AS RODADAS DAS COPAS



O Corinthians teve o tratamento de time visitante na Libertadores.

Pelo clube que deveria recebê-lo com gentileza e pelo apito que deveria vê-lo com neutralidade.

Mas, na Libertadores, o visitante é tratado com hostilidade pelo adversário e com parcialidade pelo árbitro.

Não é certo. Mas é tradicional, histórico, corriqueiro, quase normal.

E não é preciso que um pênalti seja inventado, ou que um jogador seja expulso sem merecer, para que uma arbitragem seja tendenciosa. É só apitar para o mandante em lances duvidosos, usar critérios distintos para lances iguais, desequilibrar o número de faltas.

A arbitragem do empate (0 x 0) com o Emelec não foi além disso.

Para quem viu o jogo – e detectou o que aconteceu – as reclamações do presidente Mário Gobbi soam desproporcionais.

Parecem ter origem em algo que se sabe, mas não se pode provar.

E parecem ter o objetivo de condicionar o árbitro do jogo de volta e dos demais.

O que também é histórico na Libertadores.

Sobre bola rolando: o Corinthians se defendeu muito bem e se beneficiou de uma ótima estreia do goleiro Cássio, que mostrou tranquilidade e personalidade, duas características necessárias para superar o teste a que foi submetido.

O contragolpe era um objetivo que não foi atingido.

Jorge Henrique não poderia ter se colocado sob risco de deixar o time com um a menos, o que teria impacto no placar se o adversário do Corinthians fosse melhor do que o Emelec.

Empatar fora nunca é ruim.

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Assim como nunca é ruim vencer em casa, mesmo tomando um gol, como fez o Vasco (2 x 1 no Lanús, golaço de Diego Souza).

Um gol vascaíno no jogo de volta será enorme.

Erra o torcedor que critica seu técnico porque o Vasco vencia por 2 x 0 e sofreu um gol.

Em mata-mata, é preciso viver um jogo de cada vez. E o foco deve estar naquilo que é necessário para continuar vivo.

Em São Januário, o necessário era vencer.

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Duas notas sobre a Copa do Brasil:

* Lindo gol de Marco Antonio, na vitória do Grêmio (2 x 0), fora de casa, sobre o Fortaleza.

* A derrota para a Ponte Preta (1 x 0) é obviamente preocupante para o São Paulo. O time não jogou bem em Campinas, e receberá um adversário que não tem a menor dúvida de que pode sair do Morumbi classificado. A Ponte tem o exemplo, e o estímulo, do que fez no Pacaembu no Campeonato Paulista.

Mais preocupante do que o placar do jogo de ida é a auto-sabotagem que a diretoria são-paulina praticou, com o afastamento de Paulo Miranda.

Coisa de torcedor com poder, não de dirigente.

Paulo Miranda foi mal contra o Santos. Não foi a primeira atuação ruim dele. Daí a tratá-lo como se tivesse dado uma voadora no peito de um companheiro no vestiário, é uma longa distância.

E afastá-lo sem a concordância do técnico do time, um equívoco sem tamanho.

O que a diretoria do São Paulo conseguiu é raro. Instalou um problema interno onde não havia nenhum.

O que se tem agora é um jogador vitimizado, um elenco indignado e um técnico desautorizado.

E um placar para virar na quinta-feira, sob risco de eliminação.



  • Leandro Azevedo

    Por partes:

    – Como é fraco o time do Emelec… e o Corinthians ontem sem Liedson atacava com pontas, mas não tinha um jogador de área para receber as bolas.

    – Que golaço do D. Souza.

    – O gol do M. Antonio foi digno de um filme de artes marciais.

    – E o SPFC agora varzeou de vez. E ainda vão fazer um busto para o JJ.

  • Luiz

    Foi o Adalberto Batista. Frustrante.

  • Hey André!

    Permita-me incluir mais uma frase ao seu texto. Para finalizar:

    “De uma competição que ainda não foi campeão.”

    Abraços!

  • Marcel de Souza

    Nem parece que até alguns anos atrás o São Paulo era exemplo de organização. De uns anos pra cá a coisa tá triste. Sempre que um presidente assume assim o poder absoluto o final nunca é bom…

  • Ado Marcelo

    André, a indignação começa quando o time não pode treinar no campo. Passa pela péssima e má intencionada atuação do árbitro e o exagero é por conta da pressão sobre esse clube para vencer o torneio.

    Com o alcance maior da champions league pelas bandas de cá, cada vez mais os clubes brasileiros vão perder interessados em assitir essa palhaçadas que temos presenciado todo ano. Objetos atirados nos jogadores, brigas generalizadas ..

    Será necessário que algum atleta ou dirigente tenha ferimentos mortais para que se faça algo?

  • Willian Ifanger

    O Vasco ganhou de 2×1 e saiu vaiado….o Boca ganhou de 2×1 e saiu ovacionado. Tudo bem que foram desenvolvimentos de jogos diferentes, mas creio (não vi o jogo do Vasco) que o Vasco teve uma atuação melhor que a do Boca. O que realmente importa no jogo de ida, em casa, é vencer. O outro jogo é outro jogo. É de se lamentar o gol sofrido depois dos 2×0, mas jamais pra se vaiar.

    E é incrível como o São Paulo não sabe digerir uma derrota (aliás, já faz um tempo isso). Perdeu um jogo, jogando bem, contra o Santos. Ao que me consta o Santos é, sem dúvida, o time mais bem montado e organizado no futebol brasileiro. A derrota seria normal, do jogo. Ainda mais que nenhum jogador se deu por vencido durante o jogo, mesmo perdendo.

    Perdeu o clássico nos detalhes? Sim, faz parte de um time em formação, tem que corrigir. Paulo Miranda vem falhando? Ok, mas isso cabe ao técnico avaliar e preservar o jogador. E, pelo que se passou na quarta, a culpa não era dele.

    O vários “torcedores com poder” (brilhante, André) criaram um problema infantil. Aliás, seguindo a linha de pensamento deles que o culpado é apenas esse jogador: e quem contratou ele? Não é culpado também?

    Eu acho que classifica, mas esse arranhão vai demorar pra cicatrizar.

  • RENATO

    Voce não acha que a importância indiscutível da CLA não pode passar por cima da racionalidade e do bonsenso quando se analisa um jogo e o próprio campeonato?
    Pela importância que tem, se admite coisas que quando acontecem no futebol brasileiro são consideradas “escândalos”, exemplo aquela partida entre SCCP e Cruzeiro, penalti em Ronaldo. Ou Spray de pimenta nos vetiários do Parque Antártica. Ou a perpetuação de um dirigente, com conduta pra lá de duvidosa, no comando da entidade que comanda o futebol…passando pela premiação que beira o ridículo. Poderia ficar citando exemplos por mais algumas linhas.

    Esse “descritério”(titês) de boa parte da imprensa é que soa mal, e em nada contribui para que se mude esse cenário, que via de regra é contrário ao futebol brasileiro..pois cá entre nós, só mesmo todo esse contexto é que consegue fazer com que os times brasileiros não dominem totalmente essa competição. Estaríamos numa hegemonia absoluta(mesmo assim estamos quase lá) não fosse todos esses fatores.

    O fato do “reclamante”, nesse caso, nunca ter levantado a taça, não invalida a reclamação.
    Enfim, em função da sua importância, o que era pra ser defeito, desonesto e antidesportivo, boa parte da mídia prefere tratar como “charme”.
    Abraço.

    AK: De acordo. Escrevi sobre essas barbaridades na semana passada, após o jogo do Santos na Bolívia. Quando – e se – clubes importantes se rebelarem, isso acaba. Um abraço.

  • Marcelo Morais

    O SPFC estah, mais uma vez, fora da Copa do Brasil. Deve tomar gol(s) da AAPP no Morumbi – pois toma gols em todos os jogos – na proxima semana e nao deve conseguir vencer por dois gols ou mais de diferenca. O SPFC tem um bom elenco, mas joga como time amador. Todos correndo desorganizadamente ao ataque, o “craque” do time querendo resolver os jogos sozinho e o sistema defensivo semi inoperante.

    Enquanto isso, a administracao JJ continua fazendo historia. Jah batemos o recorde de eliminacoes nas semifinais do Paulista. A proxima marca a ser quebrada eh o periodo sem titulos – serao quatro anos ao fim de 2012. E continuaremos contando. E erguendo bustos.

  • Anna

    Tb achei a reação da torcida do Vasco exagerada, mas o confronto está aberto. Cristóvão mexeu mal. Renato e Rodolfo não comprometeram e Felipe e Juninho podem e devem jogar juntos. E Diego Souza fez um golaço, uma pintura!

  • Rita

    De fato, “Coisa de torcedor com poder”.

    Claro que vencer o melhor time do país daria muita moral, mas não deu. Vida que segue, daí essa trapalhada da diretoria e péssimo futebol na sequência… Lamentável!

  • Sergio

    Assino embaixo do que disse

  • Rodrigo CPQ

    Caro AK, como são as coisas! Vou por tópicos, para não embolar o meio de campo:
    – home do UOL dava uma manchete mais ou menos assim, no começo da noite: “Gobbi considera Paulistão melhor que Libertadores”. Ouvi a entrevista na Jovem Pan, e ele considera o Paulistão “mais organizado” que a Libertadores. O foco de certos setores da imprensa brazuca, quando deveria ser a desorganização do torneio, se vira para manipular declarações e gerar mais cliques;
    – o que houve ontem no Equador foi peixe pequeno, mas me parece que a reclamação principal da delegação corintiana foi o tom provocativo do árbitro, com risadinhas irônicas aos jogadores do Corinthians e brincadeiras com os jogadores do Emelec;
    – a atitude da diretoria do São Paulo a aproxima mais ainda da CBF. O que poderia ser resolvido internamente, virou uma baita polêmica, assim como a tal obrigatoriedade de checar a lista de convocados de Mano Menezes. Dois casos distintos, resolvidos com a sutileza de uma mão de pau, com polêmicas parecidas e desnecessárias;
    – e a Universidade de Chile vai tomando de 4×1 do Deportivo Quito… quem diria…

    Desculpe pelo texto longo… abraços.

  • Felipe Lima

    Quanto ao “tratamento” dispensado aos times brasileiros na Libertadores.

    Uma ideia meio radical surgiu: um boicote à competição. Mas um boicote SÉRIO, nenhum time daqui poderia cogitar participar.
    Das duas, uma: ou a Conmenbol veria que perdeu um mercado rentável (Brasil, por mais coisa errada que exista por essas bandas, possui os clubes com maior poder aquisitivo.) e tentaria agradar novamente esse mercado, ou o Leoz nos daria uma “banana” e ficaria por isso mesmo.

  • Teobaldo

    Prezado André Kfouri

    Ao fazer “um passeio pelo site da uol” observei que um blog relaciona os nomes de diversos jornalisatas esportivos e os clubes para os quais os mesmos torcem e lá está escrito: André Kouri – Corinthians. Não que eu ache que isso obrigatoriamente interfira em análises ou opiniões, o que faz de mim um frequentador assíduo deste espaço, como leitor e, às vezes, como pretenso interlocutor, mas não posso deixar de registrar a minha surpresa, pois eu tinha a plena convicção que você era atleticano. Gaaaaalllllloooooo! Um grande abraço e um bom final de semana a todos.

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