NOTAS DA AMÉRICA



A torcida do Internacional não deve lamentar o 0 x 0 de ontem.

Eu sei, o pênalti perdido por Dátolo tem gosto amargo, dificulta a análise otimista do que poderia – deveria ? – ter sido uma vitória em casa.

Mas olhar para o placar não é olhar para o desempenho. E para olhar para o desempenho, é obrigatório lembrar que o Inter não teve sua força máxima contra o Fluminense.

Confrontos domésticos eliminam uma das principais características da Libertadores. Quando times de países diferentes se encontram, não ocorre um “jogo de 180 minutos”. São dois jogos de 90 minutos, diferentes entre si.

A partida de volta é condicionada pelo resultado da ida e pela mudança de território.

Quando vemos um Internacional x Fluminense, a noção de um tempo em cada casa, bem parecidos, fica mais clara.

Não foi ruim o jogo de ontem no Beira-Rio (0 x 0). Como se esperava, ninguém correu riscos extremos. Joga-se pensando que o confronto não é decidido na ida, e o que termina acontecendo é isso mesmo.

Nenhum motivo para imaginar que os comportamentos de ambos serão distintos no Engenhão. Serão apenas invertidos, com o mandante um pouco mais agressivo.

Até um gol sair. Essas partidas são libertadas (sem trocadilho, juro) por gols.

No Beira-Rio, zero. O Inter esteve mais perto, e agora sonha com o chamado “gol qualificado”.

O Flu vai para casa, o que é sempre um bônus de confiança.

______

O primeiro gol de Bolívar x Santos (2 x 1) foi, sim, marcado pela altitude.

O salto atrasado de Rafael indica que o goleiro foi traído pela velocidade da bola. Claro, ela bater em suas costas e entrar é puro azar.

De resto, tudo que aconteceu nas alturas de La Paz era previsível, por ser um filme que já vimos muitas vezes.

O Bolívar é melhor do que outros times bolivianos que aparecem na Libertadores. Gosta um pouco mais da bola, no sentido de não ser apenas uma equipe que se fecha e corre.

Mas, como seus compatriotas, é um time a 3.800 metros de altitude e outro ao nível do mar.

A versão praiana do Bolívar deve sofrer muito na Vila Belmiro.

Sem entrar no mérito do debate sobre jogos nas nuvens, essas circunstâncias devem ser respeitadas.

O que não pode acontecer, como bem disse Neymar, é “essa guerra na Libertadores”.

Não dá mais para ver jogos de futebol serem prejudicados por esse ambiente bélico, típico de épocas em que não se ganhava o torneio só na bola.

Eram épocas, também, em que não havia controle de doping, transmissão pela televisão de todos os jogos e arbitragens respeitáveis.

A Conmebol envenena seu próprio produto ao fingir que não vê esses abusos.



  • Rodrigo CPQ

    Tem umas coisas que não dá pra entender. Os caras conseguem “se auto-complicarem”. Atitudes que deveriam gerar punição de perda de campo: objetos atirados em campo, a qualquer momento do jogo; raio laser na fuça do adversário; briga generalizada provocada pelos mandantes, com conivência de autoridades locais e mais algumas coisas que não estou lembrando. Isso era pra chegar e punir, sem julgamento. Aconteceu isso? Perde o mando. Mas vai perder o mando em uma fase equivalente do mesmo torneio. Aprontou na final da competição? Se chegar de novo, vai ter que jogar as duas partidas fora, pra aprender. Eu duvido que isso um dia vá acontecer, infelizmente…

  • Tarso Holanda

    O Messi pode ser o mais genial, hoje; o Cristiano Ronaldo é o mais completo (pra mim), hoje; mas nenhum deles (Especialmente Messi, nascido em berço esplêndido) viveu, até os vinte anos (recém completados), a pressão que o Neymar viveu (e vive!). Pressão de levar um time nas costas (Ganso só retornou agora), pressão de ser caçado em campo, com rodízio de marcadores e com a conivência do homens de preto. Pressão de ter que ser o protagonista da Seleção brasileira, derrotada na última e sede da próxima copa. Entre outras… A canalhice de ontem foi só mais um capítulo, e é por isso que ele poderá e deverá superar todos os outros(TODOS!). EM BREVE!

    PS. Me refiro ao que se refere ao que passa, DENTRO de campo, que é o que me importa.

  • Iran Né

    Caro André, que arbitragem sem vergonha daquele árbitro caseiro, parece que estávamos na década de 60, tanta na arbitragem como na beligerância e a C0MENBOL, simplesmente não vai fazer nada. Ou juizinho sem vergonha.
    Um grande abraço !

  • Juliano

    Sobre o penal no Beira Rio… eu não consigo entender, se alguém conseguir me explica. Por que o tal Dátolo (que até outro dia estava no banco) bateu o penalti?

    Ora, se o Brasil tem em Damião um possível camisa 9 da seleção, quer dizer que se ele tem nível pra jogar na Seleção mas não bate os pênaltis no seu clube? É atacante, é um artilheiro, e artilheiros fazem gols inclusive de pênalti. Tem que ter personalidade. Ronaldo, camisa 9, batia os penais, contra a Argentina fez 3 em um jogo. Romário batia seus penais. Luiz Fabiano também é batedor. Exemplos não faltam. O que falta, hoje, é um camisa 9 que não tenha medo de bater penais, principalmente no seu clube, tem que ser referencia, chamar a responsabilidade e ter personalidade. Damião tem que se acostumar com isso. Para o bem dele, do Inter e quem sabe, da seleção

    Sobre o jogo do Santos, a altitude realmente é ingrata. Tudo muda. Neymar puxava o contra-ataque com uma arrancada, ninguém acompanhava, pois se fossem ao ataque, faltaria o fôlego para a volta. Estava nítido. E não é só a velocidade da bola que muda, muda também a velocidade de raciocínio, seu reflexo.

    Ainda assim acho que o Santos poderia ter jogado melhor. Ganso novamente não participou do jogo, não fez jus ao seu salário, como Neymar e Adriano fizeram. Danilo faz muita falta nesse time! Borges poderia ser trocado por um cone, o cone ao menos não erraria.

    Sucesso!

  • Massara

    São absurdas as condições de jogo oferecidas por vários times participantes da LA. Gramados contestáveis, estádios acanhados, torcedores que entram no estádio portando toda sorte de objeto que quiserem jogar dentro do campo etc. E a Conmebol não faz nada a respeito. Digo, se o Bolívar avançar (e mesmo se não avançar, caso jogue a LA/2013), mandará jogos no mesmo estádio.

    Dentro e fora de campo, estamos praticando um esporte diferente dos europeus, que tem em comum somente o nome.

    Abs.

  • Juliano

    Preciso o comentário sobre a Conmebol. É muito terceiro-mundismo.

  • BASILIO77

    Bom…sempre tive receio de criticar esses aspectos da Libertadores em público…como meu time nunca levou a taça…sempre vem alguém dizendo que a critica é por causa da ausencia de titulos…mas que a conmebol consegue ser pior que a CBF…isso é verdade.
    Abraço.

  • Paulo Pinheiro

    Pleno acordo.

    De tudo o que se elogia na Europa, o que “invejo” é justamente esse rigor na organização do evento.
    Por vezes parece que todas as mazelas que o nosso sofrido povo latino-americano passa no dia-a-dia são levadas ao estádio. Isso parece refletir em gandulas, massagistas, árbitros, auxiliares, roupeiros, treinadores, jogadores, policiais e até nos cães. Parece um tétrico momento em que todos se unem em prol de um único objetivo: a vitória! De preferência de forma humilhante ao adversário, e com nenhuma exigência de técnica, tática, lisura ou ética. Se vierem também está bom.

    Irônico lembrar que o Atlético-PR não pôde fazer o primeiro jogo de uma final (caseira) contra o SPFC porque seu estádio não comportaria o público exigido pelo regulamento. Que regulamento?

    Sobre a altitude, destaco aqui a iniciativa do Márcio Braga que se manifestou junto à FIFA (não adianta se manifestar só junto aos microfones) quando o Flamengo jogou contra o Real Potosí (quando jogadores de 20 e poucos anos ameaçavam desmaiar e corriam para os balões de oxigênio). Acho polêmico, porque aqueles clubes também têm o direito de participar. Mas é também anti-desportiva essa vantagem fisiológica dos mandantes.

    A discussão precisa acontecer.

  • Alexandre

    “Quando times de países diferentes se encontram, não ocorre um ‘jogo de 180 minutos’. São dois jogos de 90 minutos, diferentes entre si. A partida de volta é condicionada pelo resultado da ida e pela mudança de território.”
    Não entendi o seu ponto, André, nem consigo ver grandes diferenças entre um clássico com time do RS contra time do RJ (que tem culturas futebolística muito diferentes) e um clássico entre times de dois países sulamericanos.
    Acho que a coisa só muda de figura em confrontos realmente domésticos, entre dois times da mesma cidade, ou ao menos do mesmo Estado.

    AK: Não tenho como elaborar mais… pense em como será Santos x Bolívar. Um abraço.

  • Juliano

    Alexandre, pense que no Brasil estes clubes se enfrentam anualmente, no mínimo 2 vezes por ano no Brasileirão. Falam o mesmo idioma, possuem jogadores que já jogaram nos 2 times (Sóbis, por exemplo). Começa por aí.

    AK: Evidente. Um abraço.

  • Alexandre

    Juliano,
    De fato o idioma é algo a se considerar, mas só para nós brasileiros, pois todos os demais falam o mesmo idioma.
    Quanto ao intercâmbio de jogadores, bem, veja quantos estrangeiros há no Inter, por exemplo.
    Ainda continuo achando que a identidade futebolística é tão importante quanto a nacionalidade.
    Num Boca x Peñarol os times tem mais em comum do que num Inter x Fluminense, na minha opinião.
    Por fim, André, acho que Bolívar x Santos é um caso excepcional, por ter o fator altitude envolvido, aí realmente são dois jogos completamente diferentes.

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