CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

MODELO DE GESTÃO

(Escrevo antes da rodada da Copa do Brasil. Portanto, o texto abaixo não deve ser relacionado a nada que tenha acontecido ontem à noite, no Morumbi.)

A diretoria do São Paulo nem precisaria ter autorizado Émerson Leão a reintegrar Paulo Miranda ao time. Depois do constrangedor episódio do “sequestro” do zagueiro, dez dias atrás, não restava outra opção ao técnico senão escalá-lo na primeira oportunidade.

Questão de dignidade, até. Paulo Miranda estava concentrado para enfrentar a Ponte Preta, em Campinas. A cúpula são-paulina decidiu retirá-lo do jogo com ou sem a concordância de Leão, que escancarou a interferência em sua área – a técnica – na entrevista após a partida. Não é preciso ser um psicólogo para saber o que o treinador faria assim que Paulo Miranda voltasse do exílio forçado.

Mas o problema não é mais a intervenção, que, de fato, teve duas partes. O confisco do zagueiro e depois a liberação, anunciada publicamente. O problema é a relação fraturada entre Leão e seus chefes. Os dois lados estão magoados, ainda que os dirigentes sejam os únicos responsáveis por um conflito absolutamente desnecessário. Se os envolvidos na auto-sabotagem do time não tivessem agido como torcedores com poder, não estaríamos aqui tratando desse assunto.

Acima de Leão, há quem entenda que o desempenho do técnico diante das câmeras em Campinas deveria ter sido mais conciliador. Em vez de entoar o “eu cumpro ordens”, Leão poderia ter oferecido a mentira apaziguadora, o “eu participei da decisão”. Uma suposição que revela incrível desconhecimento da personalidade do treinador. Em todo o caso, ainda na visão dos cartolas, ao dizer a verdade Leão não só jogou a granada na direção deles, como retirou o pino. Se Luis Fabiano não tivesse marcado o terceiro gol, uma semana depois, o artefato teria explodido .

O que se percebe agora é uma convivência cínica, além de uma evidente divisão. De um lado, técnico e time, juntos, disputando uma Copa do Brasil perfeitamente “ganhável”. Do outro, a hierarquia, de costas, tentando encontrar coragem e oportunidade para substituir mais um técnico.

Tudo por causa da genial ideia de produzir um culpado pela eliminação no Campeonato Paulista. Num clube em que o técnico não indica, não contrata, não dispensa. Só escala, quando autorizado.

MAESTRIA

“Toda equipe tem o direito de jogar do jeito que pode e sabe. O que não se deve é enaltecer o futebol medíocre por causa de uma vitória”. A frase é de autoria de Tostão, em sua coluna na Folha de S. Paulo de ontem. Tostão refere-se ao Chelsea e à forma como o time inglês se classificou para a decisão da Liga dos Campeões da Uefa. Notável capacidade de transmitir conceitos, com experiência e simplicidade raras no mercado.

ÓCIO

Convenhamos, a situação no COL-2014 é cômica. Dos apelidos às histórias internas, dos atrasos nas obras às explicações fajutas, dos altos salários aos poucos trabalhos. E quando vaza um documento que expõe como a Fifa, dona do negócio, vê o andamento das coisas, gasta-se energia para negar o inegável. E para descobrir quem foi o responsável pelo vazamento. Como se houvesse pouco a fazer na agenda de quem pretende organizar uma Copa.



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