CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

EXEMPLOS

Paulo Henrique Ganso disse ao SporTV que Andrés Iniesta e Alex são suas inspirações. Para quem admira o futebol do meia do Santos, a declaração faz todo o sentido e é animadora. Revela a opção pelos neurônios, pela classe, pelas características que o jogo deveria preservar, ao invés de rejeitar.

Iniesta é um dos viabilizadores do sistema do Barcelona. Suas qualidades como gerador de jogadas foram detectadas bem cedo. Sobre ele, um relatório de técnicos de base do clube disse que “esse garoto vê o que acontece à sua frente muito antes dos outros”. Iniesta tinha 15 anos. Sua relação íntima com a bola e a forma quase litúrgica com que dela se despede inspiraram Juan Riquelme – outro maestro – a declarar que “Messi não conta, é de outro planeta. Neste jogo, o melhor é Iniesta”.

Alex, hoje no Fenerbahçe, é outro espécime dessa família de jogadores cujo DNA é o equivalente ao sangue azul do futebol. São os que têm o dom de transformar pedras em plumas. Torcedores do Palmeiras e do Cruzeiro lembram de Alex com a mão no coração. Ele foi o processador de times que não deixaram apenas títulos, mas memórias que o tempo não corrói. Alex joga com a sabedoria que simplifica o que é incompreensível para a maioria. Quando tem a bola, tudo fica mais claro.

O futebol precisa de gente como Iniesta, Alex e Ganso assim como a gastronomia precisa de chefs. Sem eles, o jogo se converterá numa gigantesca cadeia de comida rápida, sem sabor ou valor nutritivo. Mas, infelizmente, o que se vê é a supervalorização do restaurante por quilo.

Ganso tem sido alvejado por uma desnecessária comparação com Neymar e por sugestões para se tornar “mais completo”. Cobra-se dele uma presença mais freqüente na área adversária, ou uma participação mais intensa nos movimentos das partidas. Confunde-se seu temperamento sereno com falta de compromisso ou vontade. Pede-se que ele faça o que os menos privilegiados fazem, sob pena de perder seu espaço no “futebol de hoje”.

Pois bem. O futebol de hoje é um esporte em que jogadores como Ganso fazem evidente diferença, desde que equipes sejam configuradas para aproveitá-los. Não o contrário.

Ganso acerta em cheio ao escolher seus exemplos.

DOR REAL

Na decisão da Liga Europa da Uefa, conquistada com todos os méritos pelo Atlético de Madrid de Falcão Garcia e Diego, as imagens que marcaram mais foram as lágrimas dos jogadores do Athletic Bilbao. Não se vê choro de tristeza, assim, autêntico, todos os dias. O profissionalismo produz jogadores alugados e camisas descartáveis. A angústia dos jovens bascos é real, rara e bonita. Serve para nos relembrar como o futebol deve ser.

ASSINA AÍ

A intervenção do governo federal brasileiro na organização da Copa do Mundo é mais clara do que um chute no traseiro. Digam o que quiserem, finalmente ligaram o “modo emergência”. Até demorou. A medida sepulta de vez a mentira da Copa sustentada pela iniciativa privada, vendida por Ricardo Teixeira. Uma mentira embalada pelos interessados, e comprada pelos inocentes. Quem vai pagar é você, com muito orgulho e com muito amor.



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