CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

BAIXO GÁVEA

A frase de Zinho é reveladora: “Acabou a bagunça, acabou a festa”. Uma confissão de que, até a semana passada, o vestiário do Flamengo era um lugar onde não havia regras. O hábito de não pagar salários no dia combinado obviamente não contribui para um ambiente profissional. Não se pode cobrar profissionalismo onde não há.

A festa e a bagunça podem ter acabado, mas a maneira como as coisas são feitas no Flamengo de hoje continua rasteira. A divulgação do vídeo do hotel em Londrina e da existência de um exame de sangue que comprovaria que Ronaldinho estava alcoolizado num dia de treino são as evidências mais recentes (mas não devem ser as últimas) do nível rastejante do comando atual.

Se não fosse por princípios, que fosse por vergonha. O que dizer de quem dirige um clube que permite episódios como os que o Flamengo usa para atacar Ronaldinho? É com a exposição da própria falta de comando que essa diretoria pretende se defender? Vale lembrar que o caso do hotel gerou uma queda de braço que culminou na demissão de Vanderlei Luxemburgo. O Flamengo agora passa o recibo por obedecer as ordens de um jogador indisciplinado. Que gestão.

Pior do que não perceber o ridículo é não ter escrúpulos. Ao jogar para a torcida a sujeira da relação com Ronaldinho, as pessoas que dirigem o Flamengo mostram que não conhecem limites na tentativa de encobrir a própria incompetência. Arrastam o clube para uma cratera moral. É desalentador que não apareça ninguém para avisar Patricia Amorim que uma instituição do tamanho do Flamengo tem o dever de se dar ao respeito.

Para completar, Ronaldinho surgiu na Cidade do Galo dois dias depois das bravatas direcionadas ao Palmeiras, acompanhadas de acusações de assédio. Palavras ao vento, para desviar responsabilidades, enquanto a cronologia continua punindo o clero baixo da Gávea.

A cada golpe desleal, cada passo na direção do vale tudo, Patricia Amorim e seus subalternos só fortalecem a advogada de Ronaldinho Gaúcho. O sobrenome dela é Nunes. Faz lembrar uma época em que a torcida do Flamengo tinha exemplos.

PACIÊNCIA

É mórbida a necessidade de encontrar bodes expiatórios e eleger culpados. A Seleção Brasileira perdeu um amistoso para o México e já há quem diga que Neymar não passa de um “produto de mídia”. O que sugerem os entendidos? Deixá-lo no banco? Não convocar mais? Esquecem que se trata de um garoto em início de carreira, que ainda tem um longo aprendizado pela frente. Ignorância estimulada pela antipatia. Desastrosa combinação.

SUSPENSE

O futebol já cansou de nos surpreender ao apresentar algo totalmente diferente do que esperamos, mas não é bom o prognóstico do encontro de uma seleção olímpica em formação com uma seleção principal em nível de competição. É o que veremos no sábado, quando Brasil e Argentina se encontrarem em Nova Jersey. E se considerarmos que não existe amistoso entre os dois países, em qualquer esporte, o perigo aumenta. O interesse também.



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