O GOL DE GANSO



De tudo o que aconteceu no fim de semana, nada foi melhor do que o gol de Ganso.

Assumindo que a goleada (5 x 0 Catanduvense) de ontem fez parte das comemorações do centenário, o primeiro gol não poderia ter sido mais significativo.

O toque por cobertura mostrou que Ganso sabia de tudo o que estava acontecendo na jogada. Onde ele mesmo estava, onde estavam os outros jogadores, onde estava o goleiro Filipe.

Como diz Tostão, Ganso sabia de tudo sem saber que sabia. Essa é uma das características que separam jogadores de futebol.

A parte mais interessante do lance é a movimentação de Filipe.

Ganso não poderia saber que o goleiro se adiantou, movimento automático para diminuir a distância e aumentar a chance de defender um chute, porque não olhou. E estava longe do adversário para perceber a mudança de posicionamento.

O que aconteceu foi que Ganso condicionou a reação de Filipe, no momento em que dominou a bola. O gesto de armar o chute fez com que o goleiro se adiantasse, e o toque por cima completou a jogada que estava pronta, no inconsciente de Ganso, tão logo a bola chegou.

Qualquer gol por cobertura requer visão, calma, ousadia e talento.

O gol que Ganso marcou tem também o componente do jogo de adivinhação em que ambos os lados correm riscos.

Ganso, ao mostrar que bateria no gol de um jeito diferente do que pretendia.

Filipe, ao se adiantar prevendo um chute como outro qualquer.

Ganso venceu, o que não surpreende.

Gol de um jogador superior, que parece estar no início de uma temporada redentora. Tomara que nada o atrapalhe no meio do caminho.

ATUALIZAÇÃO, terça-feira 17/4, 12h18 – É uma satisfação perceber que um post sobre um gol gera tantos comentários. Mas é espantoso ver a quantidade de pessoas que escreveram para desmerecer o gol, o post, ou ambos. Na verdade, o que espanta é a procura por segundas e terceiras intenções, que estariam por trás do que aparece escrito.

Não basta dizer “não concordo, não achei o gol tão bonito”. É preciso inferir sobre os motivos que levaram um jornalista a escrever sobre um gol.

O sujeito não concorda que foi um golaço e acha estranho que alguém pense assim. E o fato de alguém escrever que foi assim só pode ser parte de um esquema.

Quanta pobreza.

Com frequência, menciono a péssima relação que muita gente tem com o futebol. O extremo dessa relação é o imbecil que mata por causa de uma camisa de cor diferente. Mas esse é um problema social, complexo.

O outro extremo, num aspecto, não deixa de ser grave. O fato de pessoas que, em tese, têm capacidade de debater em bom nível sobre variados assuntos, se tornarem ignorantes e intolerantes quando o tema é futebol.

E veja, a conversa nem precisa ser sobre o time dele, ou um jogador do time dele, para provocar essa transformação.

Sugestão para quem acha que “há esquema”: não leia, não comente.

Se você estiver certo, não alimentará o esquema.

Se estiver errado, não atrapalhará o espaço.



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