AZARADO



Quantos problemas de interpretação…

Jérôme Valcke tem um importante currículo de declarações mal entendidas.

Recentemente, dois casos: o email trocado com o impoluto Jack Warner, no qual o secretário-geral da Fifa escreveu que o Catar “comprou” a Copa do Mundo de 2022, e depois disse que se referia ao “grande orçamento” do país.

Isso foi em maio do ano passado.

Agora, o episódio do traseiro brasileiro, vítima das sutilezas que se perdem na tradução do francês para o português.

Só que o problema é uma terceira língua.

Jornalistas que acompanharam a entrevista em que Valcke disse o que disse lembram que o idioma usado foi o inglês.

Valcke proferiu “arse”, uma vulgaridade que é até pior do que “traseiro”.

Não importa se, em francês, o que ele quis dizer tem outra conotação. O que importa é que antes de reclamar por ter sido mal interpretado, Valcke chamou a reação brasileira de “infantil”. O pedido de desculpas foi tão sincero quanto o choro de uma atriz veterana.

Não se discute o atraso, a lentidão, o tamanho do rolo que é a Copa no Brasil. A questão é a falta de respeito (a propósito: chamar Valcke de “vagabundo” só rebaixa ainda mais o nível da conversa), que obviamente provocaria uma reação.

Má interpretação… De novo? É muito azar para um secretário-geral só.



  • É André, acho que esse cargo tem gerado muito stress para Valcke, por isso tem se atrapalhado tanto com as letras.. Assim como deve ser atrapalhar com as contas e com os valores, é tudo problema de interpretação..

    Quanta dó do narigudo..

    Abs..

  • Para a Fifa, por mais que esperneie, a Copa será um grande sucesso. Eles sairão mais ricos do que entraram. Já nós não podemos dizer o mesmo…

  • Marcelo

    André, por favor, qual foi a expressao usada em frances?
    Grato
    Abraco

    AK: “Se donner un coup de pied aux fesses”. Um abraço.

  • Caio

    Professor do Andrés Sanches ele.
    Ou aluno.

    Enfim, da mesma escola…

  • Juliano

    André, me permita lançar um “off topic” e voltar ao ultimo final de semana, no clássico paulista.

    Não tocaste no assunto, talvez propositadamente, mas muito se falou sobre poupar ou não os jogadores. Como a derrota do Corinthians foi magra (não foi um vexame) e o time continua no topo do Paulistinha, a maior parte dos analistas esportivos considerou certa a não escalação do time titular por Tite, poupando o que tem de melhor para a rodada de meio de semana da Liberta’12.

    Assim, os mesmos analistas criticaram o risco que o time santista correu quando Muricy escalou força máxima. O treinador justificou bem: o torcedor lotou a Vila pra ver quem? Respeito com o torcedor, perfeito. E era um clássico, por mais que hoje os estaduais valham pouco ou nada, perder pro rival em casa nunca é bom. Considero acertada a decisão, mas com outros argumentos além destes.

    – Criou-se uma máxima de que o jogador de futebol é de vidro. Coitadinhos. Jogam demais. Precisam sempre ser poupados. Sempre. Claro, que não sou ignorante e sei que, chega uma hora que o corpo não aguenta e a lesão se dá muito por este estresse. Mas lembremos: início de temporada, ninguém está esgotado a ponto de ser poupado. Muricy ponderou isso também.

    – Sinceramente, jogar DUAS vezes por semana, é um exagero???? Vejamos: os jogadores santistas jogaram no domingo, 90 minutos. Na segunda, no máximo fizeram uma recuperação ativa – regado de cuidados de fisioterapeutas, fisiologistas, nutricionistas, etc. Na terça, se treinarem, certamente será muito, muito leve. E o jogo é na quarta, onde nada farão até o horário do jogo, para mais 90 minutos. Aí terão quinta, sexta e sábado até o jogo de domingo, são 3 dias de recuperação e treino, no máximo muito, muito leve. Sinceramente, não vejo tanto sacrifício assim. Ainda mais em território nacional, quando não se perde tanto tempo assim com deslocamento e não há fuso horário.

    – Os jogadores da NBA jogam 82 partidas em uma temporada. OITENTA E DUAS. É desumano. Aqui reclamamos – e com razão – do calendário. E lá? Lembremos que, no bola-ao-cesto da NBA são jogados 48 minutos. Cronometrados! A intensidade de um jogo de basquete assusta. Se está em quadra, está a todo instante sendo exigido, pois todos atacam, todos defendem. E a briga por espaço é muito, muito intensa. Não é um jogo para descansar. Pergunto: dos 90 minutos do futebol, quantos são jogados com intensidade por cada jogador? Se a bola está com Neymar, certamente Dracena e Durval estão mais relaxados, e vice-versa. A intensidade, aqui, pode ser controlada por posição. No basquete não, todos atacam, todos defendem, JUNTOS!

    Aí eles atravessam o país, que possui alguns fuso-horários. Um dia de descanso, e jogo de novo. Quando não fazem os back-to-back. E nem por isso são tratados como de vidro ou como coitadinhos. Se lesionam, se recuperam, e estão lá de novo. É do esporte. Todos, um dia, irão se lesionar. Por jogar demais, por jogar de menos. Quando na dose certa, num lance bobo. É do esporte.

    Na temporada 86-87 (há incríveis 25 anos, quando a ciência esportiva era menos desenvolvida que os tempos de hoje), Michael Jordan jogou as 82 partidas da temporada regular com uma média de 40 minutos jogados (com aquela intensidade) e incríveis 37 pontos por jogo. E na NBA, depois da temporada regular tem os playoffs, onde se pode jogar até mais 28 jogos. E ninguém é poupado, a menos que esteja de fato lesionado. Jordan (entre outras centenas de exemplos) não foi poupado nem contra o time mais fraco. Lá, o negócio é profissional: você é muito bem pago para entrar em quadra e jogar. Se machucar, outro profissional bem pago irá cuidar de você. É do esporte. Aqui, os boleiros recebem fortunas, e são tratados como de vidro. Na minha empresa, o funcionário mais bem pago é quem deve fazer jus aos seus vencimentos.

    Toda comparação é injusta, as vezes burra. Pode ser o caso. Mas o fiz porque esse negócio de “jogar DUAS partidas por semana é muito” me irrita. São preparados pra isso. Existem muitos profissionais trabalhando para permitir que o realizem. São pagos pra isso. A estrutura em torno destes é fantástica. É a sua profissão.

    Por isso acho que Muricy acertou. Até porque ele não teria elenco. Até porque duas partidas por semana não é loucura. Até porque era um grande rival, não era o Comercial ou o Mirassol (perder qualquer jogador num lance bobo em um jogo irrelevante sim, é irresponsabilidade, mas não era o caso).

    Essa superproteção aos atletas de futebol os ajuda, também, a ficarem um tanto mascarado. Não acontece com todos. Mas acho que a linha deveria ser mais dura. Você é bem pago, é bem tratado. Vá lá e jogue. Descanse 2 dias. Volte lá e jogue. Fim de papo. Do contrário, vá jogar basquete… duvido que algum boleiro aguente.

    Gostaria de saber o que pensas, com seus argumentos – sempre muito bons.

    Um abraço!

    AK: É um equívoco comparar esportes. Sim, é um exagero jogar, com os níveis de exigência de hoje, duas vezes por semana. É o que afirmam os especialistas no assunto. Se a decisão fosse minha, eu não escalaria titulares num jogo de Campeonato Paulista antes de um jogo de Copa Libertadores. Um abraço.

  • Juliano

    Esqueci de comentar: quase que o Arsenal te fez acertar o palpite. O Milan, por pouco, não passa um vexame.

  • Tibúrcio Barros

    Prezado,

    Interessante esta discussão pois me faz parecer estar nos anos 70 (que não vivi mas li) com seu ame-o ou deixe-o.
    Eu concordo que ele usou palavras erradas para o cargo que ocupa e com quem relaciona. Por isso, pedra nele! Mas como discordar do conteúdo? Todos nós sabemos que está tudo atrasado, caro e obscuro. Infelizmente, não vi seus colegas jornalistas fazerem este porém (inclusive seu pai) e ficaram no desrespeito à pátria, etc e tal.
    O assessor afirmar que este é o jeito brasileiro de trabalhar, foi outra piada. Alguém comentou a respeito? Também não vi.
    E por último, supondo que a FIFA cancele a copa aqui, eu acho que seria ou na Alemanha ou EUA. E vc? E como ficaria a selecinha neste processo, já que as eliminatórias já começaram?
    Abraços,

    AK: Se não viu, não prestou atenção. Um abraço.

  • Alexandre

    Ainda bem que o Guardiola não escutou os especialistas, senão o Messi não teria feito 55 partida(ça)s entre 21/08/10 e 28/05/11.
    Brincadeira. Realmente duas partidas por semana, toda semana, é muito. Mas duas partidas por semana, em algumas semanas do ano, é perfeitamente administrável.
    Entendo o desabafo do Juliano e também acho que a discussão deste assunto no Brasil está meio exagerada.

  • Renato Zupo

    André.
    Valcke falou o que todos queríamos falar. E a copa vai ser uma porcaria aqui no Brasil. Perderemos em organizaçao para a África do Sul, e quem perde deles vai ganhar de quem? Colocar Aldo Rabelo a frente de alguma coisa não iria funcionar jamais,e com os congressistas que temos… O governo brasileiro teria que fazer o contrário, a meu modesto sentir, e deixar a CBF resolver as questões. O governo deveria cuidar somente dos gastos públicos e deixar o resto com Ricardo Teixeira, não porque assim vai dar algum resultado, mas porque, em não resolvendo, o culpado seria o Ricardo, e não o governo. Isso seria politicamente muito mais inteligente, porque que a copa vai ser um fiasco, vai.

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