O LANCE DA RODADA



Hoje nos concentraremos na fascinante jogada do gol do Santos (1 x 0 no Corinthians ), no clássico paulista.

Uma jogada em que vários fatores conspiraram para Ibson aparecer na frente de Julio César e decidir o jogo.

Clique no link e pare a imagem a 1 segundo, momento em que Ibson faz o passe para Paulo Henrique Ganso.

Você verá o corintiano Edenílson flutuando na frente de Ibson, e Weldinho e Wallace preocupados com Neymar e Juan.

Enquanto a bola vai aos pés de Ganso, Juan passa entre Weldinho e Wallace, que cola em Neymar.

Weldinho, sem se mexer, apenas monitora o movimento de Juan, do lado esquerdo do ataque. Ralf observa.

O que determina o desfecho do lance é a ação de Ibson, que passa atrás de Edenílson e entre Weldinho e Wallace, sem que nenhum jogador do Corinthians reaja.

Ganso (observado por Alex, que se aproxima timidamente), que já tem um raciocínio superior quando bem marcado, é contemplado com todo o tempo necessário para perceber a infiltração do companheiro, a falta de atenção da zaga corintiana, e oferece um passe que parece simples.

Talvez fosse a obrigação de Ralf acompanhar a trajetória de Ibson (curioso que, ao buscar a bola no fundo do gol, o eficiente volante gesticule em direção à área do campo em que a jogada nasceu), pois os outros dois companheiros cuidavam de Juan e Neymar.

Talvez não fosse obrigação específica de ninguém, uma vez que o Corinthians jogou com uma defesa alternativa. Se foi esse o caso, a falta de entrosamento pesou no resultado.

Mas o que impressiona é que tudo aconteceu sem que o ataque do Santos fizesse um movimento coordenado para criar o espaço para Ibson.

(Só como exemplo, veja neste clipe, aos 2’06”, como a movimentação de Messi provoca a indecisão entre Vidic e Evra, proporcionando a chance para Pedro marcar o primeiro gol do Barcelona contra o Manchester United, na final de Wembley.)

Na Vila, Weldinho não foi atrás de Juan. Neymar ficou praticamente imóvel. Ibson tocou para Ganso, correu, recebeu e marcou.

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Na Europa…

Que tal o segundo gol de Robin Van Persie, na vitória (2 x 1) do Arsenal sobre o Liverpool? Parece fácil, né?

E que excelente segundo tempo de Kaká, na goleada do Real Madrid (5 x 0 no Espanyol), que se aproxima do título espanhol.

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Postei no twitter, ontem, uma frase que ouvi de um treinador experiente. Ele diz que, em termos de ambiente “há 3 tipos de jogadores: o bom de grupo, o ruim de grupo e o milionário.”

Usei a frase para comentar a demissão de André Villas-Boas do Chelsea. Escrevi que o clube londrino tem pelo menos 4 (multi) milionários pós-auge – Cech, Lampard, Terry e Drogba – que o transformam no time mais difícil de dirigir no mundo.

Obviamente, houve quem não entendesse e comentasse que há muitos exemplos de jogadores independentes financeiramente e que são influências positivas no vestiário.

É evidente que não se trata apenas de um aspecto. Ronaldo, Kaká, Messi… estão aí para provar que uma coisa não está necessariamente ligada à outra.

Não é a conta bancária.

É a atitude que se assume quando o nome é importante, o futuro está garantido e o declínio na carreira já começou.

E no caso dos jogadores do Chelsea, há também um “senso de autoridade” que, em grupo, torna a situação delicada para qualquer treinador.

Ainda mais um jovem como Villas-Boas.



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