CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

PRESENTE

“Você fala com Oscar sobre a função dele, e ele conversa com você sobre o assunto. Ele pergunta o que deve fazer se a marcação mudar, dá sugestões…”

A frase é de Mano Menezes e não deveria causar surpresa. É o que você faria se o técnico da Seleção Brasileira sentasse a seu lado para orientá-lo antes de um jogo. Mas não é o que todos os jogadores fazem, por isso chamou a atenção de quem lida com eles. Especialmente porque Oscar, 20 anos, ainda engatinha (3 convocações) na Seleção principal. Experiência limitada, que já serviu para marcar – e talvez garantir – sua posição.

Perguntado sobre a impressão deixada pelo meia do Internacional após os últimos amistosos do Brasil, Mano puxou rápido a resposta da memória. “Não me surpreendeu pelo nível de jogo que ele mostrou, que nós já conhecíamos. Mas porque ele vestiu a camisa da Seleção Brasileira e saiu jogando”, disse o técnico, fazendo com as mãos o gesto de quem não precisa se preocupar. Talvez não haja elogio maior.

Ouvir Mano falar sobre futebol, num ambiente informal, é ilustrativo. Quando os temas não requerem preocupação com declarações que possam voltar para incomodá-lo, o técnico se esforça para detalhar seus pensamentos. Saca papel e caneta para explicar movimentos ofensivos, por exemplo. Oscar apareceu em vários, enquanto falávamos sobre os últimos jogos da Seleção. É difícil imaginar o futuro próximo sem o envolvimento dele.

“Não tenha dúvida de que propôr o jogo é uma ideia que precisamos resgatar na Seleção Brasileira, mas é preciso ir com calma”, alerta Mano. “Isso é mais ou menos como viver em democracia. Tem seus riscos”, conclui. Tais riscos dizem respeito a sincronismos cruciais para que a proposta não conduza ao suicídio. Um sistema em que volantes e zagueiros tenham soluções automáticas para os problemas que surgirão. Algo que não acontece sem a devida repetição em treinos e, principalmente, em jogos.

Mano Menezes prefere Oscar na faixa central do campo, onde sua visão é mais útil e perigosa. Franziu a testa, em sinal de dúvida, quando ouviu a sugestão de mais um jogador com características semelhantes. Mas não descartou a possibilidade.

A personalidade de Oscar significa um problema a menos. Treinadores adoram jogadores assim.

E ENTÃO…

E o futebol discordou de Michel Platini, mais uma vez, quanto à necessidade da tecnologia na linha do gol. Aconteceu em plena Eurocopa, no jogo entre Ucrânia e Inglaterra (deve ser carma). Para quem disse que a frequência de lances assim não justifica a utilização do apito eletrônico, os fatos chegaram ao limite do constrangimento. E o árbitro auxiliar, do mesmo lado do bandeirinha, bloqueou a visão do colega. Derrota total.

MAU EXEMPLO

A Uefa multou Nicklas Bendtner em 100 mil euros. O crime do atacante dinamarquês foi exibir a marca de uma casa de apostas em sua cueca, ao comemorar um gol na Euro. O valor ultrapassa, com folga, as multas aplicadas a clubes e associações nacionais envolvidos em casos de manifestações racistas em estádios europeus. A Uefa pune com mais rigor quem quebra regras do que quem propaga o ódio. Vergonhoso exemplo.



  • Lucas Costa

    não tem sentido investir na tecnologia no futebol. Não sei porque tanto insistem…..
    é só banir a Inglaterra das competições que lances assim nunca mais vão ocorrer! Muito mais simples e lógico!

  • Sobre “E ENTÃO…” e “MAU EXEMPLO” eu comento: Concordo, ridículo!

  • André, o que você acha da opção de puxar o Oscar mais pra trás, jogando como um Xavi e abrir espaço para Ganso (se ele voltar a jogar futebol, é claro)?

    AK: Foi um cenário como esse que gerou a expressão de dúvida em MM. Eu acho interessante. Um abraço.

  • Marcos Nowosad

    Para mim, o Ganso esta’ perdendo espaco… Por causa das contusoes e por causa dele mesmo.
    Foi constrangedora a displicencia dele nos jogos contra o Corinthians…

    Infelizmente, porque eu gosto muito do futebol dele.

  • Luiz

    Pedro Valadares, é o contrário. Oscar tem um perfil semelhante ao Iniesta, e Ganso tem perfil de Xavi. Oscar se apresenta melhor à frente do que o Ganso, que gera mais jogo vindo de trás. O ideal seria um 4-3-3 de base alta, Sandro ou Rômulo protegendo a defesa sozinho e Ganso e Oscar marcando a saída de bola adversária. Partindo do princípio que boa parte dos times joga em um 4-2-3-1 o esquema ainda faria Oscar e Ganso marcarem os volantes do adversário com naturalidade. Mas Ganso precisaria ter a mesma aplicação que o Oscar. Caso contrário a função poderia ser tranquilamente feita por Casemiro, que me parece ser mais adequado à função de meia, apesar de ser bom marcador. Caracterizado pelas bobagens no campo de defesa, melhor colocado à frente, com função de marcar a saída de bola do adversário e criar quando possível. Acho que seria uma tentativa válida.

  • Marcelo

    Agora o Oscar é o craque da vez??? Minha opinião é que nem ele nem Ganso estão no nivel dos melhores meias do mundo e infelizmente pra nós a seleção brasileira é um time fraco. Pelo menos o Oscar demonstra mais vontade e agilidade que o Ganso (este se jogasse nos anos 60 seria craque, mas para o futebol de hoje é um jogador muito lento).

    Abraço

  • Leandro Azevedo

    No programa da Estadao/ESPN que o Mano participou, a última pergunta feita pelo Conrado vinda de um ouvinte era justamente sobre a possível utilização do Ganso e Oscar juntos. Ele disse que na teoria, não faria oposição ao uso dos dois e até consegue ver o time jogando assim. Na teoria…

    Pra isso acontecer acho que o Ganso teria que se adaptar a jogar com mais movimentação no meio e se doando um pouco mais na marcação e roubar bolar como fez o Oscar nos amistosos. Não acho que o Mano abandonaria um volante para escalar os 2 caso ele não faça essa função de marcação.

  • Hugues

    André, discussão frequente na minha roda de amigos é o talentoso PHG, que ninguém discute o talento, mas questiona-se a vontade (será que quer ser vendido) e principalmente o posicionamento. Entendemos que ele deveria formar uma dupla de volantes com Sandro, e deixar a camisa 10 para Oscar. A inteligência e habilidade no passe e nas enfiadas de bola de Ganso iria tornar o meio de campo da seleção um local de criação de jogadas para os três jogadores da frente (não conseguimos ver o Brasil jogando com dois). O que você acha? Alguém mais vê esta possibilidade ou apenas os torcedores? Abraços e “keep up the good work”!

    AK: Nessa posição ele teria obrigações defensivas cruciais. Tenho minhas dúvidas. Um abraço.

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