PRÉVIA DA LIGA (FCB x CFC)



Antes de dizer qualquer coisa sobre Barcelona x Chelsea, vale a pena observar um número.

239.

Essa é a diferença, em metros quadrados, entre os gramados de Stamford Bridge e do Camp Nou. Espaço que pode ter seu papel na forma como os ingleses tentarão marcar os donos da casa.

Tudo indica que Roberto Di Matteo recomendará uma postura idêntica a que vimos no primeiro jogo: marcar, marcar, marcar, marcar e contra-atacar.

O problema é que o gramado maior torna a tarefa ainda mais difícil.

O Barcelona costuma usar jogadores para “abrir o campo” pelas laterais. Podem ser os próprios laterais (como no jogo de volta contra o Milan, em que eles foram pontas) ou meias (Iniesta costuma ocupar a ponta esquerda).

A ideia é provocar um efeito de cobertor curto no adversário, que sempre opta por aumentar a densidade demográfica do meio de campo, para tentrar travar o fluxo de jogo catalão. Se não vigiar os lados do campo, a bola entrará por ali. Se vigiar, entrará pelo meio.

Fazer as duas coisas (como a Inter de Mourinho, em 2010) é um trabalho para heróis.

E não vale dizer “como o Chelsea fez no primeiro jogo”, porque não foi isso que aconteceu. A bola chegou, com frequência, à área de Cech. O Barcelona falhou no último toque, e por isso estamos aqui debatendo o que acontecerá logo mais.

O Chelsea joga por um gol. Não que seja impossível levar três, mas dependendo do momento em que esse gol sair – se sair – as coisas podem ficar muito favoráveis.

Haverá condições para um contra-ataque mortal como o que levou ao gol de Drogba (que estará em campo), e também para que os ingleses explorem a conhecida e divulgada dificuldade (alô, Puyol e Valdes) do Barcelona pelo alto.

Assim como o Real Madrid, o Chelsea é mais forte e mais alto.

Mas será interessante ver como os azuis reagirão a uma situação que é muito provável: levar o primeiro gol.

Se mantiver a cabeça no lugar, as linhas bem próximas e continuar correndo como se não houvesse amanhã, o Chelsea ainda poderá sobreviver.

Se perder a organização, tudo pode acabar em pouco tempo.

Espere ver um Barcelona fazendo o que fez em Londres. Posse, pressão, perigo constante.

O time precisa voltar ao que lhe é natural: instalar-se no campo adversário e aproveitar as chances criadas.

Para isso, Messi, após dois jogos pouco característicos, também precisa voltar a trabalhar entre as linhas e ser o atacante definidor que conhecemos.

O melhor jogador do mundo certamente não esqueceu que o gol do Chelsea nasceu de uma bola perdida por ele.

Nas últimas duas derrotas, faltou algo ao Barcelona. Contra o Chelsea, eficiência. Contra o Real Madrid, intensidade.

O jogo desta tarde representa a chance de recuperar a identidade e continuar a sonhar com o título mais importante da temporada.

Estamos falando do melhor time do mundo, com o orgulho ferido.

Uma certeza: se o jogo for parecido com o de Londres, as chances do Barcelona serão muito maiores. A chave será a capacidade do Chelsea de conter os catalães e ainda oferecer algo diferente em termos ofensivos.



  • Raul Rodrigues Filho

    André, já to com pena do Chelsea desde ontem depois daquela entrevista do Guardiola e do Pique. Vão ser no mínimo 3 gols de diferença, fora o baile.

  • André, o Barça só perde para as próprias pernas hoje… O Chelsea será valente como foi na rodada passada, mas não aguentará o melhor time do mundo..

    Aposto em um 4×1 para o Barça, com dois de Messi..

    Abraços!!!

  • Pedro Rodrigues

    O Chelsea ainda enfrentará um fator: O Barcelona perdeu dois jogos seguidos, o que vai fazer com que a equipe entre em campo com “a faca nos dentes”.
    O Barcelona ficar sem vencer 3 jogos seguidos, não acontece há muito tempo.
    Penso que se o Barça tivesse superado o Real Madrid no fim de semana, a vida do Chelsea seria bem mais fácil…
    Uma coisa que é fato é que será um jogão, e uma pena que não poderei acompanhar, porque você sabe né André…
    Alguém aqui tem que trabalhar. (rss)
    Abraços, boa transmissão.

  • Anna

    Análise perfeita de um jogo imperdível. O panorama é exatamente esse que você com seu olho clínico e conhecimento jornalístico descreveu. Emoções afloradas nesta tarde de terça que fará o mundo parar.

  • Andre, ainda insisto na mesma tecla: com Tello ou Cuenca não dá, não rola!

    Posso morder a língua e um desses caneludos decidirem o jogo… mas eles destoam muito do resto do elenco.

    Queria entender quando esses 2 ultrapassaram Pedro na preferência do Guardiola.

    Qual seria sua escalação para hoje, André?

  • Av

    Antes de mais nada ,parabéns ,bem inteligente seu texto…Como nosso camarada Kd meu cdamisa 10 comentou:o Barça só perde pras próprias pernas….

  • thiago

    A única que tristeza é saber q ou Abramovich ou Rossel ficará feliz este noite… queria que os dois se estrepassem… Bayern campeão!!!!

  • Thiago Mariz

    Concordo com o colega acima: Cuenca é demais! É possível entendê-lo chegar à categoria profissional do Barça, mas daí a surgir como titular numa semi-final de UCL é insano.

  • Azrael

    Parabéns André muito inteligente, de bom senso e lucidez seu comentário, é a primeira vez que passo aqui e fico satisfeito, como já estão os outros que o conhecem há mais tempo.
    Saudações.

    AK: Seja bem-vindo. Um abraço.

  • Lucas Costa

    Ahh, eu gostaria de ser um técnico e desafiar esse Barcelona para uma partida!

    Eu tenho uma convicção que o futebol fantástico que o Barça joga muito está relacionado com as dimensões dos campos em que disputa os campeonatos. Da mesma forma, acredito que o padrão de jogo do brasil se descaracterizou e enfraqueceu (se compararmos com os anos 70-80) também (mas não só, que fique claro) graças as mudanças nas dimensões do gramado.

    Explico:
    O futebol brasileiro clássico e mundialmente conhecido se caracterizava principalmente pela criatividade, toque de bola envolvente e habilidade dos atletas. O futebol brasileiro tinha em seus times o camisas 10, o meia pensante, e muitas vezes 2 meias jogando. Era um jogo que predominantemente horizontal, de toque de bola, viradas de jogo, com alguns lances agudos verticais, sempre no momento certo. É comum ler textos em inglês onde falam que o Brasil jogava como “ondas”(waves), utilizando o campo inteiro.
    Ao mesmo tempo, os jogadores tinham espaço para tal toque de bola. Tá certo que o preparo físico era diferente, mas muito vem da dimensões grandes dos campos em nosso país, o que de certa forma “facilitava” o toque de bola. Não é difícil notar através de vídeos antigos, os campos eram maiores que hoje em dia! Todos, praticamente todos encolheram! Mesmo o Morumbi, Serra Dourada que ainda tem dimensões grandes, são menores que no passado. O Maracanã então nem se fala, essa reforma está destruindo tudo, inclusive o tamanho do campo.

    Mesmo na Europa os campos eram maiores, também é fácil perceber em vídeos. E por algum motivo (talvez medo do Brasil? ou falta de habilidade mesmo?), os campos foram diminuindo, enquanto o preparo físico dos atletas foi melhorando. Resultado, o jogo mais truncado, “feio”, mas mais competitivo. No Brasil aconteceu o mesmo, começou com times pequenos diminuindo seus campos para enfrentar os grandes, e no fim, chegamos ao ponto que estamos hoje. Consequentemente, o atleta brasileiro, que cada vez mais está jogando nos campos europeus, perde de certa forma a magia e característica marcante de nosso futebol (apesar do jogador brasileiro continuar com o destaque merecido).

    Então chegamos ao Barcelona! Esse Barcelona do Guardiola, de Xavi, Messi e Iniesta. Os caras conseguiram implantar um estilo de jogo de toque de bola nesses campos diminutos. É quase futsal! Mas ao contrário do futebol brasileiro clássico, de com calma, pisar na bola e escolher o melhor jogador posicionado, o Barça troca passes frenéticamente, movimentando sem parar, e graças ao preparo físico, uma marcação sob pressão invejável e incansável.

    Da forma como eu enxergo o futebol, o Barcelona consegue fazer isso pois eles são capazes de jogar muito próximos um dos outros, com toques curtos e precisos. E sempre, SEMPRE, em campos médios e pequenos. Em caso de campo muito pequeno como o do Chelsea, dificulta por causa da marcação e retranca, mas o estilo do Barcelona não muda.

    Eu acredito que ver o time do Guardiola em um campo grande, como o Serra Dourada, seria uma experiência totalmente diferente! Sim, eles são jogadores fantásticos, teriam mais espaço para brilhar. Mas ao mesmo tempo, seria mais difícil recompor o time de forma tão rápida como fazem normalmente, prejudicando a marcação sob pressão. O time adversário teria mais espaço para fugir da pressão. Também, em um campo maior, a proximidade dos atletas não seria tanta, sendo mais fácil interceptar os passes do time catalão.

    Eu gostaria muito, mas muito mesmo, de ver o Barça em um jogo com essas características, contra uma equipe de qualidade. Então está posto o desafio, se o Guardiola quiser, é só me mandar um email que agente organiza a pelada! hehe

    Para terminar, eu fico pensando, quando é que o futebol brasileiro se submeteu a esse tipo de jogo em campos menores. Tirando a desorganização, falando em aspectos técnicos do jogo, esse foi o principal fator que mudou nosso estilo de jogo. Fosse por mim, todos os jogos da copa seriam em campos com as dimensões do Morumbi. Tenho certeza que conseguiríamos uma bela vantagem! (se na Copa Davis o país pode escolher o piso, porque na Copa do Mundo não?!)

    Obrigado! um abraço

  • Guilherme Gios

    Tchau RouBarça!!!!!

    Parabéns, Chelsea!

  • Bruno

    André, o que eu havia dito???
    Chora, o SHOWBARÇA acabou…

    AK: Deve haver algo de masoquismo nesse tipo de comportamento. As pessoas vivem reclamando de futebol feio, e quando aparece um time que faz o contrário, aparece quem o combata. E ainda afirme que “acabou”. Caso para estudos.

  • Marcos Vinícius

    Gostei da vitória do Chelsea. Posso ser o único,mas acho que estão colocando o Barcelona,que atualmente é o melhor time do mundo,num patamar de time dos sonhos,coisa que não é. Já li algumas vezes que esse time está marcando uma geração,e não concordo. O Real Madrid de Zidane,o Barcelona de Ronaldinho,o Manchester de Cristiano Ronaldo,o Bayern de Élber,foram times que jogaram bem e foram tão eficientes como o atual Barcelona. O diferencial do Barcelona é que o time tem uma proposta de jogo diferente dos outros times,onde controla o jogo mantendo a posse de bola e envolvendo o adversário com movimentação constante e passes rápidos. Nas três últimas edições da Champions o time só chegou a uma final,e venceu. Se fosse esse absurdo todo a diferença entre ele e os outros reinaria absoluto.

    Times com qualidade,como Real Madrid e Chelsea,conseguem encarar o Barcelona de frente,e pegaram o jeito de como vencer. Mesmo que alguns digam que o time não fez uma partida perfeita,foi eficiente,jogou com o resultado,mesmo com um homem a menos desde o primeiro tempo.

    Perderam o Espanhol e perderam a Champions. Não é isso tudo.

    AK: Você tem certeza de que escreveu que o Chelsea “encarou o Barcelona de frente”? Um abraço.

  • BASILIO77

    Só passei pra confirmar…começou cedo…vai entender…
    Abraço…e paciência..nem Freud explica!

  • Bruno

    André uma dica, leia o Post do Vitor Birner sobre o jogo de hoje…

    Varios comentaristas ja disseram, aprenderam a marcar o Barcelona, o futebol despretensioso de toque de bola do Barcelona é inutil, os adversarios deixam eles ficarem tocando a bola no meio campo e fecham a sua defesa, apostando nos contra ataques, pois sabem que Puyol, Pique e Masch são lentos.
    Odeio dizer isso, mas, Galvão esta certo, o Guardiola vai ter que repensar e muito seu trabalho, isso se ele continuar na proxima temporada, pois, parecia ja estar prevendo que a fase de ouro de seu time iria acabar, como de fato acabou.
    Futebol de toque de lado como Casagrande disse sem chute a gol não leva a absolutamente nada.]

  • Bruno

    E mais um comentario, o que vc prefere: jogar de modo digamos “bonito” e perder, ou, jogar na retranca “feio”, mas de forma inteligente e vencer.
    Quer exemplos: Grecia (2004)
    Boca Jrs: (00, 01,03,07)
    Once Caldas(04)
    Porto(04)
    Inter de Milão(2010)
    Italia(82)
    E por ai vai…

  • Marcos Vinícius

    AK: Você tem certeza de que escreveu que o Chelsea “encarou o Barcelona de frente”? Um abraço.

    Foi sim.Encarou e passou.

    AK: Ah, ok.

  • Marcos Vinícius

    Rapaz,falando sério…

    Também acho que o Barcelona é,atualmente,o melhor time do mundo. A proposta de jogo do clube catalão é algo que eu,até então,não tinha visto. O time envolve o adversário,na maioria das vezes não o deixa jogar,controla o jogo mantendo a posse de bola,e a maioria dos times não o enfrenta,o assiste jogar. Nunca discordei de você em relação a isso.

    Mas o Barcelona não reina absoluto. Existem outros times europeus muito bons,tão bons quanto o Barcelona. O Real Madrid,o Chelsea,o Manchester,e mais alguns poucos felizardos que tem a sorte (e o dinheiro para comprar) de ter um time qualificado,com muitos jogadores de ponta.

    O Chelsea teve sorte? Teve,tanto no primeiro quanto no segundo jogo. Bolas na trave,pênalti perdido,goleiro pegando tudo,aconteceu,é fato,mas daí a dizer que o Chelsea não conseguiu encarar o Barcelona de frente é brincadeira! Dentro da sua proposta de jogo,o Chelsea fez as duas partidas que tinha que fazer. Se o time inglês se dispusesse a jogar da mesma forma que o Barcelona,levaria uma lavada,pois uma das características dos catalães é manter a bola sob seu controle. Mas o time fez o que tinha que fazer,teve sorte e competência,e passou.

    Por que dizer que os ingleses não encararam os espanhóis de frente? Por que não admitir que,algumas vezes,o futebol feio e eficiente consegue sobrepor o futebol leve e encantador?

    Não é que eu goste de divergir,mas são pontos de vistas diferentes do mesmo fato.

    AK: Se você quer falar sério, precisa lembrar que foram quatro semifinais seguidas, com dois títulos. Se o seu time fizesse quatro semifinais de Libertadores seguidas, e ganhasse dois títulos, você diria que torce para o melhor time do continente. Um abraço.

  • RENATO

    Imaginemos dez jogos entre este Barça e este Chelsea.
    E apostaremos DINHEIRO naquele que vencer mais partidas, empate leva a penaltis.
    Eu apostaria no Barça.
    É grana man!!! Não dá pra deixar simpatia ou antipatia falar mais alto.
    Chegou a ser constrangedor ver Drogba jogando de lateral e o time inglês praticamente abdicando da posse de bola e limitando-se a defender como é comum vermos nos confrontos do campeonato paulista entre os grandes e pequenos.
    Levaram a vaga na final…porque é futebol…e mata-mata…faltou ao Barça humildade necessária para ter um “plano 2” quando o primeiro falha.
    Em mata-mata, é primordial ter “plano 2”. Telê não tinha em 82…

    Assim como em 10 jogos entre esse SCCP e essa Ponte, eu apostaria meus Reais no Corinthians.
    Simples.
    A Ponte não fará nem “cócegas” no SPFC na Copa do Brasil.

    Abraço.

  • Marcos Vinícius

    Já disse outras vezes que também acho que o Barcelona é,atualmente,o melhor time do mundo,embora ache um exagero dizerem (algumas pessoas) que esse time está fazendo história.

    Mas o que sua resposta tem a ver com você achar que o Chelsea não encarou o Barcelona de frente?

    AK: Temos conceitos diferentes do que é “fazer história”. E do que é “encarar de frente”. Um abraço.

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