CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

PRIMEIROS ASSALTOS

O que vimos na terça-feira em Munique foi uma luta de boxe, categoria peso-pesado. Dois times de camisa poderosa, que atacam melhor do que se defendem, encarando-se, golpeando-se com força bruta. Mas só um deles queria vencer o combate: o Bayern.

Para o Real Madrid, um colosso de talento comandado pelo técnico mais bem pago do mundo, o empate com gols era um resultado de sonho. No momento em que Ozil igualou o jogo, num lance que evidenciou os dramas defensivos alemães, José Mourinho deve ter se lembrado do que disse a Diego Maradona, quando o argentino visitou o CT do Madrid, no início do ano passado: “Se eu quiser empatar um jogo, eu empato. E se eu te meter um gol, o jogo acaba, porque eu tranco o campo”.

O plano era um sucesso até a questionável escalação de Coentrão mostrar-se decisiva, quando Lahm criou o gol da vitória. Castigo no último minuto do jogo a um pragmatismo que deixou o favorito Madrid obrigado a ser ofensivo em seu estádio. Esse não é o problema. O problema é não levar gols, o que só aconteceu em 6 de 26 jogos como mandante na temporada.

O que vimos na quarta-feira em Londres também foi uma luta de boxe. Mas um combate em que um dos lutadores pôs-se a fugir do adversário, apostando num golpe certeiro. Estratégia arriscada e improvável, mas que frutificou na chuvosa noite londrina.

Não se trata de criticar a ideia de jogo do Chelsea, que não tem argumentos futebolísticos para debater abertamente com o Barcelona e escolheu o único caminho possível: marcar, gastar o tempo e contra-atacar. Depois do gol, com participações inestimáveis de Lampard e Ramires, a conduta passou a ser marcar mais e gastar mais o tempo.

Roberto Di Matteo falou em “duas partidas perfeitas” como condições para a classificação do Chelsea. Uma já aconteceu. Em Stamford Bridge, o time visitante teve 72% de posse de bola, trocou 803 passes (contra 250) e seu goleiro não fez nenhuma defesa (contra cinco). O Barcelona chutou seis vezes no alvo (contra uma), duas na trave de Cech. Mas a única bola que tocou a rede foi a que Drogba chutou, e basta. Isto se chama futebol.

Continua na semana que vem.

DESPERDÍCIO

As movimentações por conta da eleição para vice-presidente da CBF são reveladoras. Nelas, não há nenhuma relação com os interesses do futebol no país, ou com um processo que modifique o modelo que aí esteve nos últimos 23 anos. Também não há nenhum constrangimento em escancarar disputas pessoais pelo poder. Impressiona o apreço pelo trono abandonado, alvo de articulações que remetem a um filme de mafiosos fracassados.

MAIS DESPERDÍCIO

A chegada do momento final (ou seria inicial?) dos campeonatos estaduais dá a medida do tempo que se perde com futilidades no calendário do futebol nacional. Os principais clubes do país buscarão títulos que perderam o prestígio, enquanto o Campeonato Brasileiro já poderia estar em andamento, após uma pré-temporada feita de acordo com as necessidades dos jogadores. Mas é preciso alimentar os feudos das federações estaduais.



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