CAIXA-POSTAL



Aos assuntos da semana:

Marcos Vinícius escreve: André, nos últimos quatro clubes em que Adriano passou (Internazionale-ITA, Flamengo, Roma e Corinthians) teve problemas. Agora está sendo cogitada sua volta ao Flamengo. Independentemente da qualidade do jogador, comprar Adriano é comprar problema. Você acredita que Adriano ainda possa voltar a ser aquele atacante da Copa das Confederações de 2005? E será que Adriano conseguiria receber o mesmo tratamento que recebem os outros jogadores?

Resposta: Esta não é uma questão de acreditar, ou não, se ele voltará a ser o jogador de outrora. Adriano tem uma doença que só se cura com tratamento e força de vontade. Todos os aspectos da vida dele estão diretamente relacionados a essa necessidade. Minha opinião é que qualquer clube que queira contratá-lo deve pensar, primeiro, em tratá-lo. Mas, claro, ele próprio precisa querer passar pelo tratamento.

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Rogério escreve: Hoje o barcelona é o melhor time do mundo. Após a goleada na Liga dos Campeões (sobre o Bayer Leverkusen, 7 x 1), acredito que o caminho até mais um título da UCL seja questão de tempo, mas você acha que há algum time que possa parar esse timaço?

Resposta: O sorteio das próximas fases da UCL deixou o caminho do Barcelona muito perigoso. O atual campeão europeu terá o Milan nas quartas de final e, possivelmente, o Chelsea nas semifinais e o Real Madrid (ou o Bayern, em casa) na decisão. Minha opinião é que o Real Madrid é o time mais capaz de superar o Barcelona, principalmente num jogo único. O time merengue é que o tem mais qualidade e mais experiência de enfrentamentos para encontrar uma forma de vencê-lo.

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Yuri escreve: André, você mencionou a “evidente crise na fábrica do país do jogador de futebol” e eu gostaria de te perguntar uma coisa. Algum jornalista ou pesquisador já escreveu sobre a correlação crescimento ecomico x reduçao de craques no futebol brasileiro? É sabido que desorganizacao e amadorismo sempre foram marcas registradas do Brasil. Este país nunca priorizou educaçao, saúde, e infraestrutura como pontos fundamentais e condicionais para o crescimento. Mas mesmo assim sempre fomos, reconhecidamente, uma “fábrica” de jogadores brilhantes. Mas as coisas mudaram. É inegável que nos últimos quase 20 anos, com a estabilização econômica trazida pelo Plano Real, as coisas melhoraram. O país evoluiu, cresceu, os campos de várzea desapareceram e as crianças vão mais à escola (sem entrar no mérito da qualidade). Ou seja, o futebol deixou de ser a única forma de ascensão social. Já imaginou quantos Pelés ou Messis que perdemos nos últimos anos para o banco da escola? Se isto é realmente verdade, seria uma notícia péssima para o futebol nacional, mas excelente para o país. Já pensou no assunto?

Resposta: Interessante questão. Ainda não vi um estudo a respeito e, mesmo sem dados concretos, arrisco-me a opinar que o futebol continua a ser um caminho de ascenção social muito procurado no Brasil. Mas se estamos perdendo jogadores para ganhar futuros cidadãos com acesso a educação e formação, concordo plenamente que se trata de ótima notícia para o país. Em tese, uma sociedade mais avançada tem melhores possibilidades de estabelecer políticas esportivas que levem à massificação do esporte como ferramenta de educação. E um dia, será capaz de formar atletas como resultado final dessas políticas.

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Jorge escreve: André, uma curiosidade. Vou entender se você preferir não responder. Você já entrevistou Ricardo Teixeira?

Resposta: Nunca tive o privilégio.

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Como sempre, obrigado pelas mensagens. Até o sábado que vem.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)



  • Leonardo Lopes

    As frases de filmes acabaram mesmo?

  • Willian Ifanger

    Muito bom ver o Barcelona ter um caminho espinhoso pra ser campeão. Seria comodo e sem graça demais se tivesse Apoel e depois Benfica ou OM. Esse time que tem que ser testado, desafiado. O Futebol agradece.

    E ontem o Messi fez mais um golaço. Juro que estou começando a ficar mal acostumado com as jogadas dele. Alias, o que a gente vê como golaço, já esta virando gol comum quando se trata de Messi.

  • Emerson

    A questão posta pelo Yuri é bem interessante, mas acredito e torço (a menos que um estudo prove o contrário) para que a fase atual do futebol brasileiro dentro de campo seja apenas uma entressafra de talentos, que já perdura desde a metade da última década, quando tínhamos ainda jogando em alto nível, Adriano, os Ronaldos, Kaká, Robinho e outros. Geração que excessão feita ao fenômeno, já vivia um período de estabilidade econômica e relativa melhora nas condições de vida no país, quando os jogadores desta época, optaram por jogar futebol profissionalmente.Claro que o Brasil continua longe de oferecer as melhores condições de vida ao seu povo, apesar de alguns avanços apresentados. Outro ponto, e este se relaciona mais a últimas palavras do André, em sua resposta, é que melhoria econômica e no IDH, não implicam necessariamente, em prejuízos futebolísticos. Só para ficar em exemplos recentee basta observar as atuais safras de jogadores alemães, ou espanhóis, bem superior a atual escola tupiniquim. Ah, e antes que lembrem,do atual quadro econômico vivido na Espanha, é bom observar que Xavi, Fábregas, Iniesta, Casillas e companhia, escolheram sua profissão bem antes da crise econômica que atinge bruscamente o país onde eles nasceram.

  • Leandro Azevedo

    “Em tese, uma sociedade mais avançada tem melhores possibilidades de estabelecer políticas esportivas que levem à massificação do esporte como ferramenta de educação. E um dia, será capaz de formar atletas como resultado final dessas políticas.”

    O lema nos comerciais de TV da NCAA (Associacao Atletica Universitaria dos EUA) é:

    “There are now more than 400,000 NCAA student-athletes … and almost all of them will go pro in something other than sports.”

    O esporte nos EUA é usado como “isca” em alguns casos para atrair jovens com menos oportunidade de bancar uma faculdade, e faz o seu papel de formador.

  • Alexandre

    Depois de um “ManU x Barça” na Inglaterra, nada melhor que um “Bayern x Barça” na Alemanha, mas (mais) um Barça x Real também não ficaria mal. 😉

  • Alexandre

    Cabe uma longa discussão sobre os motivos que levaram a isto, mas é profundamente deprimente perceber o quanto o futebol brasileiro decaiu na última década. Do auge em 2002 até hoje, a queda tem sido contínua e acentuada.

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