COLUNA DA TERÇA



É com enorme satisfação que passo a ocupar mais um espaço no Lance!. A renovação de meu contrato incluiu mais uma coluna na contracapa, estreando nesta segunda-feira. A novidade cria outra “seção” aqui no blog, a Coluna da Terça.

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(publicada ontem, no Lance!)

RAINHA DOS BAIXINHOS

Houve uma época em que eles pareciam condenados à extinção. Seu território foi ocupado por gladiadores modernos, vestindo armaduras de músculos e conceitos bélicos. Com mentalidade destruidora, eram os encarregados de vencer a batalha que decide a grande maioria dos jogos de futebol. Transformaram a faixa central do campo em muralhas intransponíveis. Tijolos, cimento e arame farpado. O muro demorou a cair.

A final da Euro 2012, independentemente do resultado, foi o triunfo do meiocampista inteligente. O troféu supremo de Pirlo, Xavi e Iniesta. Com neurônios, retinas e pés de seda, eles recuperaram o setor do gramado que sela o destino de partidas e torneios. Débeis no aspecto físico, frágeis no jogo de contato, são superdotados tecnicamente a ponto de se tornarem as identidades de suas equipes.

A partir de 2008, a Espanha revolucionou seu estilo de jogar ao assumir a paixão pela bola. Trocou a fúria pela calma, a ligação direta pela associação de passes como forma de impôr sua maneira de entender o futebol. Um título europeu e um mundial depois, chegou ao domingo decisivo em Kiev com a chance de fazer algo inédito: o bicampeonato continental. Três finais seguidas do mais valioso quilate não teriam sido possíveis sem o caráter passador obsessivo dos dois baixinhos do Barcelona. Eles são os processadores que comandam o jogo da seleção que, prejudicada pela ausência de um atacante, transformou a posse da bola num mecanismo defensivo que escapa ao entendimento da maioria.

Ao assumir a Itália depois do fracasso na Copa de 2010, Cesare Prandelli ordenou uma silenciosa reforma na equipe. Preferiu jogadores que pudessem ser utilizados num sistema que privilegiasse a manutenção da bola. O decantado estilo defensivo italiano ganhou um complemento de qualidade. Combinação que permitiu ao time comandar partidas contra adversários mais potentes do ponto de vista atlético, como a Alemanha. Na regência desta Itália, bela como nunca, está Pirlo. O jogador da Juventus simboliza a capacidade italiana de disputar a posse, e não apenas a bola, com a Espanha.

É por essa razão que a decisão da Euro foi um presente, até para o pseudo-pachequismo que “pensa” que o futebol tem fronteiras. Espanha e Itália jogarão em gramados brasileiros na Copa das Confederações, daqui a um ano. Trarão ao país da Copa do Mundo um futebol de inegáveis virtudes, algo que a Seleção Brasileira ainda persegue. E que o futebol brasileiro esqueceu.

A jogada de sonho que deu à Espanha a vantagem no placar foi a melhor resposta aos críticos de um estilo indiscutivelmente bem sucedido. Que tenha se iniciado com um passe de Andrés Iniesta é uma obviedade. De Fàbregas para um raro gol de cabeça de Silva, exemplo do que o futebol associativo é capaz. Sinistra armadilha para os italianos, obrigados a enfatizar seus argumentos no debate da posse e ainda superar a defesa espanhola.

Xavi para Alba e depois para Torres, 3 x 0. Torres para Mata, 4 x 0. Passes, gols. Majestosa Espanha, verdadeira rainha dos baixinhos.



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