LANCES DA RODADA (e ideias inglesas)



A melhor campanha da fase de grupos da Libertadores ganha o prêmio de enfrentar o pior classificado para as oitavas de final, e mando de campo no segundo jogo nos mata-matas.

Clubes argentinos, por exemplo, dão pouca importância para o emparceiramento. Provavelmente porque os bons times daquele país não ligam para a ordem de jogos num confronto, nem sentem dificuldades adicionais quando atuam fora de casa.

No Brasil, as vantagens da classificação em primeiro lugar são mais valorizadas.

Quatro times chegam à última rodada da fase de grupos com chances reais de emplacar a melhor campanha: Vélez Sarsfield, Fluminense, Atlético Nacional e Corinthians.

Tudo leva a crer que o time argentino, que já “lidera” com 12 pontos e saldo de 6 gols, manterá a posição. O Vélez receberá os uruguaios do Defensor, que ainda têm chances de passar à próxima fase.

O Fluminense, após levar o troco do Boca Juniors (2 x 0 no Engenhão) pela vitória na Bombonera, tem os mesmos 12 pontos e 2 gols de saldo. Jogará na Argentina (Arsenal, já eliminado) na semana que vem.

Entre Corinthians, que venceu fora de casa (3 x 1 no Nacional-PAR) pela primeira vez nesta edição da Libertadores, e Atlético Nacional, as melhores possibilidades são do time brasileiro. Ambos têm 11 pontos.

Enquanto os colombianos viajam para enfrentar a Universidad de Chile (10 pontos), o Corinthians recebe o Deportivo Táchira, eliminado.

Novamente, o Vélez não deve deixar escapar a primeira posição. E pensando numa possível, mas improvável classificação do Flamengo (precisa vencer o Lanús em casa e torcer por um empate entre Olimpia e Emelec, no Paraguai), Fluminense e Corinthians não deveriam gostar tanto da liderança.

Um encontro de times brasileiros tende a diminuir vantagens e equilibrar as chances.

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Duas notas sobre a Copa do Brasil:

* Que gol de André, na vitória do Atlético Mineiro (5 x 0) sobre o Penarol, no Amazonas.

* O pênalti marcado em Luis Fabiano, na vitória (5 x 2 no Bahia de Feira de Santana) que classificou o São Paulo para as oitavas de final, é mais um desses lances que mostram como a televisão humilha o árbitro.

No momento da jogada, parece pênalti. Foi assim para mim, vendo pela câmera aberta pela primeira vez. Foi assim para os repórteres que estavam atrás do gol, com outro ângulo de visão. Foi assim para muita gente que estava no estádio ou assistindo pela TV.

E foi assim para Marcos André Gomes da Penha, única pessoa que tem a obrigação de decidir, ali, se foi ou não foi pênalti.

Quando o replay da câmera que mostra o lance por trás do gol é exibido na velocidade normal, o lance ainda parece pênalti.

Somente quando os replays em câmera lenta entram na conversa é que se pode perceber que o goleiro Dionantan se coloca diante do atacante do São Paulo, e não faz nenhum movimento para atingi-lo. Ao contrário, Dionantam se esforça para evitar o contato.

Ver o lance quase em quadro a quadro permite que se identifique uma distância entre os movimentos do goleiro e do atacante. Distância que mostra que é Luis Fabiano quem provoca o toque. Distância que comprova que não foi pênalti (e que transforma a expulsão do goleiro, correta supondo que a falta aconteceu, num erro grave).

Distância que não existe para ninguém que não esteja em casa, diante da televisão.

Não é possível para um ser humano decidir sobre essa jogada sem ajuda da câmera lenta.

Repetindo o que já escrevi aqui inúmeras vezes: os árbitros precisam de ajuda.

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Por falar nisso, o jornal britânico Mirror Football trouxe uma notícia interessante em sua edição de hoje.

A Associação de Futebol da Inglaterra pensa em aplicar sanções disciplinares a jogadores que não forem punidos pelos árbitros por entradas violentas, marcadas ou não.

A ideia ganhou força após o lance de Mario Balotelli com Alex Song, no jogo entre Manchester City e Arsenal.

O italiano não foi suspenso adicionalmente pela entrada selvagem. O árbitro do jogo disse que viu o lance mas não percebeu sua severidade.

O que se pensa em fazer na Inglaterra é formar um comitê para analisar o vídeo de jogadas de violência indiscutível, e punir os agressores após os jogos.

Além da possbilidade de corrigir erros, a existência do comitê teria caráter preventivo. Saber que, mesmo escapando em campo, um jogador pode ser suspenso mais tarde, reduziria a frequência desse tipo de lance.

A Associação de Futebol inglesa já se manifestou publicamente a favor do uso de eletrônica para auxiliar a arbitragem, como a tecnologia da linha de gol.

No artigo de hoje, o Mirror Football publica um trecho de uma carta que Jerome Champagne, ex-conselheiro de Joseph Blatter, enviou recentemente aos 208 filiados da Fifa:

“Em breve, torcedores em estádios serão capazes de ver em tempo real os replays de impedimentos em seus smartphones e iPads, enquanto o árbitro será o único sem acesso a essa informação. Algumas opções estão disponíveis, sem colocar em risco a estabilidade das regras do jogo.”

Aleluia.



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