A VIDA É DURA



Numa coluna recente, escrevi que “Deve ser excitante a vida de alguém que, um segundo após um pênalti desperdiçado, se põe a declarar que o melhor jogador do planeta é uma invenção. Por ser argentino.”.

Pois bem. Sinto-me obrigado dizer, hoje, que deve ser igualmente excitante a vida de alguém que, um segundo após uma derrota da Seleção Brasileira, se põe a declarar que o melhor jogador do Brasil é uma invenção. Por ser marrento. Por ser elogiado, às vezes mais do que deveria.

Chega a ser mórbido como as pessoas – especialmente aquelas movidas pela catastrófica mistura de ignorância com preconceito – precisam encontrar bodes expiatórios, eleger culpados, invocar para si uma “razão” que não resiste a poucos segundos de bom senso.

Neymar não jogou bem contra o México. A Seleção não jogou bem. Não é culpa dele.

Ele já não tinha feito uma grande atuação contra os americanos, mas tramou algo pelo lado esquerdo com Marcelo, envolveu-se em lances produtivos, deixou uma boa imagem.

Imagem que pareceu ainda melhor porque o time se entendeu e ganhou com sobras de um adversário médio.

Ontem, nem Oscar, nem Hulk, nem os laterais e, muito menos, a defesa. E o Brasil perdeu com absoluto merecimento.

Dizer que Neymar não é jogador de seleção é uma tolice quase tão grande quanto o rótulo que tentam colar em Messi, com a camisa da Argentina.

(A propósito: viu o jogo no sábado?)

O equívoco em relação a Messi é maior porque já existe uma amostra de jogos que permite uma análise consistente do desempenho do camisa 10 jogando por seu país.

Basta ver a participação dele em gols de sua seleção.

No que diz respeito a Neymar, é ridiculamente cedo para qualquer tipo de afirmação.

O que sugerem os entendidos? Não convocá-lo mais? Deixá-lo no banco?

Quem contesta a qualidade de Neymar como jogador não deve gostar de futebol.

Ou gostar de futebol feio, o que é pior.

Não deveria ser tão difícil ignorar a fortuna (ele não rouba ninguém), o cabelo (é problema dele), os elogios exagerados (que culpa ele tem?), as comparações com Messi (que ele nunca aceitou), e vê-lo apenas como um jogador de futebol.

Não deveria ser tão difícil perceber que se trata de um garoto que ainda precisa aprender a lidar com marcações mais fortes, com apitos menos protetores, com as dificuldades que todo jogador especial encontra pelo caminho.

Ou concluir que sua evolução, e utilização, estão diretamente ligadas ao time que a Seleção Brasileira pode ser.

Um time que parecia estar se formando, mas viu que a vida é dura.



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