COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

VANTAGENS?

É improvável que o torcedor do Fluminense assuma, mas a melhor campanha na fase de grupos da Copa Libertadores veio com um brinde de loja de mágicas. Uma daquelas caixinhas que assustam quem abre com o salto de um réptil. O cruzamento colocou o Internacional e, provavelmente, o Boca Juniors, no caminho tricolor nas próximas semanas.

É fato que, diferentemente de outros clubes brasileiros, o Fluminense não cultiva experiências traumáticas relacionadas à camisa do Boca. Passou pelos argentinos nas semifinais da edição de 2008 (sim, perdeu para a LDU na decisão), e venceu na Bombonera no mês passado (sim, perdeu no Engenhão há dez dias). É fato, também, que um encontro com os xeneizes não está garantido. Depende do que o Boca fizer contra o Unión Española. E do que o Fluminense fizer contra o Internacional.

Aí é que está. A “vantagem” de jogar contra o pior segundo colocado (em bom português, a pior campanha entre todos os classificados) se materializou num confronto doméstico, que tende a equilibrar as diferenças entre um time que fez quinze pontos e um que fez oito. Porque poucas coisas podem ser mais cretinas – talvez a fase de classificação do Campeonato Paulista esteja à altura – do que comparar campanhas de equipes que não enfrentaram os mesmos adversários.

A prova da cretinice: tomemos como exemplo o Boca, que fez treze pontos e saldo de seis gols no mesmo grupo do Fluminense, classificando-se em segundo lugar. A campanha faria do time argentino o líder de cinco dos oito grupos da Libertadores. Já o Inter, que foi o segundo colocado no grupo do Santos, não se classificaria em nenhuma outra chave. Ao estabelecer os confrontos das oitavas de final com base no ranking de campanhas, a Conmebol arranca as pernas de uma formiga, diz para ela andar e conclui que formiga sem pernas não ouve.

Outro inconveniente do método é possibilitar a escolha de adversários pelos times que jogam por último. Neste ano, equipes que atuaram na noite de quinta-feira sabiam o que precisavam fazer para direcionar seus próximos encontros. Há como afirmar que foi o que aconteceu com a Universidad de Chile e o Nacional de Medellín, que chegaram à última rodada já classificados? Não. Mas também não há nenhum motivo para correr o risco.

Resta ao time que ficou no “primeiro lugar geral” saber que decidirá todos os confrontos em sua casa, até a decisão. E lidar com o fato de que o último clube que conquistou a Libertadores tendo feito a melhor campanha na fase de grupos foi o River Plate, no distante ano de 1996 (bom time que tinha Crespo, Gallardo e Sorín).

Mas esse bônus é mais valorizado no Brasil. Clubes argentinos, que comemoraram a Copa em estádios brasileiros três vezes nos últimos dez anos, não se importam com a ordem dos jogos. O Vélez Sarsfield, por exemplo, poderia ter sido o líder geral desta edição e simplesmente descartou a última rodada, ao jogar – e perder – em casa, com time misto, contra o Defensor.

Um sorteio dirigido, como se faz na Liga dos Campeões da Uefa, seria muito melhor. Fica a dica.



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