CAMISA 12



(Publicada ontem, no Lance!)

SABADÃO BOLEIRO

A final da Liga dos Campeões da Uefa de 2007/08 começou às 22h45 de uma quarta-feira, hora local, no estádio Luzhniki, em Moscou (RUS). No momento em que Edwin Van der Sar defendeu o pênalti cobrado por Nicolas Anelka, o relógio marcava 1h45 do dia seguinte. Quando Sir Alex Ferguson passou pela zona mista, dizendo-se “muito cansado”, eram quase 4 da manhã.

A explicação para um jogo tão importante começar perto das 11 da noite (de um dia de semana)? Televisão. As partidas da Liga dos Campeões têm de se iniciar até as 20h45 no horário da Europa Central, mercado mais importante.

O último clássico entre Real Madrid e Barcelona pelo Campeonato Espanhol aconteceu às 22 horas de um sábado, em dezembro passado. A audiência planetária é um dos motivos. O mesmo Madrid, num domingo de novembro de 2011, recebeu o Osasuna para um jogo ao meio-dia, visto por 60 milhões de chineses ao vivo.

O Santiago Bernabéu estava cheio na hora do almoço do domingo e no final da noite de sábado. Assim como o Luzhniki também estava lotado na (quase) madrugada chuvosa em que Manchester United e Chelsea decidiram a Liga dos Campeões. A questão não é o dia, ou a hora. A questão é o jogo. Se as pessoas querem ou não querem ver o jogo.

A CBF anunciou a volta dos embalos de sábado à noite no próximo Campeonato Brasileiro. Não que isso tenha importância, mas o retorno dos jogos às 21 horas de sábado causou desgosto num pessoal que trabalha com jornalismo esportivo mas quer ter horário de madame. Filtre as críticas, portanto. Preguiça é uma doença incurável e não é “a imprensa” quem tem de gostar ou não do horário. É o público. Só que o problema está exatamente aí.

No BR-11, as noites de sábado foram brindadas com jogos pouco atraentes. A novidade naufragou por causa da baixa presença de torcedores. O erro parece ter sido cometido também neste ano. Entre as partidas escolhidas para o “pré-balada” no primeiro turno, só uma pode ser verdadeiramente chamada de clássico nacional: Palmeiras x Atlético-MG, no dia 9 de junho.

As outras não prometem gerar nenhum interesse especial, seja no estádio ou no pay-per-view. E não devem fazer a melhor propaganda do Campeonato Brasileiro para asiáticos.

A culpa não será só do horário.

PROGRAMA

Se você acha que noite de sábado tem a ver com cinema, teatro, boate, barzinho, restaurante… mas não com futebol, você não está sozinho. Jogos médios não farão concorrência e lhe darão razão. Mas jogo que enche estádio no domingo à tarde faz o mesmo em qualquer dia ou hora. E aos sábados, ainda daria tempo para emendar outras opções de lazer. Simplesmente alterar o horário de um jogo qualquer é tratar mal “o produto”.

FIGURANTES

Os jogadores têm reservas em relação às partidas às 21 horas dos sábados. O horário impede que o time visitante retorne na mesma noite. E o domingo, que normalmente seria de folga, fica comprometido pela viagem. Pode parecer pouca coisa, mas um dia a menos de descanso faz diferença. Ainda mais com o calendário que se tem hoje. Será que a novidade foi discutida com os clubes? E, se foi, os jogadores foram ouvidos? Claro que não.



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