CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

ÓCULOS

Há algo de cômico – no sentido comiserado da palavra – no comportamento de quem espera por uma derrota do Barcelona para destilar opiniões sobre futebol.

É natural que o sucesso caminhe de mãos dadas com a inveja. É perfeitamente normal que, quanto mais um time vença, mais gente queira vê-lo caído. O ponto não é esse. O ponto é a antipatia que se permite nutrir por um time (o time, não o clube, que tem interesses e envolvimentos controversos como qualquer outro) espanhol, sem qualquer motivo.

O sujeito passa os dias reclamando da feiura do futebol que consome diariamente, lamenta a monotonia dos jogos, a irracionalidade dos horários, a inconsequência dos cartolas. Quando surge um time diferente, que faz as coisas de um jeito próprio, ele é combatido como se fosse um funcionário protegido, um queridinho da professora.

Não existe um modelo único de jogar futebol. Exceção feita aos times que entram em campo para bater e fazer cera, há que se respeitar os distintos posicionamentos utilizados em nome da vitória. É evidente que ninguém é obrigado a gostar de como o Barcelona monopoliza a bola, troca passes e se instala no campo do adversário. Mas como dizemos às crianças, é preciso experimentar antes.

No caso, experimentar é entender. Quem diz que o Barcelona pratica um futebol de “toquinho de lado” poderia procurar a documentação já publicada sobre os fundamentos dos “toquinhos”. O material é vasto, em livros e na internet. Visitar o Google e inserir “juego de posición” na área de busca já seria um bom começo.

E é óbvio que o passaporte de Lionel Messi tem seu papel nessa espécie de anti-barcelonismo, pois a ignorância – hobby de uns, profissão de outros – não conhece limites. Deve ser excitante a vida de alguém que, um segundo após um pênalti desperdiçado, se põe a declarar que o melhor jogador do planeta é uma invenção. Por ser argentino.

Só há um time no mundo do futebol que obriga o oponente – qualquer oponente – a reconhecer a própria inferioridade e adotar uma versão piorada do que realmente é. A ferramenta que esse time utiliza é a essência do jogo, seu primeiro e mais importante fundamento: o passe. O fato de esse time perder partidas e campeonatos não nega a identidade que é sua propriedade particular.

Pobre de quem não enxerga.

PASSIVIDADE

Surpreendente a paralisia do Real Madrid, vencendo por 2 x 0 em casa. Resolveu recuar e especulou durante todo o segundo tempo. Pode ter sido o cansaço pós-clássico espanhol, o conservadorismo de José Mourinho, a tensão dos jogadores. O Bayern Munique jogou com iniciativa e coragem, e se classificou com justiça. O time alemão pode ser o primeiro a festejar o título europeu em seu estádio, desde a Internazionale, em 1964/65.

ATIVIDADE

Monstruoso desempenho de Manuel Neuer e Iker Casillas, na disputa de pênaltis que decidiu o finalista da Liga dos Campeões. O alemão foi buscar os dois primeiros chutes, de Cristiano Ronaldo e Kaká, e deu vantagem ao Bayern. O espanhol defendeu as cobranças de Kroos e Lahm, para recuperar as chances do Real Madrid. Nenhum dos dois goleiros se adiantou, como se tornou tão comum. Não vimos pênaltis “com barreira” em Madri.

______

ATUALIZAÇÃO: A respeito da nota acima, sobre a postura do Real Madrid no segundo tempo da semifinal contra o Bayern, já temos a resposta.

Reportagem de Diego Torres, publicada no El País desta sexta-feira, informa que Mourinho mandou o time recuar. No intervalo, a ordem foi puxar as linhas para trás e “conservar energia”.

Casillas foi o único a falar publicamente sobre o tema.



MaisRecentes

Vencedores



Continue Lendo

Etiquetas



Continue Lendo

Chefia



Continue Lendo