COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

SEGUE O BARCO

“Eles têm de jogar agora. A bola está no campo deles.”

Por “eles”, entenda “nós”. Ou, mais precisamente, as pessoas encarregadas da organização da Copa do Mundo de 2014. A frase é de Joseph Blatter, presidente da Fifa, em entrevista coletiva após a reunião do comitê executivo da entidade. Dessa vez não houve “chute no traseiro” ou expressões que pudessem causar polêmicas. Talvez porque Blatter não permitiu que Jérôme Valcke respondesse a pergunta de Jamil Chade, colega de O Estado de S. Paulo, sobre como ficaram as relações entre a Fifa e o governo brasileiro depois do defeito na tecla SAP do secretário geral.

Mas teve a tradicional cutucada no baço, em tom professoral e com alguma dose de irritação. “Estamos esperando agora por algumas ações, não apenas conversa”, disse Blatter, finalizando sua resposta. A parte mais difícil é concluir que, no lugar dele, qualquer pessoa diria exatamente a mesma coisa.

A conferência de imprensa de Blatter e Valcke está disponível, na íntegra, no site da Fifa. No total, são 46 minutos de material. Mas o presidente fez uma singela abertura de quase 20 minutos, falando da importância da reforma na governança (não se interesse pelo tema, pois nada mudou) do órgão. A entrevista propriamente dita foi uma clínica na arte de evitar qualquer relação entre perguntas e respostas.

O que não significa que nada de útil tenha emergido da sede da Fifa, em Zurique, na manhã de ontem. Em resposta a Rodrigo Mattos, da Folha de S. Paulo, Jérôme Valcke pintou o quadro surrealista que é a organização da Copa de 2014, neste momento. O jornalista brasileiro quis ouvi-lo sobre os atrasos relativos aos estádios, aeroportos e hotéis. “Se não houver quartos suficientes em uma cidade, teremos de garantir que a mídia e os torcedores poderão voar para um jogo e depois voar de volta para o lugar onde estavam”, disse Valcke. “Temos de encontrar uma solução, pois sabemos que será difícil construir ou mudar as coisas até a Copa das Confederações e, depois, até a Copa do Mundo”, completou.

A Fifa quer trabalhar com cada cidade sede, e já percebeu que o cenário é dramático. Não há apenas atrasos nos cronogramas. Há dúvidas quanto à conclusão de determinados projetos, o que pode afetar o calendário de jogos do Mundial, divulgado em outubro do ano passado. Ou então começaremos a organizar acampamentos perto dos estádios. O “façam-mais-e-falem-menos” foi a óbvia reação de Blatter, que recebeu as más notícias durante o encontro do comitê executivo.

Francamente, nada disso é novidade. Também é difícil acreditar que a Fifa esteja surpresa. No processo de adaptação da Copa ao Terceiro Mundo, Blatter e Valcke fizeram uma etapa de aclimatação na África do Sul, em 2010, onde fenômenos semelhantes aconteceram na organização e na realização do Mundial. Da Alemanha direto para o Brasil, o susto seria muito grande.

Na semana da votação da Lei Geral e de mais um pito, o autor da melhor frase foi o megacartola argentino, Don Julio Grondona: “A Copa é da Fifa. Ela apenas ocorre no Brasil”.



MaisRecentes

Fechamento



Continue Lendo

Voltando a Berlim



Continue Lendo

Passo adiante



Continue Lendo