COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

QUEM SABE JOGA

“Quando você for treinador, vai querer colocar todos os meiocampistas em seu time. É a melhor maneira para que a equipe jogue bem.”

Javier Mascherano contou recentemente ao jornal espanhol El País que jamais esquecerá a frase acima, que ouviu de Pep Guardiola no dia em que jogou pela primeira vez como zagueiro no Barcelona. Aconteceu sem nenhum treino, nenhuma conversa, num jogo de Liga dos Campeões. Guardiola simplesmente escalou o volante argentino como central.

Os métodos do técnico catalão explicam a maneira como as coisas aconteceram no Barcelona nas últimas quatro temporadas. Um time em que jogadores de meio de campo atuaram em todas as posições, menos no gol. As ideias de Guardiola também contrariam regras douradas do chamado “futebol moderno”, em que a tática foi elevada ao nível máximo de importância na construção de uma equipe. O jogador foi rebaixado ao terceiro plano.

Pensa-se primeiro num ideal tático, depois numa proposta de jogo e, por fim, nos futebolistas adequados para executá-la. O processo explica a monotonia que se observa nos campeonatos ao redor do mundo. Explica também o sucesso de quem ousa fazer o raciocínio inverso e recuperar o lugar do atleta na hierarquia do jogo.

É um equívoco dizer que o Barcelona joga para Messi. O Barcelona joga para Xavi ativar Messi. O brilhantismo de Xavi, um jogador como nenhum outro, faz com que Messi apareça apenas no momento em que seus poderes extraterrestres são decisivos. Esse é o conceito que a seleção argentina nunca compreendeu.

Vestindo a camisa de seu país, Messi já foi encarregado de gerar o jogo, o que o prejudica pela sobrecarga. Pior ainda, foi incumbido de definir movimentos ofensivos que não foram desenhados para receber sua assinatura. Simplesmente foram entregues a ele. Até agora.

Um comentário do técnico Alessandro Sabella indica que a Argentina que veremos neste sábado é um time mais inteligente. “Messi precisa estar acompanhado para jogar seu máximo”, disse o treinador. Não se trata de encontrar um Xavi argentino, seria uma busca fadada ao fracasso. A questão é dar a Messi a companhia de jogadores capazes.

Na goleada de 4 x 0 sobre o Equador, no último sábado, Gago, Dí Maria e Aguero se alternaram como cúmplices de Messi, infernal navegando entre as linhas. Após o primeiro gol, os equatorianos cometeram o suicídio de soltar o melhor jogador do mundo. Há sinais de que, contra o Brasil, Sabella escalará um atacante a menos. Por precaução ou pela oportunidade de testar variações para um time que disputa as Eliminatórias para 2014.

O objetivo da Seleção Brasileira são as Olimpíadas, com desafios semelhantes. Neymar foi vilipendiado após a derrota para o México, responsabilizado pelos erros de um time em formação. O Brasil precisa descobrir a melhor maneira de ativá-lo. O que nos leva às “regras” do futebol de hoje.

A aparição de Oscar como gerador de jogo contra a Dinamarca foi saudada como uma alternativa a Ganso, novamente indisponível. Guardiola pensaria de outra forma. A julgar pelo que disse a Mascherano, ele arrumaria lugares para os dois.



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