CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

LIBERTE-SE

A história dos movimentos culturais nos conta que o Surrealismo nasceu nos anos 20, na França. No futuro, a história do futebol contará que uma releitura empobrecida do movimento se deu em 2012, no Brasil. É a nossa contribuição à expressão do pensamento sem as amarras da razão.

Quando pesquisadores estudarem o período pré-Copa de 2014 do futebol brasileiro, notarão evidentes características de um momento revolucionário. Uma época marcada pela imaginação livre, pela ausência de preocupações estéticas ou morais. Perceberão também o surgimento de líderes locais de destacada influência. Gente que poderia tranquilamente repetir a célebre frase de Salvador Dalí, pintor surrealista catalão: “Só existe uma diferença entre mim e um louco. Eu não sou louco”.

Vivemos numa era de desestruturação, de negação da falsa racionalidade que nos controla e oprime. As provas estão em declarações recentes de expoentes do futebol nacional, devidamente registradas e conservadas para a posteridade. “Precisamos de Adriano na Copa”, “exceção feita a Barcelona e Real Madrid, os times espanhóis são ruins”, “Neymar é melhor do que Messi”, “o trabalho de base do Barcelona é balela”.

Se seu cérebro começar a tremer, não faça nada. Não lute contra essa poderosa onda de emoção que se avizinha. Deixe-se abraçar pela onipotência dos sonhos. Afinal, a experiência humana não estará completa enquanto for restringida por costumes e padrões.

Os mesmos estudiosos verificarão a revolução em pleno andamento no Rio de Janeiro, liderada pela federação de futebol do estado. A súmula de um Vasco x Flamengo, símbolo do controle arbitral de uma partida, passou pelo processo de justaposição de duas realidades: o que o árbitro escreveu e o que o liquid paper ocultou. Mas não era a súmula, apenas seu inconsciente.

Outros exemplos confirmarão a existência da fase brasileira do movimento surrealista. Em São Paulo, o sistema de disputa do campeonato estadual. Em Minas Gerais, os clássicos com apenas uma torcida. Abstração, ruptura da consciência cotidiana, pensamento livre e sem censura.

Na próxima vez em que você vir uma pintura de Dalí, admire e se orgulhe. Algo semelhante está acontecendo diante de nós.

PÉROLAS

Certas declarações são resultado de falta de informação, de senso do ridículo, até de seriedade. Outras revelam uma clara intenção de proteger interesses. A maioria dos dirigentes de futebol no Brasil quer apenas manter o estado de coisas que existe por aqui. Mudanças no modelo de gestão ou na estrutura de poder devem ser evitadas a todo custo. O folclore é constrangedor, mas ajuda a confundir conceitos. Essa é a ideia.

DICAS

Pelo que se vê, a FERJ criou uma nova função administrativa: o corretor de súmulas. Acredite-se ou não nas explicações da entidade, o episódio infecta o que ainda resta de credibilidade em tudo que envolve o trabalho da arbitragem. Fica a sugestão de passar um branquinho em outros aspectos do Campeonato Carioca, como a quantidade de clubes e a duração. Mas essas correções certamente não serão cogitadas pela federação.



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