CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

ASSUME, JUVENAL!

No episódio que transformou Émerson Leão em mais uma vítima da diretoria trituradora de técnicos, uma frase de Juvenal Juvêncio não pode ser ignorada: “Eu seria (um bom técnico para o São Paulo)”. É a declaração definitiva. Nada poderia simbolizar melhor o período de Juvêncio como o senhor do Morumbi.

O presidente do São Paulo é conhecido por entender de futebol. Ele próprio não se questiona, ao lembrar que é chamado pelos jogadores para palestras “quando a coisa aperta muito”. Mas ao que parece, os conhecimentos de Juvêncio o têm traído no momento de contratar treinadores. Ou então têm entrado em choque com os métodos dos profissionais chamados a trabalhar no São Paulo. Leão foi o quinto dispensado nos últimos três anos. “O São Paulo não demite treinador”, frase que já foi usada pelo dirigente, ficou no passado em que o clube era vencedor.

Entender de futebol não é pré-requisito para administrar um clube. Em modelos mais modernos de gestão, outras habilidades são muito mais valorizadas. Ser um bom gerenciador de pessoas, identificar talentos para áreas importantes, delegar poderes e representar adequadamente os valores da instituição são alguns exemplos. Juvêncio faz mais o estilo do cartolão, da velha (com todo o respeito) raposa do futebol. É o dono do poder, da última palavra, da verdade absoluta. Como muitos outros clubes brasileiros, o São Paulo é uma organização que tem um dono, ainda que a estrutura não permita sua existência.

Conjunturas políticas à parte (porque o ponto aqui é outro), esse é o tipo de comando mais perigoso que existe, sob o ponto de vista esportivo. Os acertos bloqueiam os ouvidos, e os equívocos são sempre dos outros. Uma administração asfixiada pelas ideias de uma única pessoa.

Juvenal Juvêncio tem sido reticente ao contratar técnicos, e repetitivo ao dispensá-los. Parece sempre duvidar de que o “professor da vez” esteja à altura do São Paulo, ou do conhecimento de futebol de seu presidente.

O caráter inovador que o clube insiste em aplicar a tudo o que faz lhe serviria bem neste momento, com um movimento ousado: Juvêncio, de agasalho do clube e prancheta na mão. Entrevistas coletivas duas vezes por semana. Problema resolvido.

VIRTUOSOS

O inédito bicampeonato europeu está ao alcance da Espanha, após a tensa semifinal contra Portugal. Se acontecer, os espanhóis terão conquistado duas Euros e uma Copa do Mundo em sequência, algo verdadeiramente histórico. Ainda assim, há quem ache o estilo “chato” e não consiga enxergar a enorme virtude de um time que monopoliza a posse da bola, seja para atacar ou defender. No despeito, sempre há considerável dose de respeito.

ESQUECIDO

A eliminação de Portugal pode ter embrulhado a quarta Bola de Ouro para Lionel Messi. Tivesse levado seu país à decisão, o que seria uma surpresa, Cristiano Ronaldo colecionaria argumentos para receber votos. Inexplicável a ausência do principal jogador português na decisão por pênaltis. Guardar o melhor batedor para a quinta cobrança é correr o risco de não poder usá-lo, como fez o técnico Paulo Bento.



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