CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

CULPADOS

“O acusado Ricardo Terra Teixeira ilegalmente utilizou ativos confiados a ele, para seu enriquecimento pessoal, diversas vezes. (…) Ele agiu com intenção de enriquecer ilegalmente.”

Troque o nome do ex-presidente da CBF que fugiu para a Flórida pelo do ex-presidente da Fifa que renunciou a seu posto no COI e a afirmação acima continua valendo. Quem a escreveu foi promotor suíço Thomas Hildebrand, encarregado do caso dos subornos pagos pela empresa ISL a membros da Fifa.

Está provado. Ricardo Teixeira e João Havelange receberam cerca de R$ 40 milhões em comissões ilegais para facilitar contratos entre a falida empresa de marketing e a (moralmente) falida proprietária do futebol mundial. O documento divulgado ontem traz os detalhes de cada depósito feito em nome de empresas ligadas aos ex-dirigentes brasileiros. Andrew Jennings, repórter da BBC que cobre o caso há anos, estava absolutamente correto.

Por 23 anos, Ricardo Teixeira comandou a estrutura de poder do futebol brasileiro. Desfrutou da benevolência indisfarçada da parte da imprensa esportiva que se dedica à preguiça e à bajulação. Incompetentes que emporcalharam a profissão em troca de oportunidades de carregar as malas do Dr. Ricarrrrrdo. Houve até os bobos alegres que se imaginam jornalistas e defenderam o cartola de “acusações sem provas”. Como se as CPIs que o investigaram tivessem sido concluídas sem indícios suficientes para desabilitá-lo da CBF.

Aqueles que faziam seu trabalho eram os ranzinzas, os mal humorados. A fuga de Teixeira para Boca Ratón foi o maior elogio possível. O documento da Justiça da Suíça é a taça de champanhe que os cínicos tentarão beber, como se fosse um brinde a todos. Coitados.

Vejamos como fica a imagem dos cartolões brasileiros que embolsaram o dinheiro da Fifa. Havelange, até outro dia, recebia homenagens, era tratado como um benfeitor da humanidade, chamado de “meu líder” e cumprimentado com beijos por gente importante. Manterá a posição de presidente de honra da Fifa?

Mais informações dos documentos do caso ISL verão a luz do dia nas próximas semanas. Para desespero de jornalistas que não gostam de trabalhar. E essa é só uma história. Difícil acreditar que seja a única.

NOSSA FAMÍLIA

O documento expõe a Fifa de maneira indefensável. Havelange fez da ISL a agência de marketing exclusiva da entidade em dezembro de 1997, quando era presidente. Os subornos começaram em agosto de 92 e foram pagos até maio de 2000. O processo criminal contra Havelange e Teixeira foi interrompido em maio de 2010, quando ambos devolveram uma pequena parte do dinheiro. Joseph Blatter sabia de tudo.

NOSSO SEGREDO

A Fifa nada fez para advertir ou punir seus membros que receberam dinheiro que era dela, o que comprova a cultura que imperou na entidade com Havelange e Blatter no comando. O documento da Justiça suíça revela que vários ocupantes do comitê executivo aceitaram suborno, e que dois funcionários sabiam de um depósito feito por engano na conta da Fifa, em nome de Havelange. Advogados da Fifa tentaram abafar o caso até o último momento.



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