COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

RAZÃO E DECISÃO

Não houve nada de especial no vestiário do Corinthians, durante o intervalo do clássico contra o Santos. Nada que ficasse marcado na memória de quem estava lá, como por exemplo a noite, no ano passado, em que Adriano saiu de seu apartamento e foi ao Pacaembu para estimular os companheiros a vencer o Flamengo. Na quarta-feira passada, os quinze minutos entre o primeiro e o segundo tempos foram ocupados como sempre: um breve período de silêncio e descanso, seguido pelas orientações de Tite.

“Os intervalos do Tite são muito táticos”, diz um dos presentes. “Ele fala sobre o jogo, o que está certo e errado. Fala primeiro com todos e depois conversa pessoalmente com alguns jogadores”, completa. Na metade da semifinal da Libertadores, com o gol de Neymar ameaçando demolir o Pacaembu, Tite tratou do posicionamento dos jogadores do Santos e de como queria o Corinthians no restante da partida. Logo depois do gol, o time já tinha sido modificado para ter dois homens abertos no ataque, com Willian centralizado. A entrada de Liedson serviu para que um centroavante de ofício ocupasse a posição.

A vantagem do Santos simbolizou tudo o que o Corinthians fez de errado no primeiro tempo. Mas também ajudou o time a se recuperar no jogo. A postura tímida, pouco característica, foi punida com o prenúncio de eliminações anteriores em circunstâncias semelhantes. Preocupado, o gerente de futebol Edu Gaspar conversou com o goleiro reserva Julio César sobre a necessidade de “dar uma chacoalhada” no time no intervalo. A questão era como equilibrar a procura do empate com a solidez defensiva, marca do Corinthians de Tite.

Os jogadores não receberam nenhum estímulo emocional diferente antes de voltar ao gramado. Tite os relembrou de algo que tinha sido conversado desde a semana passada: a possibilidade de o Santos abrir o placar. Cenários foram imaginados e escolhidos, de acordo com uma frase do português José Mourinho, uma das inspirações do técnico corintiano: “é preciso estar preparado para todas as situações. Vencendo, empatando ou perdendo”.

O impacto de Liedson divide-se entre quem entende que não houve tempo para sua presença se fazer sentir, já que o empate aconteceu aos dois minutos, e quem lembra que foi ele quem sofreu a falta (uma das sete, em 45 minutos) que originou o gol de Danilo. É fato, porém, que com o centroavante em campo, o Corinthians ficou um pouco mais com a bola. Ralf e Paulinho cuidaram de Neymar e, em plena semifinal de Libertadores, Cássio teve uma noite parecida com a dos torcedores. Foi mais um observador do que um participante.

A classificação do Corinthians, derrotando um adversário mais talentoso do ponto de vista individual, recuperou a conversa sobre jogo defensivo e posse de bola. Repetiu-se a comparação equivocada com as últimas atuações do Chelsea. Um time que marca no campo adversário, e procura o desarme, pode ceder a posse ao oponente e minimizar riscos. Um time que apenas protege sua área e espera pelo erro do rival, não.

A falha do Corinthians no primeiro tempo se deu com a bola, não sem. O acerto foi feito no vestiário, sem broncas ou cenas.



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