O SÃO PAULO E A OPÇÃO PORTUGUESA



Na procura pelo substituto de Émerson Leão, a alternativa estrangeira continua em cogitação.

E na diretoria do São Paulo, há quem esteja convencido de que André Villas Boas é o nome certo.

O jovem treinador português esteve no Brasil há cerca de um mês, quando se encontrou com o Juvenal Juvêncio e foi formalmente consultado a respeito de trabalhar no clube.

Villas Boas já havia falado por telefone com uma pessoa que não faz parte da diretoria do São Paulo. À época, logo após ser demitido do Chelsea, AVB agradeceu o interesse mas não quis levar a conversa adiante.

No jantar com o presidente são-paulino, o técnico explicou que não estava disponível antes de 2013.

Mas há mais: Villas Boas viu algumas partidas no Brasil e, de acordo com um técnico brasileiro que esteve com ele, não teve boa impressão da maneira de jogar dos nossos clubes.

Ele entende que, para fazer um trabalho bem sucedido por aqui, precisaria de pelo menos 3 anos de contrato e liberdade para interferir nas categorias de base.

Mas considera que, após o fracasso no Chelsea, seu momento profissional não oferece tanto tempo para mostrar resultados. O próximo passo deve ser preciso, num clube europeu bem estruturado.

Nas últimas semanas, o Tottenham esteve – é provável que ainda esteja – próximo de contratar AVB. Jornalistas britânicos bem informados noticiaram a oferta de um contrato de 3 anos, que agradaria ao português.

Detalhes estariam pendentes enquanto Villas Boas ainda aparecer na folha de pagamento do Chelsea, pela rescisão de contrato unilateral por parte do clube londrino.

Nesse período, o São Paulo pode tentar, novamente, seduzi-lo.

Um dos argumentos é o de que, com Renê Simões no comando das categorias de base, a garantia de uma relação produtiva de trabalho com o técnico do time principal reduziria o “período de transformação” calculado por Villas Boas.

Juvenal quer ver a base mais bem aproveitada, hipótese que Leão se recusava a cogitar. Jamais houve contato entre Leão e Simões.

Para ter Villas Boas, o São Paulo estaria disposto a elevar a remuneração de seu treinador. Dinheiro, no entanto, não é o principal entrave.



  • Paulo Rocha

    Seria uma otima escolha. Colocaria ate o nome de revolucionaria. Mas duvido muito que aconteca. Ha pouco o Villas-Boas fazia um excelente trabalho no Porto e nao creio que ainda tenha mercado em bons clubes na Europa. Eu, sao-paulino como sou, ja me surpreenderia com o Sampaoli ou com o Bianchi. Mas, de novo, duvido que aconteca. Muitos nomes serao cogitados e acabaremos trazendo o Caio Junior ou o Falcao.

  • Paulo Rocha

    ERRATA: Creio que o Villas-Boas tenha SIM mercado em bons clubes europeus.

  • Anna

    Acho que o São Paulo que sempre se disse como o detentor do melhor planejamento do futebol errou ao demitir Leão. André Villas-Boas poderia ser um bom nome, apesar de eu não ter gostado do trabalho dele no Chelsea.

  • Marcelo Morais

    “para fazer um trabalho bem sucedido por aqui, precisaria de pelo menos 3 anos de contrato e liberdade para interferir nas categorias de base”

    Concordo plenamente. Como os dirigentes do meu time sao torcedores, nao existe a possibilidade de um tecnico durar mais que tres derrotas seguidas. Adoraria ver o SPFC com um tecnico que tenha um projeto de criacao de um time, mas acho que nao conseguirei esperar por esse dia (talvez meu filho consiga). Por enquanto, seguiremos o roteiro antigo: tecnico temporario seguido por um tecnico tampao. AVB me parece uma grande utopia.

    PS: o que houve com as “Notinhas” nesta semana? To me sentindo como se nao tivesse havido rodada do Brasileirao-12 no ultimo fim de semana.

    AK: Nossa falha. Um abraço.

  • Marcelo Morais

    “Acho que o São Paulo que sempre se disse como o detentor do melhor planejamento do futebol errou ao demitir Leão.”

    Anna,
    Acho que o SPFC errou ha mais tempo, ao contratar Leao.

  • Sidney

    Torço pela escolha por um técnico de fora, pra quem sabe termos uma renovação dos técnicos nacionais. Claro que a diretoria tricolor tem abusado do direto de errar nos últimos anos, mas hoje existe um círculo vicioso entre os mesmos técnicos nos grandes clubes. O Luxemburgo por exemplo, nos últimos 5 anos passou Palmeiras, Santos, Atlético, Flamengo e agora está no Grêmio sem ter feito um grande trabalho em nenhum desses clubes, mas sempre que um dos gigantes nacionais manda embora seu treinador o WL é ventilado para assumir o cargo. Isso vem da falta de bons nomes no nosso futebol. Claro que há algumas exceções e algumas boas revelações como Marcelo Oliveira do Coritiba, mas ainda são poucas opções.
    O problema, como disse o Paulo Rocha no primeiro comentário, é sonhar com AVB, Sampaoli e Bianchi e acordar com Caio Júnior, Joel ou Oswaldo de Oliveira e saber que existe o grande risco de daqui há algumas rodadas estarmos discutindo o mesmo assunto novamente.

  • Anna, há muito tempo o São Paulo não é mais um time bem administrado. Parece-me que a diretoria se afogou na soberba depois do tricampeonato.

    Juvenal começou a se sentir um gênio e perdeu as noções de governança interna, passando a interferir em questões que estão fora de seu campo de atuação.

    Vilas Boas não virá. Garanto aqui. Como bem disse o Paulo, o clube acabará fechando com um técnico modernoso daqui mesmo.

  • BASILIO77

    O SPFC manteve o treinador porque obteve resultados, ou obteve resultados porque manteve o treinador? Fico com a primeira opção. Resultado é tudo. Ninguém pode com ele.
    Nem no período onde, supostamente, a torcida estaria “de barriga cheia”, no pós tri mundial/CLA e tri-hexa brasileiro…com a cerejinha do bolo que foi ver meu clube cair pra segundona…mesmo assim foi tolerância zero. Achei tudo isso um pouco de exagero do tricolor e de boa parte da torcida…mas TODOS os clubes vão nessa direção.
    O SPFC continua sendo bem administrado, mas futebol não é uma ciência exata. É cíclico. Até o Barça sentirá isso.
    É preciso ter paciência, entender o processo e estar atento para aproveitar ao máximo a próxima “onda”, como fizeram em 2005.
    Deve-se considerar também que a concorrência cresceu, em quantidade e qualidade, e isso mudou muito o cenário de 5…6 anos atrás. Outra coisa, fica muito fácil explicar insucessos através das teorias conspiratórias, pratica comum pelos lados do morumbi e de parte da imprensa.
    Muita calma nessa hora, o time não é muito pior e nem melhor do que os demais, além disso, a possibilidade dos rivais não ganharem NADA nesse semestre existe, e aliviaria MUITO a pressão sobre a administração tricolor.
    Abraço.

  • Marcel de Souza

    Eu acho que seria uma boa, porém muito dificil de acontecer e como já disseram, os dirigentes e torcida não teriam paciência de esperar o trabalho dar frutos.

    Por outro lado, qual seria a motivação do Villas Boas treinar um time do Brasil???

  • Giuliano

    É uma pena. Com o que ganham os técnicos no Brasil, poderíamos importar excelentes treinadores, gente que fosse capaz de trazer uma renovação tática no futebol brasileiro. Mas não vejo no cenário ninguém com ousadia para sair na frente. Então, vamos de Caio Jr, Oswaldo Oliveira, etc. Que desânimo.

  • Clayton

    Caso venha, espero que o Villa-Boas repita a saga do húngaro Bella Guttman, outro técnico estrangeiro que fez sucesso no São Paulo nos anos 50 e que revolucionou o futebol brasileiro, porque foi o 1º técnico a implantar o esquema 4-2-4 no Brasil.

    “Vicente Feola foi substituído provisoriamente por Caxambu, antigo goleiro são-paulino, enquanto a diretoria trabalhava intensamente para inovar, para ousar, para fazer história trazendo o técnico Bella Guttman, um húngaro que não falava uma só palavra em português mas que entendia tudo da linguagem universal da bola e que iria revolucionar o ambiente futebolístico mundial.

    Bella Guttman chegou e pôs o elenco para treinar com bola. A imprensa ficou atônita quando assistiu ao primeiro coletivo dirigido pelo gênio magiar. Bella Guttman escalou o time titular com quatro zagueiros, dois homens no meio campo e quatro atacantes; era uma fórmula tática ousada e jamais vista no mundo!

    Naqueles tempos românticos o meio do campo tricolor era formado por Sarará e Dino Sani aos quais competia marcar e acionar o ataque. Sarará e Dino eram titulares absolutos do time que perdera em 1956, Bella Guttman pretendia modelar aqueles jogadores ao seu figurino tático de jogar bola.

    Dino Sani estava no clube desde 1954, era o meia armador, o pensador, ostentava forma brilhante, era amado pela torcida. Dino fazia o jogo fluir e ia à frente, anotava gols de cabeça, de falta, atirava de longe, batia pênaltis, era completo.

    Olavo Souza Flores, o gaúcho Sarará, chegara em 1956 e em meio ao campeonato ganhara a posição de titular como volante. Fruto das raças negra e loira, ele era uma espécime humana ruiva na aparência, que chamava a atenção de todos e dentro do campo era de uma tranqüilidade que incomodava.

    Sarará adorava driblar. Quando lhe passavam a bola, o rapaz saía enfileirando os adversários, tinha uma técnica apuradíssima, enfeitava, sabia enfeitar, era bonito ver Sarará jogar, ele era o protótipo do jogador clássico, que embelezava o jogo.

    Bella Guttman no entanto tinha seus inusitados planos para o elenco. O inolvidável treinador, desde o primeiro coletivo, comunicou aos jogadores que com ele ninguém daria mais do que três passos com a bola nos pés, era receber a bola, dar dois passos e tocar para o companheiro, nada de firulas, futebol era o jogo da simplicidade.”

  • Alexandre

    “Villas Boas viu algumas partidas no Brasil e, de acordo com um técnico brasileiro que esteve com ele, não teve boa impressão da maneira de jogar dos nossos clubes”.
    Em outras palavras: ele achou o nosso futebol uma porcaria…

    AK: Muita ligação direta. Um abraço.

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