A COPA



Há sentido em analisar um jogo decidido, aos 39 minutos do segundo tempo , por um menino que, uma semana atrás, nem sonhava em disputá-lo?

A resposta correta é não. Mas vamos tentar.

O Corinthians – como bem disse Émerson, mentor do gol de empate – fez uma atuação bem abaixo do que pode, no primeiro jogo contra o Boca Juniors (1 x 1, na Bombonera: Roncaglia e Romarinho).

Mas conseguiu um resultado muito bom.

A marcação sobre Riquelme não foi feita como o planejado. Especialmente no segundo tempo, Ralf e Paulinho deram até alguma liberdade para o 10 do Boca, que perdeu um gol e deu outro para Mouche perder.

Desta vez não foi nem uma questão de fazer o bloqueio alto ou baixo, agredir ou esperar o adversário. O Corinthians teve momentos diferentes em campo.

Passou o primeiro tempo com as coisas sob controle, sem sofrer, até Jorge Henrique pedir substituição. A saída do terceiro atacante/marcador pelo lado complicou a ideia defensiva e obrigou Tite a mudar o time com a entrada de Liedson.

Riquelme, inteligente como poucos, passou a ocupar o setor em que JH estaria.

O grosso da pressão do time argentino aconteceu no segundo tempo, quando o Corinthians pouco passou da metade do campo e teve de lidar com a bola perto de sua área com perigosa frequência.

O gol na sequência de um escanteio saiu numa das poucas falhas da defesa. O primeiro cabeceio não poderia ter sido permitido.

Acerto absoluto da arbitragem ao observar o lance até o final e marcar o gol em vez do pênalti, e mostrar amarelo ao invés de expulsar Chicão. Roncaglia toca para a rede no rebote do toque de mão. Recomenda a Fifa que, quando o toque não impede o gol na jogada, o árbitro deve exibir o amarelo, se assim quiser. Não havia nem mesmo a obrigação de advertir Chicão.

Só que o lateral do Boca não deveria estar ali. Roncaglia, como atestou o Diário Olé, deveria ter sido expulso no primeiro tempo, ao fazer falta violenta em Émerson quando já tinha um cartão.

O lance do empate foi o resultado final de uma improvável sequência de eventos que não tem explicação.

Romarinho foi o último jogador inscrito pelo Corinthians na Libertadores. Fez dois golaços na estreia, contra o Palmeiras, jogando pelos reservas do Corinthians no domingo passado.

O primeiro, lembremos, de letra.

Os gols animaram Tite a levá-lo a Buenos Aires, e escolhê-lo para ficar no banco no lugar de Willian.

É provável que, no momento em que resolveu tirar Danilo do jogo, o técnico optasse por Liedson. Mas Liedson já estava em campo por causa da lesão de Jorge Henrique.

Então entrou Romarinho, aos 37 minutos. E na final da Copa Libertadores, na mística La Bombonera, no segundo toque na bola, o menino aplicou uma vaselina no goleiro do Boca Juniors.

1 x 1.

É preciso observar o seguinte: a jogada começa com Paulinho desarmando Riquelme e servindo Émerson. Sheik, jogador que não se omite, se livrou de Schiavi e deu um caramelo para o novato.

O passe – assim como no lance com Adriano contra o Atlético Mineiro, no BR-11 – foi simplesmente magistral e metade do gol.

Mas só aconteceu porque Romarinho fez a opção mais ousada.

Ele poderia ter ficado aberto pela lateral do campo e se apresentado para uma tabela com Émerson. Mas escolheu a diagonal para dentro da área, para o gol.

Instinto, ambição, falta de noção, chame como quiser.

Mas numa situação em que muitos atacantes experientes já falharam, Romarinho luziu.

Devagar com o andor, claro. Os três últimos gols de Romarinho nada dizem sobre seu futuro. Mas gritam tudo sobre seu presente.

E são sinais de que as coisas conspiram a favor do Corinthians, assim como a cabeceio no travessão de Cássio nos acréscimos.

O empate fora não é vantagem alguma. Significa que a decisão da Libertadores acontecerá em apenas um jogo, na casa do Corinthians e com mais meia hora de futebol, em caso de empate.

O Boca é tranquilo e venenoso fora de casa, sabe explorar as pressões com as quais o mandante precisa lidar.

Palmeirenses, santistas e gremistas conhecem a dor.

É preciso jogar mais do que na Bombonera, e mais do que contra Vasco e Santos no Pacaembu.

O Corinthians pode.



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