CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SESSÃO COMÉDIA

O nível de infantilidade dos argumentos de quem tenta transformar Ricardo Teixeira num benfeitor do futebol é até injusto. Nem o expatriado cartola merece uma defesa tão desprovida de senso de ridículo.

Se os títulos conquistados pela Seleção Brasileira nos últimos 23 anos são a medida do sucesso da “administração Teixeira”, devemos reformar nossas opiniões sobre três dirigentes de triste memória. Eurico Miranda no Vasco, Mustafá Contursi no Palmeiras, Alberto Dualib no Corinthians. As respectivas coleções de troféus não impediram que eles fossem devidamente expurgados de seus tronos, exemplos de gestão predatória e autoritarismo. Alterar os critérios para avalizar Teixeira é revisionismo barato.

Houve quem fosse além e invadisse o território do nonsense ao salientar a “evolução” dos gramados (não ria, é sério. E triste.) dos estádios brasileiros durante a gestão do ex-presidente. Mesmo se fosse o caso, seria possível imaginar um dirigente orgulhando-se de que “nunca na história deste país os gramados evoluíram tanto quanto nos últimos 23 anos”? Mas é mentira.

O Campeonato Brasileiro da Série A é disputado em muitos campos ruins, e em estádios jurássicos. Não há no Brasil um único estádio que seja capaz de receber uma seleção nacional top, sem que os jogadores estrangeiros olhem ao redor e se espantem com o atraso. Não fosse assim, não precisaríamos construir tudo novo para a Copa do Mundo. Seria por isso que a Seleção Brasileira não joga em seu país?

Claro que não. A camisa do Brasil foi transformada por Ricardo Teixeira na mais prolífica caixa registradora da história do futebol, com patrocínios milionários e amistosos terceirizados pela CBF. Enquanto você lê este texto, detalhes são finalizados para que o Brasil enfrente o Japão em outubro… na Polônia. Enquanto a CBF vende saúde financeira, seu clube vai bem? E nem falamos das acusações…

Quem preferir – por motivos inconfessáveis, claro – fechar os olhos para os fatos e canonizar o cartola, deve se concentrar em dois pontos: a criação da Copa do Brasil e a implantação, tardia, do sistema de pontos corridos. Em serviços prestados ao futebol brasileiro, não há mais nada. E não é quase nada para 23 anos de poder.

Qualquer criança sabe disso.

BOM TRABALHO?

Importante frisar que os pontos corridos chegaram ao Campeonato Brasileiro em 2003, quando Teixeira completou quatorze anos no trono. A adoção do formato e sua manutenção até hoje são absolutamente surpreendentes, no contexto da “obra” do dirigente e de suas relações com parceiros. E não deveriam esconder a noção de que o futebol no Brasil está atrasado em muitos aspectos. Dentro do campo, acima de tudo. O que é mais grave.

TEM CERTEZA?

A Seleção Brasileira é vendida pelo mundo como uma maravilha interplanetária, mas perdeu todas as conexões com o torcedor de seu país. A dois anos da Copa do Mundo, em casa, não tem um time que mereça ser chamado de confiável. Reflexo direto de uma evidente crise na fábrica do país do jogador de futebol. Nenhum dos principais clubes do mundo tem um brasileiro como seu melhor jogador, cenário inimaginável na história recente.



MaisRecentes

Plano B?



Continue Lendo

Pendurado



Continue Lendo

Porte



Continue Lendo