim para o técnico. Em 2008, nomes de outros treinadores circulavam abertamente em conversas entre funcionários da CBF, por causa de desgastes internos com Dunga. Antes do jogo que valeu a medalha de bronze, contra a Bélgica, a substituição do técnico a dois anos da Copa da África do Sul era tratada como algo provável. Dunga sobreviveu.

Mano tem o mesmo plano. Quer ser o técnico da Seleção no Mundial em casa e sabe que o desempenho do time nas Olimpíadas de Londres terá influência em seu futuro. A decisão de comandar pessoalmente o time olímpico, tomada desde que chegou ao cargo, mostra confiança. Uma eventual medalha de ouro é um capital que garantiria a continuidade do trabalho até a Copa. É provável que um desempenho que mereça elogios, mesmo que não resulte na conquista inédita, faça o mesmo papel.

Considerando o risco que sempre acompanha qualquer previsão no futebol, é razoável dizer que o Brasil está entre os quatro países que devem disputar as medalhas. Espanha, México e Uruguai são os outros. O que vimos nos amistosos recentes, e na vitória de ontem sobre a Grã-Bretanha, foi um time que sabe o que pretende em campo. O que lhe falta é a maturidade que talvez seja exagero cobrar de uma equipe nova em todos os sentidos.

Tem sido interessante ver os jogadores falando sobre o desejo de ganhar o ouro olímpico, um título que não necessariamente faz parte dos sonhos de futebolistas brasileiros. As declarações soam um tom acima das obrigatórias “faremos de tudo…”. A frase de Mano, “ninguém vai querer mais do que o Brasil”, também revela um ambiente de maior comprometimento do que em outras ocasiões.

O torneio olímpico é parte da preparação da Seleção Brasileira para a Copa de 2014. A base do time que disputará o Mundial está na Inglaterra, diferentemente de outras campanhas olímpicas. A noção de que a manutenção do trabalho – e no caso de muitos jogadores, a própria manutenção no grupo – passa pelo sucesso em Londres 2012 pode ser exatamente o que faltou aos times que falharam.



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