MAIS DAS COPAS



Tende-se a dizer que quando um jogador é expulso numa partida equilibrada, a diferença numérica produz mais espaço para o adversário.

Nem sempre é verdade.

É mais provável que um time consiga fazer valer a vantagem de um homem a mais quando o oponente continua tentando construir algo.

Quando se trata apenas de proteger um resultado, é comum ver o time inferiorizado se defender com a mesma eficiência.

Foi o que aconteceu ontem, na vitória que classificou o Santos (1 x 0 no Vélez: Kardec, e 4 x 2 nos pênaltis) para as semifinais da Libertadores.

O jogo já estava difícil para o Santos, com 11 contra 11.

O time argentino marcava com notável aplicação e ainda oferecia algum perigo, numa clara proposta de controle do placar.

Quando perdeu seu goleiro, expulso corretamente, o Vélez não afrouxou. Talvez tenha acontecido o contrário.

A noção da inferioridade pode ter reforçado a mentalidade defensiva dos argentinos, àquele momento dispostos a correr ainda mais.

O Vélez perdeu a condição que tinha de contra-atacar, mas não de ocupar os espaços à frente de sua área.

Em situações como essa, como disse Muricy Ramalho, só há duas alternativas:

Girar a bola de um lado para o outro, esperando uma brecha na parede por onde a bola possa entrar.

E chutar de fora da área.

O gol que levou a decisão para os pênaltis saiu num lance em que Ganso (quem mais?) encontrou essa brecha, ao servir Léo, que fez a bola chegar a Alan Kardec.

O passe de Ganso é a aparição do jogador diferente, que enxerga o que a maioria não vê.

Importante a entrada de Léo no segundo tempo, sua participação no gol e nas cobranças decisivas.

Ele pode ser utilizado na solução que Muricy precisa encontrar para a ausência de Ganso.

A propósito: é sempre refrescante quando um jogador descreve, sem pudores ou preocupações, momentos como os que Léo viveu na hora dos pênaltis.

Ele declarou que comentou com alguns companheiros que não fazia ideia de como executaria sua cobrança.

E que não tinha noção de que o dele era o pênalti da classificação.

Léo merece aplausos pela honestidade.

O campeão da América foi testado nesses dois jogos contra o Vélez. Passou com uma dose de dificuldade um pouco maior do que se esperava.

A marcação argentina conteve Neymar, algo que não estamos acostumados a ver por aqui.

______

Na Copa do Brasil, o Grêmio (2 x 0 no Bahia: Miralles e Marcelo Moreno) será o adversário do Palmeiras nas semifinais.

Interessante confronto.

Teremos os palpites em breve.



  • Juliano Bernardo

    Parabéns pela excelente análise.

    @jbcatheto

  • André, aposto em Boca x Santos e Grêmio x São Paulo….

  • Sérgio

    André,

    Curiosa essa questão do 10 contra 11….concordo com você que hoje é muito comum você ver essa situação não ser sinônimo de facilidade para a equipe adversária, mas se pensarmos há 10 anos atrás, falar o que estamos falando aqui era motivo de chacota. Lembro muito na década de 90 o quanto se comemorava a expulsão do adversário e na minha lembrança (já entortada pela distância cronológica associada a um possível faz de conta que fazemos com o passado) o quanto o jogo de repente se tornava mais fácil. A impressão pra mim que essa questão, 10 contra 11, em equilíbrio, é tão novidade quanto realidade. Eu mesmo, um ou dois anos trás, assisti incoformado uma entrevista com o Tite, na qual ele explicava porque não foi possível mudar o placar com 1 a mais em campo. Hoje concordaria com ele. O que você acha?

    AK: Acho que as coisas mudaram mesmo. A questão física colabora, porque os jogadores são tão bem preparados que conseguem ocupar os espaços com um homem a menos. Mas creio que, acima de tudo, é a proposta. Se o Vélez precisasse fazer um gol ontem, o Santos teria criado mais chances. Mas o Vélez só queria se defender. Um abraço.

  • Na minha opinião a expulsão foi salvadora para o time do Neymar. Os argentinos antes da expulsão marcavam até mesmo a saída de bola dos brasileiros, fazendo com que Neymar só pegasse na bola perto da linha de meio campo. Depois da expulsão foi impossível continuar adiantando a marcação, além de prejudicar o controle do meio campo, que estava equilibrado. Antes da expulsão o Vélez sabia exatamente o que estava fazendo, e sabia que teria sucesso. Na hora da expulsão lembrei de uma frase que se não me engano é do Telê: Entre perder um jogador e tomar um gol, prefiro o gol.
    Mudando um pouco de assunto…
    Você parece ser um cara que adora os números, eu não sou diferente. Não é uma lástima as transmissões de futebol serem tão precárias no aspecto de números estatísticos?

    AK: Sim. Mas não é fácil encontrar estatísticas que “tenham significado” num jogo de futebol. Um abraço.

  • Juliano

    Esta semi-final serviu pra expor os problemas do Santos, que não apareceram no fraco Paulistinha: ELENCO!

    Desde que Danilo foi pra Portugal não temos um bom LD. Fucile começou a jogar bem, machucou. Maranhão, mesmo fazendo um gol aqui e outro ali, não tem a confiança de Muricy, que prefere abdicar do setor ao escalar por ali um volante que não apóia – porque não é a dele, porque não é versátil.

    Com PHG tínhamos a Neymar-dependencia. E sem ele? Será pior! Como disse AK, ele achou o espaço, quem mais?? ELENCO! E se Neymar estivesse fora? Quem jogaria?

    No estadual, Santos x Corinthians tambem ficou marcado pela partida apagada do marcado Neymar e pelo passe preciso de PHG para Íbson (que já foi). A tônica será essa nas semi-finais, como foi contra o Velez, como foi contra o Vasco.

    Desde a semi-final do estadual contra o SPFC que Léo voltou e merece a titularidade. Juan não jogou bem ainda na Vila. A grande diferença entre eles é a seguinte: Léo é santista.

    O time precisa de mobilidade, e pra isso precisa de laterais. Elano precisa parar de tocar a bola pra trás e aparecer apenas em bola parada. No jogo todo ele tocou duas bolas pra frente, deram ótimo resultado. É pouco, ele pode mais. Adriano precisa de um calmante, estou pra ver o jogo em que ele será expulso e prejudicará o time.

    Alternativas do Muricy, do meio pra frente:
    1. Adriano, Henrique, Arouca, Elano; Neymar e Alan Kardec. (com Fucile na LD)
    2. Adriano, Arouca, Elano, Neymar; Alan Kardec e Borges. (como no ano passado na ausencia de PHG).
    3. Adriano, Arouca, Elano, Felipe Anderson; Neymar e Alan Kardec. (ano passado foi Alan Patrick)
    4. Adriano, Arouca, Elano, Gerson Magrão; Neymar e Alan Kardec. (quem é Gerson Magrão? Valha-me!)
    5. Adriano, Arouca, Elano, Léo; Neymar e Alan Kardec.

    Escolha uma. Não será fácil. Gosto mais da 1, 2 e 5.

    Será assim, no improviso. Logo, o Corinthians tem mais elenco. A defesa do Tite não toma gols, talvez seja melhor que a do Velez. Decide em casa. Sou santista, e pra mim o Corinthians é o favorito por tudo isso. Se PHG estivesse em campo em forma normal, não teria o menor palpite e não haveriam favoritos.

    E o calendário do Brasileirão’12 apresenta só pedreira pro Santos antes e durante o confronto das semis da Liberta. Some a isso os amistosos da Seleção e… Parabéns! Não vai ser nada fácil o Santos passar. Como se o Corinthians por si só não fosse dificuldade suficiente.

    Abraço!!!!

    PS: foi penalti no Rentería.

  • Essa marcação do Vélez em cima do Neymar é algo para o Tite estudar MUITO!!!

  • Thiago Mariz

    Acredito que essa marcação eficaz em Neymar serve para mostrar (embora os ufanistas não mudarão de opinião por causa disso) que ele ainda precisa jogar contra muitos times diferentes para mostrar que está ao nível de Messi, ou menos ainda, Cristiano Ronaldo, como tantos desejam que ele esteja. É claro que foram dois jogos apenas, pouco tempo para se adaptar às diferenças de jogo dos argentinos, mas creio que mostra que não é tão fácil pra ele quanto imaginaríamos que era antes. Ao contrário de Messi, que dificilmente encontra marcadores que o param.

    Sobre as estatísticas e o futebol que você falou numa resposta aos comentários aqui, AK, talvez seja por isso que esse esporte é tão popular. Não estar sujeito às estatísticas é um ponto extremamente positivo, na minha visão.

  • Vinicius Lemos

    Será que não estamos acostumados a ver isso no Brasil de parar o Neymar pq não temos arbitragens estrangeiras?

    Aqui acho que é tocar nele e é falta.

  • Lucas

    Não existe craque que não possa sucumbir a uma boa marcação. Isso valia para o Pelé, de fato um “extraterrestre” e vale também para o mimado e extremamente paparicado Neymar. Aqui em São Paulo e no Brasil, quando em partidas “comandadas” por árbitros brasileiros, da nossa máfia do apito, pródiga em fabricar resultados desde o tempo em que seu pai teve a coragem de noticiar estas prerrogativas. Hoje, somos todos coniventes e celebramos quando o resultado é “fabricado” ao nosso favor. Como no primeiro jogo entre Corinthians e Vasco, pela Libertadores, lá em São Januário, ou toda vez que o Corinthians do PT entra em campo e ganha um jogo para ajudar a turvar de vez a visão crítica do Bando de Loucos. Neymar terá marcação dura se um dia quiser mesmo ir para a Europa. De repente, logo agora, na decisão que se aproxima e dependendo do “Paulo Cesar de Oliveira” que apite, talvez os zagueiros do tal de Timão estejam liberados para intimidá-lo. A imprensa do jeitinho brasileiro se calará e todos irão destacar somente que faltou inspiração ao tal do menino-gênio, que será cultuado como semideus até o Mundial do Fome Zero em 2014, o Mundial do PT do Lula e da Dilma, totalmente a prova de Maracanazzo! Simplesmente uma imundície! Mais uma deste Brasil, cada vez mais com cara de China! E por falar nisso… Quando é que o “China” jogará pelo Timão do PT? Abraços…

  • Hélio

    Olá André, sabe que, assim que o Sheik foi expulso, a 1ª coisa que eu me lembrei foi desse seu post? Mesmo assim, que sofrimento até o apito final! Um forte abraço!

MaisRecentes

Campeão de novo



Continue Lendo

Inglaterra 0 x 0 Brasil



Continue Lendo

Domingo discreto



Continue Lendo