O LINK DA LIGA



A História dirá que o Chelsea (1 x 1 com o Bayern, 4 x 3 nos pênaltis), pela primeira vez, conquistou a Liga dos Campeões em 2012.

O ano do Allianzazo.

Foi também a primeira vez que o Bayern perdeu uma decisão por pênaltis em competições europeias, justamente em sua casa.

A “maldição do dono do estádio da final” permanece. E o time alemão se junta à Roma como os únicos que perderam o título dessa forma, ainda mais dolorosa.

O jogo se desenrolou conforme o esperado.

O Bayern teve mais iniciativa, mais posse, mais chances (8 a 4 nos chutes a gol, 20 a 1 nos escanteios).

O Chelsea esperou, marcou, manteve suas linhas recuadas e bem próximas.

Os ingleses não se recusaram a jogar, como nas semifinais, mas claramente entraram em campo para aplicar um plano de jogo defensivo e oportunista.

O contra-ataque que lhes ofereceria a chance de um gol decisivo não aconteceu. A ausência de Ramires pode ter algo a ver com isso.

Os alemães, com Muller num meio de campo que não precisava se preocupar em marcar, não teve a contundência que se poderia esperar do time que era superior tecnicamente e decidia um título em casa.

As ambições do Chelsea pareceram destroçadas quando Muller cabeceou para o chão, a bola quicou e conseguiu passar por cima de Cech.

O gol do Bayern saiu aos 38 minutos do segundo tempo.

Mas se há uma virtude incontestável neste time do Chelsea é a resiliência. Após um escanteio do lado direito, Drogba cabeceou forte. Neuer tocou na bola, mas não impedi-la de entrar. Eram 43 minutos.

As esperanças dos torcedores ingleses voltaram a ficar por um fio no começo da prorrogação, quando Drogba fez um pênalti tolo em Ribéry.

É louvável que o atacante marfinense se disponha a ajudar na defesa, mas seu meio é outro.

Robben bateu muito mal, o que diante de um goleiro como Cech é um erro que não tem perdão.

Quantos jogadores estiveram a um gol da glória, e falharam, tantas vezes quanto Robben? Casillas no Soccer City, Cech na Allianz Arena, lhe negaram momentos que definem carreiras.

O Chelsea recusava-se a ir embora e o Bayern sentia a figura de Cech assombrar uma eventual decisão por pênaltis.

Faltou força ao bom time alemão, em todos os aspectos, para criar o próprio destino.

Nos pênaltis, cruel fábrica de vilões, o futebol foi sarcástico com Schweinsteiger. Boa atuação, falha na cobrança.

Não foi a primeira vez.

Foi, sim, a primeira vez para o Chelsea, campeão europeu.

Um título que coroa a carreira de Drogba, extraordinário atacante que carregou seu time em tantos momentos.

Que faz o mesmo com Lampard, meio-campista inteligente e perseverante.

E também com Cech, certamente um dos melhores goleiros que já vimos.

Um título para ser muito comemorado pela torcida do Chelsea, que nada tem a ver com a fortuna de Abramovich.

Para ser respeitado por todos, por ter sido conquistado de maneira limpa, independentemente das opiniões sobre forma de jogar. O futebol proporciona convicções e estilos distintos.

A propósito: para quem, como eu, prefere outro tipo de jogo, este sábado não foi ruim.

O futebol é cíclico e a vitória do defensivismo, da aposta no erro alheio, obrigará treinadores e times mais criativos a encontrar novas maneiras de vencer.

O caminho para Wembley começa em setembro.

Parabéns ao Chelsea.



  • Anna

    A primeira vez não se esquece. Chorei como se fosse um feito do Vasco, único time que me fez e faz chorar. Drogba é rei, Cech, a muralha. Seu post é perfeito,como sempre.Não gosto da origem do dinheiro de Abramovich, mas o Chelsea é um time centenário, que tem torcida e ama as suas cores. Blue is the color.Simples assim. Obrigada por suas palavras, diferentes de algumas que li. Por isso seu blog é do jeito que é: único. Grande abraço, Anna

  • Willian Ifanger

    O Bayern não pode reclamar de nada mesmo…..teve todas as chances de ser campeão e não as aproveitou. Vai ter que lamentar muito mesmo os erros que lhe tiraram o título.

    Não gosto nem um pouco de como o Chelsea se propõe a jogar futebol. Pra mim é um comportamento canalha, de um time que entra em campo pra não jogar futebol. Me recuso a achar que isso é a beleza de um sistema defensivo bem feito.

    Da mesma maneira que não admiro em nada um grupo de jogadores – mesmo tendo um goleiro incrível e um atacante monstruoso – que se propõe a fazer corpo mole pra derrubar um técnico, arriscando uma temporada toda. Sorte deles que deu tudo certo no final das contas.

    O torcedor tem que comemorar mesmo, porque o título é legítimo. E o time vai ter ali seu lugarzinho na história do futebol.

  • Brilhante crônica, André.

    Mesmo jogando feio, os “ingleses” nos proporcionaram uma partida memorável ao buscar um empate aos 88 minutos e segurá-lo firme pelas mãos do Cech, já na prorrogação.

    Acha que o Santos conseguiria jogar de igual para igual contra o Chelsea, se for à Copa do Mundo de Clubes este ano?

  • Thiago Mariz

    Debatendo o jogo com um amigo, fiquei me perguntando se o Chelsea é realmente o sucesso de um modelo de jogo. Tudo bem, ele foi campeão. Mas existe um livro chamado “O andar do bêbado”, que fala da influência nítida (maior do que somos capazes de perceber) do acaso em diversos acontecimentos que parecem ter sido “premeditados, construídos”. Acredito que uns conseguirão entender que não estou tirando do Chelsea todos os créditos do título. Entretanto, se falássemos do jogo do Barcelona, seria possível mostrar que, sim, o Chelsea teve sua parcela de competência, mas o Barcelona foi bem mais incompetente do que o Chelsea competente. Vamos à final.

    Ninguém conseguirá me convencer, a não ser o próprio treinador do Chelsea afirmando, que os ingleses entraram com o propósito: “Estamos aqui para ir aos penaltis.” Isso só existiria se a final fosse entre Bayern de Munique x … um time bem mais fraco. Então, assumamos que a tática do Chelsea seja: vamos defender, chutar a bola para Drogba e ele vai fazer o gol. Se essa era a tática…

    Sim, o Chelsea defendeu muito bem, porém o Bayern atacou MUITO mal. Ok. Uma parte foi cumprida, mas a outra, ESSENCIAL para se conquistar a vitória, não aconteceu. Em NENHUM momento do jogo. Portanto, a tática falharia se o Bayern tivesse apenas um lance mais feliz. O que aconteceu. O gol do Bayern colocou o jogo do Chelsea abaixo.

    Não é possível nem afirmar que, após isso, os blues pressionaram de forma contundente. No ataque, contaram com um lance isolado e fizeram o gol. Voltaram à tática de antes. E aí, o Bayern, mais uma vez, teve a chance de vencer. E perdeu. Isto é, a tática do Chelsea só foi bem-sucedida por contar com um lance isolado e por uma incompetência do Robben.

    Se fosse apenas um jogo, tudo bem. Sorte de vencedor, diríamos. Mas desde os jogos contra o Barcelona isso vem ocorrendo. Então, pra mim, o acaso teve uma parcela de contribuição nessa vitória.

  • Regis Forti

    André, o Drogba venceu 3 Premier Leagues, 4 FA Cups, 2 Copas da Liga, 2 Supercopas e 1 Champions League. Detalhe: gols em TODAS as finais de Copas (exceto na Supercopa de 2009). Impressionante…

  • Ed Junior

    E o Chelsea foi campeão. Fez Historia, tornou-se um vencedor, um imortal… Sim haverá imortalidade para esse titulo do Chelsea, como há para a Alemanha de 54, a Italia de 82, a Grécia de 2004. São todos titulos legítimos que fizeram historia . A seu modo. São campeões graças mais as falhas dos adversarios do que com seus próprios méritos. A aplicação tatica na defesa não foi decisiva, decisivas foram as falhas que nao foram provocadas pela forte marcação, ao contrario, varias vezes o time do Chelsea foi totalmente envolvido nos jogos, e por questões de falhas alheias safou-se. A questão tática-tecnica não foi o mais relevante, e sim a incompetência dos outros, ai sim residem as razoes da vitoria do Chelsea. Parabens aos campeões que aplicaram a tática mais antiga do mundo de não jogar e esperar bolas vadias e erros, isso dá muito certo, pois o futebol é um jogo irregular e que o sistema de marcação de pontos é altamente instavel, vale a pena apostar na sorte. De tática mesmo isso não tem nada novo, ou de mérito… qualquer um pode dizer para seus jogadores: “façam duas linhas de 5 na frente da área”, quero ver quem faz gol, se essas linhas foram forte e rápida e atrás ainda tiver um goleiro bom (Guardiola definiu bem a questão: “Não é fácil quando jogam com 10 dentro da área”) muito fácil ser comentarista do resultado. ganhou é maravilha, perdeu nao presta. Futebol nao é isso não… Futebol é pensar a complexidade do jogo. Penso… , Parabens aos vencedores, ganharam o titulo, na memória a batalha continuará eternamente, times melhores como a Italia de 82 perdem constantemente essa batalha. O Barça de Messi já é como o Real de Di Stefano, ou o Santos de Pelé, ou o Flamento de Zico, o Botafogo de Garrincha, o Palmeiras de Ademir: já ganhou todas as batalhas possiveis. Conformem-se os defensores da vitoria a todo custo. Assim como eu ja me conformei com o grande e imortal campeão Chelsea e sua retranca óbvia e sortuda. É a vida, ganha-se umas batalhas, perdem-se outras; o titulo do Chelsea para sempre será comemorado e malhado como retranqueiro, sendo verdade ou não, e claro q é verdade né…

  • Leonardo jp

    Acompanhei aqui do japao tudo.
    No final o que importa e a alegria da comemoracao, de um titulo dificilimo.
    Mas, ( tinha que ter um mas ), fiquei um pouco constrangido pelo entusiasmo demasiado do Bosingwa, parecia que ele tinha feito 5 gols e tirado 6 bolas de cima da linha. Eqto o Cech , Drogba , Lampard quase nem pegaram na taca direito.
    Fora isso parabens p o Chelsea.

  • Caio

    É isso ai meu camarada!!
    Parabéns ao Chelsea!!

    E, sinceramente, estou com pena do Robben…

  • Marcos Vinícius

    “O futebol é cíclico e a vitória do defensivismo, da aposta no erro alheio, obrigará treinadores e times mais criativos a encontrar novas maneiras de vencer.”

    Isto também se aplica ao Barcelona?

    Mais uma vez,o time medíocre venceu.

  • Rita

    Realmente não compreendo como um time europeu – q tem um baita goleiro, um bom meio-campista e um grande atacante – joga da forma como joga o Chelsea.

    Não gosto do futebol deles mas de fato estão de parabéns pelo renascimento durante a liga e no jogo final.

  • Juliano

    A vitória do “Parreirismo”. De novo.

    A final foi uma festa para a Adidas. Os finalistas, juízes e até a bola, vestia a sua roupa. Durma com essa, Nike.

    O penalti a favor do Bayern voltou-se contra o próprio time. O que era para lhes colocar em vantagem, colocou, ironicamente, em desvantagem: perdeu dois dos seus melhores jogadores. Ribery não pode continuar com dores após a falta de Drogba. E depois do erro, o time alemão perdeu também Robben. Tentou mais alguns chutes, dignos de um kicker de futebol americano, e acovardou-se (ou fora acovardado) para bater na decisão por penaltis. Lamentável!

    Impressão minha ou Lampard escolheu as cobranças diante da torcida alemã? Estranho! Deu certo…

    Mudando o foco… Ramires tem provado o quão valioso é em suas funções, em especial no contra-ataque, e provou isso no melhor campeonato de clubes do mundo. Provou contra os melhores. Daí não convocá-lo, abrindo mão da bela dupla que poderia fazer tendo Neymar ao seu lado justamente em contra-ataques, é falta de notar o óbvio. É cegar-se. E abdicar o uso mínimo da inteligência.

    Abraço!

  • Nilton

    “Toda equipe tem o direito de jogar do jeito que pode e sabe. O que não se deve é enaltecer o futebol medíocre por causa de uma vitória”

    Tostão.

  • Juliano

    Ainda: tive a impressão que Cech se adiantou (não muito, um pequeno passo, mas se adiantou) em todos os penais, inclusive o penalti dentro do jogo. Não que isso tire o mérito dele ou diminua suas defesas, jamais. Alguém teve a mesma impressão?

  • Alberto Pereira

    Comparar o Fla de Zico, com Santos, Real Madrid, Barcelona, é uma forçação de barra inacreditável.Lembrem-se, Bangladesh tambem é uma “nação”, com 100 mi de habitantes, bem comparável à torcida do fla!!

  • Ailton

    Pode ser que não tenha tido nenhuma influência, mas tirar um garoto de 20 anos que acabou de fazer o gol do título até aquele do momento, que estaria em campo, nos 8 minutos finais correndo pelo time todo, sem contar que o gol do Drogba saiu num erro de marcação ocasionada pela saída do Muller na minha opinião, o Chelsea não acabou merecendo o título?

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