COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

FICAM OS DEDOS, VÃO OS ANÉIS

No chamado mundo corporativo, em qualquer área do mercado, o emprego de Joseph Blatter estaria por um fio. Um presidente que publica no site oficial de sua empresa um documento da Justiça em que dois funcionários aparecem como subornados, com seu conhecimento, não duraria mais meia hora no cargo. A não ser, é claro, que essa empresa seja um ambiente que estimule seus executivos a enriquecer de forma ilegal. Uma empresa como a Fifa de Havelange e Blatter. E que não se tente contestar, ou maquiar, a palavra “ilegal”.

Deixemos uma coisa bem clara, para que possamos continuar: a Justiça suíça estava preparada para processar criminalmente João Havelange e Ricardo Teixeira, no caso da falência da ISL. Independentemente do que Blatter diga sobre o que era ou não considerado crime no país durante o período em que os subornos aconteceram, havia uma acusação de fraude – com pena de um a cinco anos de prisão – contra eles. O documento divulgado na semana passada explica que o processo não teve andamento porque ambos os acusados devolveram uma parte do dinheiro que embolsaram.

Curiosa – para usar um termo elegante – a forma como a exposição de Havelange e Teixeira foi tratada por certos setores da imprensa brasileira. Triste que não se dê conta do mal que acompanha a omissão da verdade. Pois se os ex-cartolas apenas receberam “comissões” de uma empresa parceira da Fifa, não deveríamos nos indignar com o advogado da entidade, que argumentou que esse tipo de suborno é prática rotineira em países sulamericanos. E nem a Fifa deveria pedir desculpas pelas declarações de seu advogado, como pediu.

É simples: se Havelange e Teixeira nada fizeram de errado, que continuem a ser bajulados. E que todos assumamos nossa tendência antropológica à gatunagem, conforme o nível de acesso da cada um. Mas se quisermos fazer parte de uma sociedade decente, que deixemos de lado a desfaçatez e os tratemos como o que são: dirigentes esportivos brasileiros corruptos. Porque é assim que o mundo os vê.

Blatter (que não poderia sob nenhuma hipótese estar pensando em se reeleger em 2015, como declarou a um jornal suíço ontem), deu prosseguimento à sua campanha de marketing ao dizer que Havelange deve ser despojado do título de presidente de honra da Fifa. Sim, seu plano é salvar a própria pele, mas ter uma pessoa desonrada ocupando um cargo de honra é uma inaceitável contradição. O mesmo vale para o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão.

Por importância, merecimento e até mesmo por ligação com o Botafogo, há pessoas que simbolizariam a limpeza do nome do estádio. João Saldanha e Nilton Santos, já propostos, são excelentes opções. Espera-se coragem de quem deve tomar esse tipo de decisão.

Na CBF, infelizmente, não se deve esperar nada de José Maria Marin. Pagar salários a Ricardo Teixeira, por mais ultrajante que pareça, é fato quase insignificante na vida pública do atual presidente.

No mundo corporativo, Blatter deixaria seu posto. E Marin jamais chegaria ao dele.



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