COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

MINHA CASA, MINHA VIDA

O mito da vantagem do mandante, desvendado por Tobias J. Moskowitz e L. Jon Wertheim no livro “Scorecasting”, nos informa que cerca de 60% dos jogos de futebol são vencidos pelo time que joga em casa. Esse é o número encontrado por uma análise de campeonatos de diferentes níveis, em diversos países, em qualquer momento da História.

Os torcedores do Bayern Munique que leram o livro devem estar ainda mais confiantes no momento sublime que poderão viver neste sábado. O time deles pode se tornar o primeiro a conquistar a Liga dos Campeões da Uefa no próprio estádio. O fato aconteceu pela última vez quando a Internazionale levantou o troféu em San Siro, em 1965, quando o torneio era disputado em outro sistema e tinha outro nome. Desde 1992, com o formato e a nomenclatura atuais, nenhum clube conseguiu ao menos disputar o título em casa.

O Bayern já superou um tabu, portanto. Enfrenta a escrita desde que sua Allianz Arena foi escolhida para receber a decisão, tratou a missão como estímulo psicológico para manter o sonho vivo, chegou ao grande sábado com a chance de construir algo verdadeiramente histórico. Mas não deve se deixar levar pelo percentual que insiste em favorecer o mandante.

Moskowitz e Wertheim concluíram que as vitórias caseiras se explicam pelo comportamento da arbitragem, influenciada inconscientemente pelo local do jogo e pelo ambiente que se cria. É da natureza humana a tendência a acompanhar a maioria, influência que condiciona o apito sem que os homens de preto percebam.

Mas o ambiente logo mais na casa do Bayern será bem diferente do que se vê nos jogos do time. A Uefa disponibiliza o mesmo número de ingressos para cada finalista, o que resultará num estádio dividido entre torcedores do Bayern e do Chelsea. De fato, o time alemão é considerado mandante em seu próprio jardim não por propriedade, mas sorte. Foi o sorteio das quartas de final que determinou cruzamentos e ordem de jogos até a decisão. As bolinhas estabeleceram que o vencedor da semifinal 1 (Real Madrid x Bayern) seria o “time da casa” no jogo do título. Oficialmente, até o nome da casa mudou. Como a companhia de seguros que estampa sua marca no estádio não é patrocinadora da Uefa, a entidade o chama de “Arena do Futebol de Munique”.

É claro que estar em Munique e manter a rotina normal na cidade deixa os jogadores do Bayern mais confortáveis, assim como decidir o título europeu no gramado que conhecem tão bem. Mas, de acordo com os autores de “Scorecasting”, tais condições nada têm ver com os resultados de jogos. De qualquer forma, é certo que os jogadores do Chelsea se sentirão como os visitantes que são.

A grande diferença está na vida do torcedor do Bayern, que tem o jogo mais importante do ano realizado em seu quintal, e com seu time em campo. Tudo o que ele precisa fazer é descobrir um jeito de entrar, e torcer como nunca. Se der certo, o sábado terminará de maneira inédita, as memórias serão ainda mais bonitas. E a vantagem do mandante se confirmará.



  • Guilherme

    Esta coluna ficou ainda mais legal, sendo lida depois do jogo…Parabéns !!

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